quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Marcio Fonseca entrevista Daniel Tucci






Quem é Daniel Tucci?
Nascido no rio de janeiro, em junho de 1973, filho de Ana e David.

Como a arte entrou em sua vida?
Desde cedo, mostrei interesse pela arte, sempre desenhando desde muito pequeno. E ao longo da vida, me tornando tatuador e largando a arquitetura, acabei tendo como profissão algo que sempre me manteve e mantém em contato com formas diferentes de expressões artísticas. E com o passar dos anos, fui enveredando por outros caminhos, como ilustração, pintura e design.


Como foi sua formação artística?


i durante muito tempo autodidata, quando novo, e depois fiz alguns cursos, basicamente de desenho e pintura. Alguns anos depois fiz o curso de teoria da cor, no Parque Lage, com José Maria Dias da Cruz. Anos mais tarde cursei O Processo Criativo, com Charles Watson, e também no Parque Lage, o curso de Desenvolvimente de Projetos em arte contemporânea, ministrado por Franz Manata, e foi onde, realmente, entrei na arte contemporânea.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Penso que tudo que vemos influencia nosso pensamento, de uma forma ou de outra, e a maneira que pensamos é formada pela soma dessas influências. Então posso afirmar que me influencio, desde os autorretratos de Chuck Close, aos de Van Gogh, mesmo que de maneiras distintas, mas todos com sua importância


Como você descreve seu trabalho?
A ideia desse trabalho parte da discussão sobre nossa identidade e a formação dela, de como nós, indivíduos, nos diferenciamos dos outros pelas influências e referências que absorvemos ao longo da vida e de como todos esses pequenos pedaços, que quando vistos sozinhos, não representam nada, quando agrupados de uma certa maneira, formam quem somos. Me utilizo, por exemplo, dos lenços usados para limpar o excesso de tinta e o sangue nas tatuagens que faço, durante sua execução, que somados de várias pessoas que se tatuaram comigo, e separados e organizados por tons, os recorto em tiras e faço uma trama que mostra meu rosto, num tamanho de 2 metros por 1,5 metro que mantém a proporção de uma foto 3x4, a mesma utilizada em carteiras de identidade, simbolizando o que sou: a soma de influências, inclusive dessas pessoas.


Tatuador é artista?
Não. Artista é artista. A meu ver, a tatuagem nada mais é do que mais uma técnica que também pode ser aplicada nas artes plásticas. Temos o papel, a tela e a pele, e o carvão, o pincel e as agulhas. Vejo todas somente como ferramentas, e todas diferentes entre si somente na maneira em que são utilizadas, no entendimento da técnica necessária na sua utilização. O que realmente importa é o que vai sair disso, o que vai resultar desse uso.


Você participa de uma exposição na Artur Fidalgo, o que representa na sua carreira?
Sgnifica um grande começo, uma grande chance de já estar em uma galeria respeitada, e a certeza de que esse reconhecimento mostra que eu posso estar no caminho certo.


É possível viver de arte no Brasil?
Sim, é possível viver de arte no Brasil, talvez não todo o tempo da maneira que desejamos, e com certeza de uma maneira mais difícil do que em outros lugares e mais fácil do que em tantos outros.

Como você estuda e se atualiza?
Eu faço um acompanhamento pessoal com o Franz Manata, que me orienta em meu trabalho diretamente e a quem eu devo todo esse começo. além disso, penso que todas as influências/experiências nos acrescentam algo. Seja no campo artí­stico ou não. Nossa vivência é o que nos torna quem somos, e no meu trabalho de arte contemporânea, trago, também, influências das tatuagens que faço, mas além disso, todas as referências adquiridas ao longo da vida, sejam em pesquisas, exposições, filmes, músicas ou quaisquer outras expressões.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Estudar, trabalhar, buscar orientação profissional e obviamente ter uma produção constante, de qualidade, que pode atrair o interesse de galerias.


Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos são continuar meu trabalho de arte, fazer mais exposições e me consolidar e ser respeitado como artista de arte contemporânea.




Instalação, 2013. Armazém, Galeria Artur Fidalgo.





Autorretrato, 2013. Silk screem sobre lenços para limpar tatuage. 35x35 cm.

Autorretrato, 2013. Trama de lenços para limpar tatuagem. 210x160 cm.


Autorretrato, 2013. Impresão em azulejo, 15x15 cm.


Autorretrato, 2013. Silk-screem sobre lenços para limpar tatuagem. 35x5cm.


Autorretrato, 2013. Silk-creem sobre lenços para limpar tatuagem 35x35 cm.

Com os agradecimento a Artur Fidalgo Galeria.

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