terça-feira, 27 de agosto de 2013

Marcio Fonseca entrevista Andrey Zignnatto

Andrey participa do 45o Salão de Arte de Piracicaba tendo recebido o prêmio especial do Salão.


Quem é Andrey Zignnatto.
Sou natural de Jundiaí-SP, onde vivo até hoje. Trabalho em ateliê na Vila Madalena-SP capital. Tenho 32 anos, casado com uma mulher e bailarina maravilhosa com quem tenho um filho, maior prêmio da minha vida.

Como a Arte entrou em sua vida?
Ainda criança já tinha certeza de que queria trabalhar com Artes Visuais. Com 6 anos ganhei meu 1o. premio, além de outros em idade escolar.

Como foi sua formação artística?
Com 15 anos comecei a participar de oficinas e cursos da Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí. Com 19 anos participei de meu primeiro Salão de Artes, comecei a lecionar em cursos de artes visuais pela mesma instituição. Hoje, participo do grupo de discussões de projetos no Ateliê Hermes, com orientação de Nino Cais e Marcelo Amorim. Também participei do "Colônia de Férias #4" do ateliê 397 em SP capital.

Como você descreve sua obra?
Sendo artista autodidata, permito que tanto a escolha dos materiais, quanto o sistema do processo de produção sejam definidos segundo a demanda específica de cada ideia. No caso específico da série "Under Construction", retornei a uma empresa de tijolos que frequentava em idade pré-adolescente, quanto na época trabalhava de servente de pedreiro de meu avô. No desenvolvimento das ideias desta série, parti da observação do desenho e da matéria do "tijolo baiano, explorando seu design, a versatilidade do material e dos equipamentos que fazer parte do processo de fabricação, e situações durante meu período de permanência na fábrica. Para a produção das obras, manipulei os equipamentos da fábrica (prensas, guilhotinas, fornos, etc). Assim, muitas ideias também surgiram de forma espontânea através do contato direto com o processo de produção.

Você foi premiado pelo 45o Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, qual o significado para sua carreira?
Um prêmio oriundo de um evento tão tradicional e já estabelecido no circuito nacional das artes visuais claramente vai acrescentar muito em meu histórico profissional, e, acredito, que a experiência de estar em contato com artistas de outras regiões enriquecerá minha visão pessoal sobre este segmento.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Nelson Leiner, Wesley Duke Lee, Hélio Oiticica, Mira Schendel, Edith Derdyk, Joseph Beuyes (Alemanha), Gordon Matta Clark (EUA) dentre muitos outros... não sei se influenciam meu pensamento, mas são alguns que admiro muito. Mesmo assim, o que mais influencia meu pensamento parte de reflexões sobre minhas próprias experiências pessoais.

Como você estuda e se atualiza?
Procuro manter contato constante com outros segmentos artísticos, principalmente dança contemporânea, teatro e literatura. Participo de programas de acompanhamento de projetos, realizo muitas experiências com diversos tipos de materiais, e vou constantemente a exposições de outros artistas.

Você mora em Jundiaí, como é o mercado de arte em sua cidade?
Bom...mercado praticamente não existe. Agora, o cenário cultural vem melhorando através dos esforços dos próprios artistas.

O que é ser um pintor no século XXI?
Isso vou ficar devendo, pois não sou pintor (rsrsrsss)!!! Mas, a arte contemporânea permite ao artista uma liberdade tão grande no que se trata da escolha de métodos e materiais de produção, quanto a formação de uma poética pessoal. Mas, em contraposição, a responsabilidade é muito grande quanto a verdade do que o artista trata em sua obra.

É possível viver de Arte no Brasil?
Só da produção e vendas de obras ainda é muito difícil; para poucos; mas, eu consigo viver de meu trabalho com arte já a bom tempo, entre vendas de obras, cursos, curadoria e gestão de projetos culturais.

Qual a sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Acredito que os salões ainda seja um dos únicos mecanismos para a sociedade de uma região ter contato com obras de artistas de outras localidades; para artistas tornarem seu trabalho conhecido do público em geral e dos profissionais do segmento; como também um bom instrumento de intercâmbio cultural. O problema não está ter ou não ter salões, mas na escassez de programas que fomentem a "formação de público" para as artes visuais, como também a aproximação do público com o evento, como visitas guiadas para grupos fechados, ações continuadas em escolas de ensino fundamental e médio, dentre outras
.
O material para pintura fabricado no Brasil já tem a qualidade desejada?
Dos materiais tradicionais ainda falta muito...gasto muito com materiais importados que proporcionam aos trabalhos qualidade técnica e resistência a ação do tempo.

Quais são seus planos futuros?
Por um bom tempo, pretendo investir muito na produção de novas ideias, realizar pelo menos 2 residências artísticas em outros países, e, me estabelecer no cenário nacional das artes visuais



Tensão Estrutural # 1, 2012. Escultura lajota cerâmica, prumo de pedreiro e barbante 55x28x160 cm (lajota), 7x5 cm (prumo), barbante dimensões variáveis.
Detalhe: Escultura de lajota produzida pelo artista em indústria de tijolos, através de processo semi-artesenal.



Vista Exposição Individual. Galeria Fernanda Milani. Teatro Municipal, Jundiaí. Edital Ocupação, 2013.



Relógio Solar: 9h, 11h, 13h, 15h, 17h, 2012. Aguada de argila, látex carbono, spray e recorte sobre papel 42x30 cm. cada desenho (poliptico 5 desenhos).
Em todo período durante minha permanência na fábrica de tijolos, me chamou atenção o fato dos operários marcarem as horas através dos fachos de luz no chão, que eram formados pelas frestas entre milhares de tijolos empilhados. Com base nessa observação foi desenvolvida a obra intitulada Relógio de Sol.

Detalhe 15h e 17h.


Vista Exposição Individual, 2013. Museu de Arte de Goiânia. Edital Ocupação 2013.



Desenho Estrutural #1, 2012, Estrutura de tijolo bahiano de cerâmica e pintura spray. 13x28x45 cm.

Desenho Estrutural #1, 2012, Estrutura de tijolo bahiano de cerâmica e pintura spray. 13x28x45 cm.


Desenho Estrutural #2, 2012, Estrutura de tijolo bahiano de cerâmica e pintura spray. 30x28x36 cm.


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