terça-feira, 5 de novembro de 2013

Marcio Fonseca entrevista Reynaldo Candia






Reynaldo vive e trabalha em São Paulo. É representado pela Galeria Virgilio, SP.


Quem é Reynaldo Candia?
Nascido na cidade de São Paulo, sou neto de imigrantes, nasci em um bairro onde as crianças brincavam na rua. Minha formação foi feita em escola de padres, o que de certa forma fez com que eu questionasse muita coisa na adolescência, e isso ajudou bastante para que eu me tornasse artista.


Como a arte entrou em sua vida?
Na casa dos meus pais, havia muitos discos de MPB e me lembro de muitos domingos com música. Lembro que eu ficava horas em frente ao aparelho de som, desenhando e olhando as figuras da enciclopédia Barsa, adorava um baú de fotos de família que minha mãe guardava.Na adolescência fiz colegial técnico de publicidade, e havia uma disciplina onde tínhamos contato com os materiais de desenho,fazia os trabalhos mas sentia vontade de ampliar os limites, quando visitei o MAM pela primeira vez foi uma experiência muito boa, fiz faculdade de Comunicação Social mas sempre de olho no quintal do vizinho, sabe como é?, Terminei o curso, trabalhei na área, e não agüentei, fui fazer artes plásticas.


Como foi sua formação artística?
Na época que eu fazia o curso de Comunicação Social, eu tinha alguns amigos que já estavam trabalhando com algumas galerias, por isso, já sabia um pouco como funcionava mas foi necessário o curso de artes plásticas para que eu entendesse muita coisa, como direcionar o trabalho, a dificuldade de obter uma linha de pesquisa, além das técnicas. Fiz uma faculdade que se dedicava muito a pintura, me lembro que os anos 90 foram a vez da fotografia, passei a freqüentar outros tipos de cursos, mais direcionados para essa pesquisa, e comecei a me apaixonar por colagem, principalmente as russas. Fiz um curso no Instituto Tomie Ohtake sobre fotografia e pensamento visual com a Marcia Xavier, desse curso já saí como seu assistente, e já vai para 9 anos que trabalho com ela. Nessa atividade pude ter o que poucos formandos de artes visuais puderam ter no início de carreira, é de onde tiro a minha experiência para realizar o meu trabalho no ateliê e com a minha galeria, com certeza digo para todo mundo que quer ser artista, freqüentar e fazer assistência, é muito bom, e importante cria uma base forte.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Acho que a todo instante eu presto atenção e busco inspiração, não só nos trabalhos, mas na vida de alguns artistas, gosto muito do Christian Boltanski, esse me tira fortemente do sério, adoro Hannah Hoch sempre que posso fico olhando um livro que tenho no ateliê e sempre me inspira de alguma forma por fim coloco na lista o rock inglês dos anos 80 e a tropicália, acho maravilhosa a poesia de ambos e tenho pesquisado muita coisa sobre geometria.


Como você descreve seu trabalho? ..
Como disse anteriormente meu trabalho se norteava pela fotografia, e a medida que fui dando espaço para outros materiais fui deixando esse suporte de lado, mas sempre me apoio no uso de objetos que possuem uma carga de memória, descobri que essa memória pode vir de várias vertentes, por exemplo, há uma série de trabalhos que disponho as cartas de baralho como um jogo de memória e realizo uma “sabotagem” desvendando o que há por trás com os cortes redondos em várias camadas,por isso posso dizer que faço intervenções em objetos.
No meu trabalho você poderá notar uma geometrização muito presente, que de certa forma há um desenho.

É possível viver de arte no Brasil?
É possível se você ama e se dedica, ser artista é muito difícil, e não há preço que pague a realização de um trabalho, mas é uma dedicação de 24 horas, você sonha com um trabalho e acorda para anotar no caderno, passa madrugadas em branco, mas sei por exemplo que não saberia viver de outro modo e nem se eu seria feliz sem arte.

Que importância para sua carreira teve a Residência Artística na Bienal de Cerveira, Portugal?
Foi enriquecedora não só para a carreira como minha para minha vida. Mandei um projeto que eu levaria na bagagem 3 livros de autores portugueses que foram editados no Brasil, e pediria na Vila Nova de Cerveira (cidade da Bienal de Cerveira), de casa em casa algumas fotografias para eu poder realizar o trabalho da série em livros que eu fiz.
Tive como resultado a ampliação do meu trabalho e pude discuti-lo com outros artistas.
Nessa edição havia uma artista japonesa que até hoje trocamos experiências de materiais e trabalhos. Indico também a todos os artistas, é incrível como abre possibilidades, em todos os aspectos.

Você é representado pela Galeria Virgilio, o que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Existe um caminho a ser concretizado.
Antes de estar na Virgílio eu trabalhei com a Central, antes da Central participei de alguns salões, o que te dá uma visibilidade a alguns galeristas, mas a principal coisa é você saber e entender o que é o seu trabalho, não diria amadurecê-lo, pois acho que a questão não é essa, uma vez que estamos sempre buscando alguma coisa nova, mas decidir realmente se você está pronto para enfrentar o mercado de arte, ver se realmente o seu trabalho se encaixa no perfil da galeria, somando tudo isso um pouco de paciência e persistência ajudam muito.


Você participou do 45 SAC Piracicaba, qual sua opinião sobre os Salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Acho os salões importantíssimos, você acaba conhecendo outros artistas e outros trabalhos, já fui escolhido por alguns tradicionais e toda vez que participo acabo encontrando gente nova, é bom! para quem quer mostrar o trabalho inclusive.
Eu gosto muito quando eles saem do eixo Rio São Paulo, Nordeste, Norte foram salões incríveis.A única coisa que acho que dificulta e poderia melhorar, é a verba para o envio das obras, que acaba ficando inviável dependendo da localidade.

Como você estuda e se atualiza?
Leio bastante, vou muito ao cinema, presto muita atenção na vida em geral, notícias, ao meu redor e ando muito pra poder resolver questões relacionadas ao meu trabalho, vou de casa ao ateliê andando, ouvindo muita música e notando o comportamento da cidade, as conversas que tenho com a minha amiga Ana Sario no ateliê na minha casa e com os os meus amigos também são muito inspiradoras.

De que maneira um artista poderia ser conhecido além do seu estado?
Como disse, os salões são uma forma de você poder mostrar seu trabalho além da sua cidade, e a internet e as redes sociais são ferramentas muito boas.


Quais são seus planos para o futuro?
Quero muito poder trabalhar com arte para o resto da minha vida, claro! Mas a curto prazo, troquei faz dois meses de ateliê e essa mudança está sendo muito boa e produtiva, quero levar muito a sério o que eu faço, todo dia, errando e acertando e quem disse que errar não é acertar? A arte nos dá essa possibilidade, ainda bem!


















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