terça-feira, 9 de outubro de 2018

Marcio Fonseca entrevista o artista Phillipe Gebara

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Phillipe Gebara



Quem é Philippe Gebara ? Como a arte entrou em sua vida? Qual foi sua formação em arte?
 Nasci em 1972 no Rio de Janeiro Filho de Carlos Gebara e Lucia Oliveira. Desde moleque desenhava com dedicação fora do comum e ja na escola vendia seus desenhos. Pintava os muros da cidade e fazia performances durante shows. Sua paixão era Historias em Quadrinhos e teve seus trabalhos premiados na Bienal Internacional de Quadrinhos em 1993. Com 17 anos comecei a tatuar e fui autodidata até aos 24 anos quando após o falecimento da mãe resolvi estudar.  A oportunidade de ir para Nova York veio após conhecer o diretor de ilustração da SVA, mas após 1 ano do curso mudei para belas artes uma vez que já vinha ilustrando desde pequeno. 

Que artistas influenciam seu pensamento?
Moebius - Richard Serra - Antony Gormley - Anish Kapoor - Sol Lewit - Frans Weissmann - Banksy - Gordon Matta-Clark


Como você descreve seu trabalho?
 Meu trabalho é uma constante busca de honestidade comigo mesmo naquilo que sinto ter para oferecer ao mundo. Sempre questiono nossa época e a “perecividade” dos dados gerados. Imagine um arqueólogo do futuro se deparando com um DVD ou um HD. Cheios de informação mas sem a tecnologia se tornam obsoletos. Quero criar um legado de objetos em materiais resistentes ao tempo e que traduzam nossa época. Busco também  uma desmistificação da obra no pedestal trazendo quase sempre o fator interação. 

Você poderia descrever sua experiência com a arte nos Estados Unidos?
Quando morei nos Estados Unidos vivi uma experiência unica  e privilegiada dadas as circunstancias. Aprendi muito e vi muita coisa, mas  posso dizer que quando via algo que me surpreendia dentro da escola raramente eram de produção americana. Asiáticos e sul-americanos se destacavam por questões de temas e linguagens. Tinha muita coisa boa produzida por americanos mas em sua maioria me pareciam acomodados em formatos já existentes. Algo como quem vinha de fora tinha mais vontade de produzir. 

Qual sua opinião sobre a qualidade do material nacional para pintura?
Quanto ao material para pintura, diria que é tudo muito caro e de qualidades duvidáveis. Tinta em spray por exemplo, as boas são importadas.
É possível viver de arte no Brasil?
Tem q ser! O que mais me deu retorno foi tatuagem por ser algo pessoal e direto com o cliente. Hoje tenho muita dificuldade de vender minhas esculturas e acredito que os motivos sejam questões culturais. Primeiro porque em geral as pessoas pensam em comprar um quadro para pôr na parede e a escultura é algo que necessita um pensamento mais espacial de onde pôr-la. Segundo porque meu trabalho envolve um estudo geométrico q apesar de universal ainda é pouco compreendido pelos expectadores. A peça que mais vendi nos últimos tempos foi uma serie que replica em dimensões menores a escultura que pus na rua. Como ela é vista constantemente as pessoas já a aceitam e assimilam a sua forma. E terceiro porque o poder aquisitivo do brasileiro é tão “desesperado” que poucos realmente entendem e aceitam a arte como algo importante. "Se não tem comida no prato como entender cultura?” essa era uma frase q eu repetia sempre que algum gringo me perguntava sobre arte no Brasil.

Como você comercializa seus trabalhos? Galeria ou leilões?
Hoje o instagram é a minha galeria e por mais que tenha obras em galerias reais as mesmas também usam das mídias sociais para circular.

Essa semana aconteceu a ArtRio, qual sua opinião sobre as feiras de arte? 
Não tenho uma opinião muito concisa sobre feiras de arte mas acredito q qualquer incentivo à arte em todas as suas formas é positivo. Minha percepção é que sempre existem panelas e não condeno mas lamento não ser atuante nessas frentes. Gostaria muito de participar da ArtRio e acho que tenho o potencial para estar lá.

Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos são fazer uma carreira notável no cenário mundial das artes plásticas. Quero poder produzir obras monumentais. Obras que façam a diferença tanto no âmbito pessoal, bairrista como mundial. Acredito muito que algum dia minhas criações possam influenciar de forma positiva gerações por vir. O que quero é ter reconhecimento e visibilidade naquilo que tenho à oferecer.









































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