terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Marcio Fonseca entrevista de Fábio Leão.






Quem é Fábio Leão?
Sou artista visual nascido na cidade de Arapiraca no estado de Alagoas. Vivo e trabalho em São Paulo. Minha formação acadêmica não é em artes plásticas. Sou formado em comunicação social e para suprir essa carência na formação artística, acabei fazendo diversos cursos e work shops de natureza prática e teórica.


Como a arte entrou em sua vida?
Desde pequeno sempre gostei de desenhar. Lembro que eu lia muito histórias em quadrinhos e ficava copiando os personagens. Quando vim para São Paulo cursar a faculdade de comunicação social, o meu interesse por arte só aumentou após o hábito que adquiri de visitar as exposições na cidade. Lembro de uma exposição do Iberê Camargo que me marcou muito. Acho que foi ali que me inspirei a decidir ser artista. Aí comecei a estudar desenho e pintura e comecei a participar de concursos de arte. Acabei ganhando o primeiro lugar no concurso III Prêmio Michelângelo de pintura, no ano de 1995. O prêmio era uma viagem à Paris com tudo pago. Aí eu fui a Paris e aproveitei e fui para Barcelona também, pois lá eu tinha onde ficar, pois uns primos meus moram lá. E aí, quando visitei as exposições dos principais museus de Paris e Barcelona, minha paixão pela arte só aumentou.


Como foi sua formação artística?
Como não cursei a faculdade de artes plásticas, acabei tentando suprir essa lacuna de diversas outras formas. Fiz cursos com artistas como Leda Catunda e Laura Vinci, além de cursos de história da arte e também o curso de conceitualização e desenho “Procedência e Propriedade”, uma espécie de imersão artística no Ateliê Mundo Novo no Rio de Janeiro, com coordenação do professor Charles Watson. Foi a partir desse curso que voltei a me familiarizar com o universo da arte, principalmente da arte contemporânea. Eu tinha me afastado desse universo porque comecei a trabalhar em agências de publicidade, o que acabou tomando muito o meu tempo e energia. Mas a partir de 2011 larguei tudo e voltei a me dedicar exclusivamente à minha carreira artística.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Acho que de uma forma ou de outra, muitos acabam influenciando, mas percebo que alguns especificamente têm causado uma influência que acabou inclusive por transparecer no meu trabalho atual. São eles Rachel Whiteread, Richard Serra, Jasper Johns, Robert Rauschenberg, e no Brasil, acho que os que mais me influenciam são: Iberê Camargo, Daniel Senise, Hélio Oiticica e Carlos Vergara.


Como você descreve sua obra?
Acho que o meu trabalho tem funcionado como uma metáfora para o fato de que cada vez mais hoje em dia não temos tempo ou paciência de parar para olhar a nossa volta. Somos bombardeados todos os dias de informações que acabam nos dispersando e diminuindo nossa capacidade de perceber verdadeiramente o mundo que nos cerca. Pensando nisso, tenho tentado dar visibilidade a elementos da realidade para os quais não damos atenção normalmente, como objetos banais do cotidiano e até elementos da arquitetura, pois acho que assim eu acabo evidenciando essa necessidade, pelo menos para mim, de voltar a olhar para o mundo. Tem também outra questão conceitual que diz respeito à representação da realidade. Nesse aspecto, tenho tentado criar representações do mundo que saiam da representação tradicional, e acho que consigo isso pelas técnicas e pelos procedimentos de que tenho lançado mão, como, por exemplo, a monotipia. Com essa técnica muitas vezes tenho usado os próprios elementos do mundo como matrizes para a produção de imagens, o que me permite evitar artifícios próprios da representação tradicional, como a ilusão causada pela perspectiva e a imitação da realidade.



 É possível viver de arte?
Sim. Porém, para quem está em início de carreira é quase impossível. O mercado de arte está cada vez mais profissionalizado, mas acho que entrar em galeria não devia ser um objetivo, mas sim, uma consequência. Acho que, principalmente para quem está começando, condicionar a existência do trabalho ao mercado pode acabar comprometendo sua qualidade ou tirando o seu frescor. Acho que o trabalho de arte não pode ser tratado como um produto qualquer. Arte, na minha opinião, é um produto da cultura, do pensamento e de uma postura em relação à vida. Por isso é muito delicado comercializar algo dessa natureza, e portanto é tão difícil para alguém viver de arte.


Você foi selecionado para diferentes salões de arte, como foi a experiência? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Apresentar o trabalho ao mundo é sempre uma experiência reveladora, talvez tão importante quanto produzir o trabalho, e é nos Salões de arte que a gente mais tem oportunidade de fazer isso. Acho que o trabalho só passa a existir de fato quando entra em contato com o público. É o público que completa o que o artista começou e é só a partir dessa troca que o trabalho pode ser considerado arte ou não.
Acho que os salões cumprem seu papel, mas prefiro os salões que não limitam o trabalho, seja definindo um tamanho máximo da obra ou impondo muitas regras. Acho que os salões em geral deviam ser encarados como um espaço para a experimentação.


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não sei muito bem. Acho que deve variar de galeria para galeria. Mas imagino que as galerias esperam que o artista se dedique ao trabalho e alcance certo reconhecimento no meio artístico. Só a partir desse reconhecimento prévio é que as galerias devem passar a se interessar por este ou aquele artista.


O que é o atelier Alê?
Ateliê Alê é o ateliê que eu divido com a artista Alexandra Ungern Sternberg. Além de um espaço para produção, o ateliê também tem um espaço expositivo onde temos organizado exposições e encontros com artistas. Além de produzir meus trabalhos lá, eu ajudo a Alexandra a administrar o espaço.


O material produzido no Brasil para arte já pode ser considerado de boa qualidade?
Acho que sim, mas os materiais importados continuam melhores.


Quais são seus planos para o futuro?
Continuar trabalhando duro para continuar me surpreendendo com o meu trabalho. E é claro, fazer o possível para conseguir expôr em lugares que possam dar uma melhor visibilidade para ele.

Vista da Exposição na Galeria Cañzares, 2013




Sem título, 2013. Monotipia sobre papel e tinta sobre parede. Exposição no Ateliê 397.



Vista da Exposição no Ateliê 397. 2013.

Estudo para Olhar o Chão, 2013. Monotipia sobre papel. Exposição na Galeria Cañzares.
 Vista da Exposição na Galeria Cañzares, 2013.
Vista da Exposição no Museu Olho Latino.


Vista da Exposição na Zipper Galeria, SP, 2013.



Subterrâneos na Casa de Cultura Dide Brandão. Vista 1



Subterrâneos na Casa de Cultura Dide Brandão. Vista 2


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