quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Marcio Fonseca entrevista Gabriel Centurion











Quem é Gabriel Centurion?
Nascido e criado em São Paulo na virada dos anos 70 para 80, numa época onde as crianças ainda brincavam na rua, voltavam a pé da escola e disputavam com a turma da outra rua.


Como a arte entrou em sua vida?
Cresci observando o nascimento e evolução da pichação na cidade, no caminho que minha mãe fazia para me levar (eu e mais um bando) para escola passávamos em frente a um casa toda pintada pelo Alex Vallauri e essa visão me marcou. Mais tarde, eu com 7 anos, na Bienal de 85 foi quando vi a“Rainha do Frango Assado”, obra desse mesmo artista, e internamente decidi que era isso que queria fazer na vida.



Como foi sua formação artística?
Minha formação foi crescer e observar o mundo, visitar exposições, criar cadernos de desenhos, fazer estampa de camiseta, desmontar e remontar recriando brinquedos.
Sempre gostei também de história em quadrinhos e ilustração, comecei fazendo cursos desse tipo. Também frequentei aulas de pinturas, mas aquelas bem acadêmicas, rígidas, onde se pintava a abóbora em cima do veludo vermelho. Eu dava de presente de natal para meus pais e eles adoravam.
Mais tarde fui estudar na Unicamp em Campinas, onde me formei em licenciatura e bacharelado. Esse período foi fundamental não só para minha formação como para minha vida, uma época de grandes transformações e troca com outras pessoas de outros cursos (não só de artes plasticas, dança e teatro, mas matemática, engenharia e etc…) . Eu não só estudava, mas eu vivia aquele momento, não tinha separação do estudo e de outros aspectos da vida, eu estava imerso naquele ambiente.
Atualmente participo do Ateliê Fidalga, um grupo de discussão que contribui muito para o meu pensamento.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Essa pergunta é difícil responder, afinal todos contribuem de uma forma ou outra não só artistas dentro do mundo das artes plásticas mas também da televisão, literature e etc. Uma influencia que permeia meu pensamento é o Jean Baudrillard com a idéia de simulacro e a substituição do real, outra influencia é o artista Takashi Murakami e o seu superflat, o achatamento entre o profundo e o razo, o erudito e o popular, David Lynch em como ele lida com a memória (a pessoal e a coletiva) na construção de seus filmes, Cildo Meireles e sua conexão entre questões poéticas e sociais. Mas como disse ler quadrinhos do Moebius e do Frank Miller quando eu era criança me influenciou, as tiras metafícias do Laerte também.



Como você descreve seu trabalho?
Eu acho que meus trabalhos "contam histórias", como se fosse uma alegoria. Tanto nas pinturas, nos vídeos e objetos.


O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Os salões são uma forma legítima de estimular o artista, o público e o governo. Eu acho fundamental ter continuidade, essa ao meu ver é a melhor forma de se aprimorar.



É possível viver de arte no Brasil?
Financeiramente falando!? É possível, acho. Depende do projeto de vida de cada um e como a pessoa administra o dinheiro. Eu trabalho com outras coisas, dou aula para o ensino fundamental em escola e trabalho com video comercialmente. É importante para mim essa renda dos outros trabalhos por que me permite ter liberdade para fazer o que e como eu desejo no campo da arte, sem demandas externas e no meu ritmo.



Vídeo é um meio mais complicado para comercializar, como o artista é remunerado?
Existem várias formas, desde a venda de uma tiragem de video como se faz com uma fotografia ou uma gravura, assinada e numerada até o artista receber um cache para participar de uma exposição ou ceder os direitos.


O financiamento público funciona para arte contemporânea?
Funciona e é fundamental para fomentar artista e publico. Os editais diretos do governo, o da Funarte, Petrobras, Caixa Cultural entre outros por exemplo tem uma importância grande na produção e viabilização de projetos de artistas atualmente. Em São Paulo, não sei como é em outras cidades, o SESC tem um grande papel também.



Aqui no Rio, você mostrou seu trabalho na Artur Fidalgo, há alguma diferença entre o público do Rio e São Paulo?
Acho que a diferença é a mesma do perfil de cada cidade, que são diferentes mas se completam. O Rio é mais solto e informal, São Paulo é mais formal. No Rio acho que as pessoas são de uma forma geral mais afetuosas, aqui somos mais fechados nesse aspecto, não entramos tanto no espaço do outro.


Quais são seus planos para o futuro?
A médio prazo tenho planos de fazer uma residência artística no exterior, gostaria de ter uma experiência internacional. Mas o plano para o futuro é o meu projeto de vida que é continuar produzindo, fazer arte para mim é caminho, como o "dô" japones. É um processo continuo.



Em Fim Sós, 2012 .Acrílica, spray e caneta de feltro sobre tela. 140 x 100 cm




O rei, 2012 Acrílica, spray e caneta de feltro sobre tela. 80 x 90 cm.




Quando eles arrombam sua porta da sala como você reage? 2013. Acrílica, spray e caneta de feltro sobre tela. 80 x 100 cm.

O rosto dela brilha ao me ver
, 2013. Acrílica, spray e caneta de feltro sobre tela. 80 x 100 cm

Retrato da mulher com turbante, 2013. Acrílica, spray, giz de cera e caneta de feltro sobre tela. 80 x 60 cm.




A ronda diurna, 2012. Acrílica e spray com caneta de feltro sobre madeira. 100 x 60 cm.





Se me veem dão ré, 2013. Acrílica e spray sobre tela 100 x 80 cm.





Eu quero tudo e eu quero agora, 2011. Acrílica, spray e caneta de feltro sobre madeira. 110 x 160 cm


Megafoda, 2011. acrílica, spray e caneta de feltro sobre compensado. 160 x 110 cm.

Turma do parquinho, 2011. Acrílica, spray e caneta de feltro sobre compensado. 80 x 110 cm

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