quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Marcio Fonseca entrevista Lucio Carvalho.



Quem é Lucio Carvalho?
Sou brasileiro, nascido em Cambuci - RJ, me formei em desenho industrial na cidade do Rio de Janeiro onde trabalhei como designer e diretor de arte em agencias de publicidade até 1997 quando mudei para Sampa e passei a me dedicar tempo integral as Artes Plásticas.
Atualmente vivo e trabalho na cidade de São Paulo.

Como a arte entrou em sua vida?
Por volta dos meus sete anos de idade, achava que era muito errado desenhar ou pintar, por nunca presenciar outras pessoas do meu convívio desenhando, pensava que era como ir ao banheiro, fazer sexo, se masturbar, ou algo parecido.
Meu irmão e meus primos corriam, brincavam, andavam a cavalo, etc.
Eu só queria ficar desenhando!
O lugar mais tranqüilo e protegido que encontrei foi sob a enorme mesa de jantar que havia na fazenda onde passei toda minha infância. No final de cada dia colava meus desenhos infantis sob a mesa para que ninguém descobrisse o meu "pecado".
No dia seguinte começava tudo novamente, desenho sobre desenho... Acho que surgiu aí meu vício de observar e analisar o que me rodeia e essa minha fixação pelo acúmulo!
Meus personagens eram sempre retratados com as extremidades enormes, pois era a visão de uma criança que avistava somente os pés e as mãos dos adultos quando passavam ou se sentavam à mesa.

Como foi sua formação artística?
Quando criança falava que queria ser pintor.
Minha vontade era ter feito Artes Plásticas, mas achei que iria morrer de fome, então fiz Desenho Industrial, pois havia o desenho e eu ainda poderia arrumar um emprego (raciocínio de adolescente)
Hoje sou um artista plástico com diploma de Desenhista Industrial, mas não me arrependo por ter feito, pois me ajudou muito na parte técnica.
Quando morava no Rio, trabalhei anos como designer e também como diretor de arte em agência de publicidade, depois, insatisfeito com o sistema resolvi jogar tudo pro alto e mesmo morrendo de medo pedi demissão e recomecei a pintar.
Em 1999, em São Paulo fiz minha primeira individual.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Muitos pintores e escultores do Barroco, do Rococó, do Renascimento me inspiram....os acúmulos do passado sempre me fascinaram, os museus e palácios plenamente ornamentados e ocupados...Os grandes mestres da pintura e seus exageros cenográficos, seus jogos de luzes e sombras envolvendo personagens em meio a sobreposições imponentes de roupas e posturas...
Em 2002, estava eu com uma individual em Paris, quando tive o primeiro contato com a obra de Matthew Barney.Seu mundo plástico e mitológico, seus vídeos impecáveis, suas fotos e seus objetos... tudo aquilo me tocou e me aguçou profundamente.Sua obra pode não ter uma ligação direta com a minha, mas de todos os contemporâneos é o que mais me inspira.
Adoro também brasileiros como, Adriana Varejão, Ernesto Neto, Tunga, Vik Muniz, Nelson Leirner entre tantos outros.

Como você descreve sua obra?
Minha obra é toda centrada em memórias afetivas e acúmulos.
Os meios e materiais que utilizo podem mudar a qualquer instante, o que importa mesmo é conseguir transbordar e expressar o meus desejos, é uma busca por materializar uma ideia, uma mistura de prazer e sofrimento que perturba, mas que também alivia.

É possível viver de arte?

Se não pudesse viver de arte, acho que não viveria.

Qual sua expectativa para sua individual na Galeria Lume?

Eu estava sentindo uma necessidade enorme de sair da minha zona de conforto, fazer algo diferente de tudo que havia feito e não poderia haver momento melhor para eu mudar de galeria.
Minhas exposições anteriores, fotografias, esculturas ou pinturas sempre foram com formatos bem lineares.
Para a minha primeira mostra na Galeria Lume, AVESSOS, misturei tudo, coloquei pinturas, fotografias e esculturas, tudo junto, como se fosse uma grande feijoada.
É uma série de obras que a princípio causa estranheza mas também nos remete a paixões e grandes amores.
O olhar de um menino sob a mesa de jantar de uma fazenda, observando o preparo das carnes penduradas que defumavam sobre o fogão à lenha, para o almoço de domingo. Uma mistura de sentimentos confusos, do amor desse menino, pelos animais que a pouco brincavam juntos; os sentimentos desses animais por seus donos; as pessoas preparando essas carnes com tanto amor para seus entes queridos; todos os tipo de sentimento, desejos, saudades, decepções, amores, paixões... entre as pessoas que estão bebendo e se alimentando sobre a mesa, além de todo questionamento sobre a carne animal em si.
Também é uma visão sobre a infância, uma época de cores e flores, onde não se pensa no futuro e sonhamos no presente. Um tempo onde nossos pés podem tocar o céu num balanço feito de pneu amarrado numa arvore com animais pastando ao redor.

