sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Marcio Fonseca entrevista Paulo Vieira




Quem é Paulo Vieira? 
Eu nasci numa cidade do interior de Minas, chamada Manhuaçu. Mas ainda muito criança, minha família mudou-se para Caratinga, onde eu cresci. Minha mãe era dona de casa e gostava de cantar, frequentava um coral da cidade. Meu pai, era um motorista. Na adolescência, colocaram-me num curso de desenho e pintura, desses que ensinam copiar estampa.

Como a arte entrou em sua vida?
 A arte sempre esteve presente na minha vida. No princípio através dos quadrinhos e depois através da pintura.

Como foi sua formação artística?
 Em Caratinga, aos 18 anos, frequentei o ateliê do pintor italiano Gian Carlo Laghi, onde tive contado com os livros de arte, e onde tive a ideia exata do que era um ateliê.  Depois, na cidade de Timóteo, trabalhei com o pintor Josias Moreira,  que retornava ao Brasil depois de mais de uma década morando na Alemanha. Com ele aprendi muito sobre técnica e comecei a pensar sobre conceito, ideia. Josias e prof. Gian eram  mestres e  bons amigos. Foi um período muito rico para mim.


Que artistas influenciam seu pensamento?
 Picasso principalmente. E Dalí, com seus quadros das décadas de 20 e 30. Os impressionistas, em especial Degas. Os muralistas mexicanos, Morandi , Modigliani, Mondrian... é uma lista enorme, Francis Bacon, David Hockney...

Como você descreve sua obra?
Sou um pintor figurativo. Um pintor desses que ainda acha o desenho importante. Costumo pintar gente. O corpo é sempre o meu tema. Mas na verdade, sinto que no final das contas, o corpo, o sujeito acabam sempre virando um pretexto para as questões pictóricas, para os problemas  que vamos criando dentro do ateliê.
Essencialmente trabalho com óleo e acrílica sobre tela , mas gosto muito também de trabalhar em papel, com carvão, grafite, pastel e até mesmo aquarela. Eventualmente me aventuro na gravura.

 É possível viver de arte?
 Acho que sim, é claro que costuma demorar um tempo.
Mas também é saudável trabalhar com outras coisas que no final sempre agregam no seu trabalho de ateliê.

O que você pensa sobre os Salões de Arte?
 Nunca me preocupei com Salões, participei de pouquíssimos. Desconfio sempre dos critérios de muitos deles e para falar a verdade, tenho preguiça da ficha de inscrição, do envio das obras... essas coisas. E não acho que participar de salões ou mesmo vence-los, defina a qualidade de um artista, a validade de uma obra.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
 A questão de ser representado por uma galeria é importante. Mas não é fundamental. Conheço alguns artistas no Rio, que não estão em galeria e possuem um trabalho sério e consistente.


Como foi sua experiência na exposição individual na Galeria Movimento, RJ?
Tenho um ótimo relacionamento com a Galeria Movimento, onde estou há 5 anos. Esta foi minha segunda individual lá e fiquei feliz com o resultado.

O material produzido no Brasil para arte já pode ser considerado de boa qualidade?
 Infelizmente os produtos nacionais estão muito distantes da qualidade dos importados. Antes, ainda tínhamos a série A600 da acrilex, que era uma tinta de qualidade. Mas deixou de ser fabricada. A impressão que se tem, é que a indústria nacional não está preocupada em produzir material profissional.


Quais são seus planos para o futuro?
 Meus planos são sempre trabalhar, trabalhar e trabalhar.


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