quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Marcio Fonseca entrevista Marcelo Tinoco.



Marcelo Tinoco é formado pela FAAP e representado pela Zipper Galeria. Participou da Foto Bienal MASP/Pirelli.





Quem é Marcelo Tinoco?
Sou fotógrafo, Nasci em São Paulo - 1967 , mais minha família é toda Carioca, morei na infância um pouco no Rio, mas minha mãe veio pra São Paulo , onde moro até hoje.
Em São Paulo estudei no Vera Cruz, depois Oswald de Andrade, e cursei Artes Plásticas na FAAP.



Como a arte entrou em sua vida?
Tive muitos estímulos artísticos desde pequeno, minha mãe (Dulce Soares) era fotografa documentarista, dirigiu por alguns anos o Teatro da Ilha do Sul, que nos anos 70, era bem agitado, meus pais colecionavam arte, e todo fim de semana íamos a livrarias de arte e loja de discos e cada filho tinha direito de escolher um livro e um disco. O ambiente em casa favorecia bastante.


Como foi sua formação artística?
De pequeno gostava de ajudar minha minha mãe no laboratório PB, balançava as bandejas de Dektol e Fixador para ela. Comecei a ter aulas de violão aos 11 anos, e tomei gosto pela música, estudava muito, tive bandas dos 14 anos até meus 24 anos ensaiava direto e tocava nas casas noturnas do Brasil, mas já em paralelo a musica, fazia cursos de fotografia na Escola Imagem e Ação, do Claudio Feijó, fiz vários cursos, e adorava.
Fiz assistência fotografia para alguns fotógrafos, estagio no estúdio Abril, e ao mesmo tempo cursei Artes Plásticas na FAAP. Eu era daqueles alunos que só tirava 10 em aulas de artes, enquanto nas outras matérias passava raspando. Após a Faculdade, abri meu estúdio fotográfico trabalhando para editoriais de Beleza, Moda e publicidade. Em 2010, fiz minha primeira exposição individual, e dai para frente me dedico exclusivamente a fotografia autoral artística.



Que artistas influenciam seu pensamento?
Alguns nomes que passam em minha memória agora, que me influenciam a muito tempo : Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, Stanley Kubrick, Pieter Brughel, Melchior, d'Hondecoeter, Canalleto, David Hockney, Chuck Close, Edward Hopper, Rembrandt, Renoir, Matisse, Peter Paul Rubens, Rachmaninoff, Wes Montgomery, Jimmy Smith...


Como você descreve seu trabalho?
Meu trabalho é totalmente autoral, ou seja, todo o que se vê nas minhas obras, foi fotografado (de forma documental), manipulado e composto por mim, eu só não faço a moldura da obra. Fotografei por 15 anos analógicamente, porem hoje devido a necessidade de um volume enorme de fotos necessárias para a composição de uma obra, tenho que captar as imagens digitalmente, dai organizo as fotos em meu banco de imagens autoral e parto para a composição da obra. Utilizo como aplicativo principal o Photoshop, porem todos os setups desse programa também são autorais, por exemplo. só uso "paint brushes" criados por mim através de minhas fotos (folhas, plantas, nuvens e etc...), o que resulta em um aspecto diferenciado no acabamento final. Hoje, o meu trabalho é muito mais influenciado pelos pintores, do que por fotógrafos.

É possível viver de arte no Brasil?
Difícil, requer muito investimento, e o retorno não é garantido.