Como você classifica suas obras fotográficas?
Eu venho da pintura, me especializei e pintei durante quase toda minha vida.
Não sou um fotógrafo, a fotografia é apenas um meio, ela não é concebida no momento do click, eu as construo como se pintasse um quadro.
Apesar de não me considerar um fotógrafo, já fiz várias exposições como tal mundo a fora, inclusive em 2008, em comemoração ao centenário da imigração japonesa, fui convidado pela "The Photographic Society of Japan" para ir a Tokio como um dos representante da nova Expressão Fotográfica Moderna do Brasil.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Coerência, e persistência.

Sabemos haver excelentes artistas em todo Brasil, mas existe arte fora do eixo Rio-São Paulo?
Com certeza existe, mas não dá pra negar que o grande mercado ainda se encontra entre o eixo Rio-São Paulo

O material produzido no Brasil para arte já pode ser considerado de boa qualidade?
Nossa arte com o tempo adquiriu características próprias e de ótima qualidade.

Quais são seus planos para o futuro?

Abertura da exposição AVESSOS, dia 28 de novembro na Galeria Lume.
Continuação da exposição INVASÕES aprovada pela lei Rouanet que começou esse ano em Milão.
Produção do livro ACÚMULOS também aprovado pela lei Rouanet.



Versailles. Ocupação, detalhe.


Umbilical.



Ter Asas e Não Voar.




Incabível.



Louvre. Ocupação, detalhe.


Depois da Chuva. Fotografia.



Diarista e Madmoseille. Pintura.

Cupido e Menino. Pintura.



Aracnídeo No 1.


Aracnídeo

A Galeria Lume abre a exposição Avessos, do artista plástico Lúcio Carvalho, com curadoria de Paulo Kassab Jr. A mostra é composta por 16 obras inéditas, entre fotos, esculturas, backlights e pinturas, e são uma representação de uma coleção de memórias do artista por meio de lembranças reconstruídas e saudades recriadas por sua imaginação e seus sentimentos.


Com recordações pessoais remontadas em suportes distintos, Lúcio elabora suas obras a partir de elementos representativos de uma determinada época de sua vida, tais quais o onipresente coração, o crânio, o esqueleto animal, o pneu, entre outros. Cada um deles tem um significado único para o artista – como o pneu, que era um de seus “brinquedos” favoritos. Os trabalhos que compõem Avessos se apresentam como uma fusão de elementos da memória do artista. A série inédita possui uma intensa carga de memória afetiva e relata suas vivências.


Quando criança, conviveu com seus pais, avós, irmãos e primos em uma fazenda chamada “Não Sei”. O artista reparava e desenhava tudo ao seu redor, sempre em clima de diversão e amor, dentro de uma família muito extensa. Entretanto, Lúcio sentia-se deslocado nesse meio. Enquanto as demais crianças brincavam no campo e andavam a cavalo, o artista escondia-se embaixo da mesa ou em outros lugares, reparando o dia a dia na fazenda: “A mesma árvore onde brincávamos balançando em pneus, eram pendurados os alimentos. (...) Porém, ponderando sobre isso, eu percebi que meu trabalho é muito mais sobre os sentimentos nos quais se envolvem as minhas lembranças, do que simplesmente objetos pendurados. O “Avesso” é minha vontade de ver o contrário do que tudo aquilo representa como figura”, comenta Lúcio.


Nas palavras de Paulo Kassab Jr., diretor cultural da Lume e curador da exposição: “A nostalgia está sempre muito presente nos trabalhos de Lúcio Carvalho. Nessa série, observamos que todas as obras são acúmulos de memórias. Histórias contadas em uma única escultura, pintura ou fotografia. As cristaleiras de sua avó, usadas para guardar objetos e presentes importantes, misturam-se com os pneus que eram um dos seus brinquedos favoritos, envoltos em uma nevoa criada pela queima da cana de açúcar.”




Exposição: Lúcio Carvalho - Avessos

Curadoria: Paulo Kassab Jr.

Coordenação: Felipe Hegg

Abertura: 28 de novembro de 2013, às 19h

Período: de 29 de novembro a 21 de dezembro de 2013.

Local: Galeria LUME – www.galerialume.com

Rua Joaquim Floriano, 711 – 2º andar – Itaim Bibi – São Paulo, SP

Tel.: (11) 3704.6268

Horário: Segunda a sexta, das 10h às 20h.

