sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Marcio Fonseca entrevista Eloá Carvalho





Quem é Eloá Carvalho? 
Nasci em Niterói e cresci querendo ver de perto a paisagem do outro lado da Baía de Guanabara. Acho que vem daí meu interesse em observar a paisagem e tentar descobrir o que existia além dela. Tive uma infância muito feliz. Venho de uma família numerosa (sou caçula de três irmãos) onde desde cedo aprendi a compartilhar. Muitas vezes inventava meus próprios brinquedos e isso foi muito valioso porque me ajudou a ser uma pessoa com um olhar mais aberto e menos formatado, que sempre busca uma alternativa para as adversidades. E que acaba nos levando a caminhos muito mais interessantes também.

Como a arte entrou em sua vida?
Começa pelo desenho que sempre fez parte da minha vida de uma forma natural. Presentear as pessoas com desenhos era a minha forma mais genuína de demonstrar afeto. Mas, por volta dos meus sete anos, nascia a empresa que pai e meu tio, sem nada entender do meio tão corajosamente se arriscavam em começar: uma fábrica de telas de pintura. Sem saber o que aquilo um dia significaria para mim, gostava mesmo era do cheiro do cedro e de entrar embaixo das enormes mesas que eram usadas para entelamento. Lá descobri coisas curiosas, como quando meu pai ganhou um livro de um cliente com suas pinturas e os nomes tinham a ver com bules, laranjas e berinjelas. Ou quando li o nome de um novo cliente que se chamava Iberê. Assim conheci Carlos Scliar e Iberê Camargo.

Qual foi sua formação artística?
Fiz graduação em pintura na EBA, UFRJ. Quando me formei não tinha muita noção do que era arte e muito menos de arte contemporânea. Levei algum tempo para entender que para seguir nesse caminho teria que recomeçar e ir em outra direção. Frequentei cursos teóricos na Instituição Eva Klabin, fui ouvinte em algumas matérias na pós-graduação de Arte na UFF, até chegar no Parque Lage onde estudei por dois anos com Suzana Queiroga, que foi fundamental na minha trajetória. Nestes últimos dois anos, participei do grupo de estudos com o crítico Ivair Reinaldim, onde pude desenvolver e amadurecer meu pensamento artístico.

Que artistas influenciam em sua obra?
Caspar Friedrich, Malevich, Pistoletto, Paula Rêgo, Regina Silveira, Gentileschi, Robert Ryman, Goeldi, Hopper, Luc Tuymans, Morandi.

Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho atual é o desenvolvimento de uma pesquisa que iniciei em 2009. Como utilizo imagens figurativas, criei um arquivo fotográfico que serve de referência para os personagens que crio nas pinturas e desenhos. No início, era mais uma relação dessas figuras no espaço “vazio” e de como a atmosfera psicológica dos personagens sugeriam paisagens subjetivas. Com o tempo, fui me descolando dessa ideia e os personagens passaram a dominar esse espaço com relações mais intrigantes e improváveis. A edição e construção desses trabalhos veio sendo criado por outras relações que essas imagens me instigavam de alguma forma.
Sempre utilizei o desenho e a pintura como meus principais instrumentos, mas tenho começado a pensar e a realizar alguns trabalhos em outros meios porque meu pensamento tem me levado a isso. Atualmente tenho trabalhado com tinta óleo pela exigência da própria pintura que venho fazendo.

É possível viver de arte no Brasil?
Difícil, mas acho que sim. É privilégio para poucos.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los.?
Acho que são uma boa forma para os jovens artistas começarem a circular seus trabalhos, de serem vistos e conhecidos.

O que representou para você a exposição no IBEU?
Uma oportunidade incrível! Acho que foi um momento em que consegui dar um bom passo em direção ao amadurecimento como artista. Eu me coloquei esse desafio. Tem diversas questões envolvidas nesse projeto, começando por ser minha primeira individual numa galeria como a do Ibeu. Adorei pensar e desenvolver um projeto específico para um determinado espaço, que não era apenas o espaço físico mas que utilizou a memória daquela instituição como referência para construção dos trabalhos. E o principal é o caráter instalativo que o projeto tem. Então foram muitas camadas conceituais e processuais que ainda estou percebendo e compreendendo, que certamente abrem novas frentes no meu trabalho.

Como você poderá ser conhecido em âmbito nacional?
Acho que trabalhando muito (e com um pouco de sorte).

O material nacional para arte já é de qualidade suficiente?
Para a pintura, infelizmente, não.

O que é preciso para um artista ser representado por uma galeria?
Isso é complicado mas acredito que não tem regra. Existem tantos artistas interessantes sem representação.

Quais são seus planos para o futuro?

Gostaria de ter oportunidade de continuar criando projetos específicos e também de fazer residências artíticas. E trabalhar muito! rs


Sobrevoo, 2011. Óleo sobre tela. 85 x 35 cm.


Second Floor, 2011. Óleo sobre tela. 70 x 90 cm.

Fim de Semana, 2012. ÓLeo sobre tela. 100 x 160 cm.


E Dove Sei? 2012. Óleo sobre tela. 100 x 170 cm.


Daqui a Duas Horas, 2012. Óleo sobre tela. 80 x 100 cm.


Como Deve Ser, 2012. Óleo sobre tela. 165 x 160 cm.



Na Sala de Jantar 4, 2013. Óleo sobre tela. 95 x 85 cm.

Quase Aquivo No 3, 2013. Óleo sobre tela. 150 x 180 cm.
 
 
Projeto para Cena ao Longe, 2013. Óleo sobre tela. 200 x 180 cm.
 
Director's Cut Série # 1, 2012. Grafite sobre papel vegetal. 200 x 180 cm
 
 




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