Você foi premiado no 45 SAC Piracicaba, qual sua opinião sobre os Salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los? Qual foi o significado do prêmio?
Os Salões são importantes para exercitar e divulgar sua produção artística e rodar o trabalho pelos olhos da crítica especializada.Tambem o trabalho educativo feito pelos Salões é gratificante, eles recebem escolas e fazem um trabalho importante para a educação.
Agora, não dá para dizer que a estrutura financeira e de logística seja perfeita, é em muitos casos, precária, fazendo que o artista invista muito e obtenha pouco ou nenhum retorno financeiro.
Agora como aprimora-los? como fazer com que as pessoas frequentem os Salões de suas cidades? ... acho que existem diversos fatores para a falta de interesse da população comum em relação a arte produzida no Brasil.
Um maior Investimento e planejamento em educação seria o fator numero 1 para um grande avanço.
Considero como o segundo fator prejudicial, essa cultura de que o Brasil é o pais do futebol e da novela, acho isso fatal para o produção artística, em todos os níveis, cinema, teatro, musica, artes plasticas...
Considero televisão aberta no Brasil é uma das grandes culpadas, não que eu seja a favor de censura, muito pelo contrário, mas desde que me entendo por gente, só vejo a quantidade de novelas (programas que falam sobre as novelas) e transmissões de jogos de futebol aumentarem. Sejamos razoáveis, uma novelinha aqui e ali, um joguinho as vezes, ok! mas nessa quantidade maçante, fica difícil, não ajuda.
As grandes emissoras poderiam fazer a sua parte melhorando o conteúdo. Hoje para ter um conteúdo de qualidade precisa pagar a TV a cabo, é uma tristeza...o povo continua anestesiado com as novelas e futebol, estimulo zero! Fica difícil para uma Pinacoteca Municipal sozinha, convencer o povo a vivenciar cultura e arte. (desabafos a parte).
Ser premiado nos salões, significa que seu empenho e produção está num caminho certo, ou um caminho aceito pelos profissionais da área, é um estimulo.


Você faz parte da Zipper Galeria, o que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Ter empatia com a linguagem da galeria é importante. Acho que o fator principal é a troca, o galerista sentir o potencial de seu trabalho dentro do conceito da galeria e o artista sentir que está no lugar certo. Agora, a transparência e os acordos bem ajustados entre as partes é importante para a manutenção e aprimoramento do trabalho.

Como você estuda e se atualiza?
Lendo, pesquisando na internet, indo aos museus e galerias, viajando. Eu sou do tipo que quando viaja vai aos museus das cidades, em primeiro lugar, depois penso em outras coisas.


De que maneira um artista poderia ser conhecido além do seu estado?
Acho que ainda a melhor forma é o investimento nos editais e salões, depois de frequentar os salões e editais, podem aparecer convites de curadores, museus e galerias e assim vai...



Quais são seus planos para o futuro
Ganhei agora em 2013, o prêmio Marc Ferrez de fotografia, com o meu projeto "Diorama", será meu primeiro livro, a ser lançado em 2014. Em Maio/2014 farei uma individual na Zipper Galeria, e fui contemplado no Edital da Caixa Econômica, para uma individual na Caixa Cultura do RJ em Agosto/2014. Agenda cheia em 2014.
No momento, estou em processo de criação de novas séries, rola um certo isolamento do mundo exterior.


Amsterdamas



Boreal Escandinavia, 2013 - Série: Hiper Jato de tinta em papel de algodão, 100x148cm ou 55x81cm



Domingo (da série Timeless),2011. Impressão digital em papel de algodão, 110 x 182 cm.



Highline.




Loch (da série Histórias Naturais), 2013. Impressão digital em papel de algodão, 110 x 170 cm.

Rush in Bruges



Lagoa dos Patos (da série Histórias Naturais),2012. Impressão digital em papel de algodão, 110 x 161 cm.


Para Caneletto (da série Timeless),2011. Impressão digital em papel de algodão, 110 x 153 cm.




Shakespeare em BentoVale dos Vinhedos, 2013
Diorama Rio (da série Histórias Naturais), 2013. Impressão digital em papel de algodão, 110 x 154 cm.



Baviera’s Square (da série Histórias Naturais), 2012. Impressão digital em papel de algodão, 100 x 182 cm, 2012.

Vila Magdalena



FotoBienal MASP/Pirelli, MASP, SP.



http://zpr.me/marcelotinoco

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