Número de obras: 16

Técnica: Fotografia, backlight, escultura, óleo sobre tela.


Lúcio Carvalho: Avessos, em exposição na Galeria Lume
A Galeria Lume abre a exposição Avessos, do artista plástico Lúcio Carvalho, com curadoria de Paulo Kassab Jr. A mostra é composta por 16 obras inéditas, entre fotos, esculturas, backlights e pinturas, e são uma representação de uma coleção de memórias do artista por meio de lembranças reconstruídas e saudades recriadas por sua imaginação e seus sentimentos.
Com recordações pessoais remontadas em suportes distintos, Lúcioelabora suas obras a partir de elementos representativos de uma determinada época de sua vida, tais quais o onipresente coração, o crânio, o esqueleto animal, o pneu, entre outros. Cada um deles tem um significado único para o artista – como o pneu, que era um de seus “brinquedos” favoritos. Os trabalhos que compõem Avessos se apresentam como uma fusão de elementos da memória do artista. A série inédita possui uma intensa carga de memória afetiva e relata suas vivências.
Quando criança, conviveu com seus pais, avós, irmãos e primos em uma fazenda chamada“Não Sei”. O artista reparava e desenhava tudo ao seu redor, sempre em clima de diversão e amor, dentro de uma família muito extensa. Entretanto, Lúcio sentia-se deslocado nesse meio. Enquanto as demais crianças brincavam no campo e andavam a cavalo, o artista escondia-se embaixo da mesa ou em outros lugares, reparando o dia a dia na fazenda: “A mesma árvore onde brincávamos balançando em pneus, eram pendurados os alimentos. (...) Porém, ponderando sobre isso, eu percebi que meu trabalho é muito mais sobre os sentimentos nos quais se envolvem as minhas lembranças, do que simplesmente objetos pendurados. O “Avesso” é minha vontade de ver o contrário do que tudo aquilo representa como figura”, comenta Lúcio.
Nas palavras de Paulo Kassab Jr., diretor cultural da Lume e curador da exposição: “A nostalgia está sempre muito presente nos trabalhos de Lúcio Carvalho. Nessa série, observamos que todas as obras são acúmulos de memórias. Histórias contadas em uma única escultura, pintura ou fotografia.As cristaleiras de sua avó, usadas para guardar objetos e presentes importantes, misturam-se com os pneus que eram um dos seus brinquedos favoritos, envoltos em uma nevoa criada pela queima da cana de açúcar.


Exposição Lúcio Carvalho - Avessos
Curadoria Paulo Kassab Jr.
Coordenação Felipe Hegg
Abertura 28 de novembro de 2013, às 19h
Período de 29 de novembro a 21 de dezembro de 2013.
Local Galeria LUME – www.galerialume.com
Rua Joaquim Floriano, 711 – 2º andar –Itaim Bibi – São Paulo, SP
Tel.: (11) 3704.6268
Horário Segunda a sexta, das 10h às 20h.
Número de obras 16
Técnica Fotografia, backlight, escultura, óleo sobre tela.
Dimensão 25 x 20cm até 160 x 126cm
Preço R$ 8.000,00 a R$ 25.000,00
Ass. Imprensa - Balady Comunicação – Silvia Balady/Zeca Florentino
Tel.: (11) 3814.3382 – contato@balady.com.br
Lúcio Carvalho (Cambuci/RJ, 1965)
Graduou-se em Design Industrial na Unicidade, no Rio de Janeiro. Já expôs seus trabalhos em diversas cidades do Brasil e também na Itália, EUA, França, Bélgica, Japão e Holanda. Venceu prêmios nacionais e também no exterior, sendo um deles o prêmio do cinquentenário do museu Guggenheim, em 2010: uma proposta para a ocupação de seu vazio. Lúcio foi vencedor com uma obra que exibe um amontoado de barracos bem no meio do museu nova-iorquino, obra que, aliás, originou série “Invasões”.
Galeria Lume
Fundada em 2011 com o objetivo de exibir os grandes nomes da fotografia brasileira, a Galeria LUME estabeleceu-se em pouco tempo como referência de vitalidade, conceito e transgressão. Dirigida por Felipe Hegg e Paulo Kassab Jr., a LUME apresenta um caminho alternativo para a leitura da contemporaneidade, através de um diálogo aberto, pautado pela pesquisa curatorial e pelo espírito da época. A galeria oferece um panorama dinâmico, apostando em diferentes plataformas, nas quais artistas brasileiros e estrangeiros realizam exposições ousadas, orientadas pelo desenvolvimento de trabalhos conceituais e pesquisas consolidadas.

---
Zeca - Balady Comunicação

Tel.: 11-3814.3382
Maiores informações:
www.luciocarvalho.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário