quinta-feira, 25 de julho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Paloma Perez



Quem é Paloma Perez?
Nasci em São Paulo, morei em Fortaleza, Petrópolis, Rio de Janeiro e etc. Tinha 7 anos quando fiz minha primeira exposição em Petrópolis, na prefeitura. Era um concurso de arte entre as escolas, fui escolhida. Minha mãe trabalhava com moda e meu avô com tecidos. Cresci rodeada pelo mato. Adorava as hortas, os bichos, os livros e construir meus brinquedos. Sonhava em ser bailarina. Com 12 anos fui diagnosticada com uma séria escoliose e fui operada. Passei um ano engessada e minha coluna ganhou uma haste. Neste período de volta a São Paulo, estudava e fazia aulas de pintura. Comecei a trabalhar muito nova, com 15 anos. Foi uma opção. Claro que com moda, era o universo presente e nem imaginava que poderia ser uma artista plástica ou viver de arte. Trabalhei por mais 15 anos com criação, me especializei em pesquisa, tendências e comportamento. No que considero meu último período em moda, trabalhei por 5 anos no Extremo Oriente, China, Coréia e Japão. Tive em meus "tempos livres" a oportunidade de mergulhar em museus, galerias, me alimentar de arte e conhecer outras culturas. A pintura e a fotografia sempre estiveram presentes como suporte para meu trabalho. Sou mãe do Pedro.

Quando você começou a se interessar pela arte?
Desde sempre a arte fez parte. Mas somente em 2003,  é que decidi me dedicar inteiramente. Na pintura encontrei minha raiz. 

Qual foi sua formação artística?
Não tenho uma formação formal, fiz diversos cursos e participei de ateliês. Fui me moldando em torno de muitas influências.

Que artista influenciaram seu pensamento?
Frida Kahlo, Rembrandt, Goya, Velásquez, Rubens, Egon Schiele, Klimt, Dalí, Freud

Como você descreve seu trabalho? 
Gosto da ideia de criar mundos. Acho que durante minha vida, vivi em tantos lugares diferentes que encontro nessa narrativa alguma segurança, mesmo que imaginária. A memória afetiva é tema constante, assim como as questões de beleza e dor, as ausências e os confortos. Geralmente o ponto de partida é um livro que se desdobra em pesquisa, onde vou recortando, recolhendo e alinhavando estes mundos.

O que é ser uma pintora no século XXI?
É um oficio como qualquer outro. Onde precisamos estudar, nos dedicar e crescer. O processo de criação é dolorido. Quando tudo é possível fica mais complicado.

É possível viver só de arte no Brasil?
Sim é, em alguns momentos melhor do que em outros. Tenho trabalhado sob encomendas.

O que você estuda? Como você se atualiza?
Lendo, sentindo e observando. Uso a internet para minhas pesquisas. Procuro viajar e fotografar, é quando consigo me esvaziar da pintura e retomar meu olhar. O cinema e a música cumprem papéis importantes. Procuro com um olhar atento algo que me apaixone. É uma necessidade e ai mergulho fundo. 

O material nacional para pintura já é de boa qualidade?
Não acho, tenho grande resistência em usar tintas nacionais.

Qual sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Não tenho muita experiência com salões. Este ano estou tentado participar de alguns editais.

O que é necessário para se tornar um ícone em artes plásticas?
Não tenho idéia.

Quais são seus planos para o futuro próximo e distante? 
Prefiro não pensar no futuro, acredito que as coisas aconteçam naturalmente. Busco encontrar minha linguagem e produzir. Claro, gostaria de ter uma galeria que me representasse.


Cozinha Confidencial, 2011. Acrílica sobre tela. 180x110 cm.

Preciso Me Encontrar, 2012 - Paloma Perez - Óleo s/tela, 2,00 x 0,80cm
O Deus da plantas pequenas, 2013. Óleo sobre tela, 200 x 150 cm.
O Que Me Rodeia, 2013. Óleo sobre tela 200x100 cm.
 Sem título, 2011. Acrílica, posca e resina sobre tela, 150 x 100 cm


Doll House, 2013. Óleo sobre tela. 200x100 cm.




Texto


Siegbert Franklin, novembro 2009.

Constrói a arte, o artista ? Ou é a arte que constrói o artista?

O percurso de Paloma Perez é absolutamente transparente para quem observa seu trabalho pela primeira vez.

Arte, moda, designer…

Se buscarmos mais profundamente teremos até mesmo uma carga genética de grande peso na base de sua expressão , filha e neta de estilista tem a intensidade criativa e organização estética dos grandes estilistas, o olho do fotógrafo e do artista gráfico capaz de desconstruir e reconstruir coisas que para a maioria de nós espectadores parece fácil demais e ao mesmo tempo de uma simplicidade que é extremamente difícil de se conseguir, com maestria.

Ví desenhos, objetos, fotografias, pinturas, instalações, tudo com a mesma marca de sensibilidade e técnica invejável, técnica na qual a limpeza e a disciplina são marca registrada, mas não algo de difícil acesso ou de intocável pureza, mas que traduzem um espírito forte e coerente com valores internos e estéticos absolutamente pessoais e verdadeiros nas questões que tentam tocar e nos acertar em cheio com o pensamento do artista, com sua maneira de ver o mundo e os sentimentos, suas dúvidas e suas ilhas de tranqüilidade.

É difícil falar sobre alguém que a gente conhece e gosta como amigo, mas neste caso, me sinto absolutamente livre, já que dentre os qualificativos de Paloma como artista e mulher, simplesmente é absolutamente clara a inter-atividade entre estas duas coisas, Paloma é resultado de seu próprio trabalho, e o trabalho de Paloma é ela própria, não da para separar as duas coisas. É muito difícil ter a medida certa do acerto entre a beleza e o conteúdo, as verdades e poéticas de um criador e sua vida pessoal, e a sabedoria de se saber apenas um experimento perante o sol.

Paloma tem isso sem vaidades nem imposições, apenas a tranquilidade de saber por que faz e o que é.


 aloma Perez 

São Paulo, SP, Brasil, 1971.
Vive e trabalha em São Paulo, SP.


Obras em acervo público:
Colección de Pintura Latinoamericana, Dirección de Patrimonio Cultural de La Oficina del Historiador de La Ciudad de La Habana - UNESCO, CU
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, BR
Camara Municipal de Lisboa, Lisboa, PT
Centro da Cultura Judaica, São Paulo, BR 

Exposições Coletivas 
2013
Edición Número Cero: La Habana I, Casa de Mexico, La Habana, Cuba
2011
Urban Arts Galeria, São Paulo, SP
Moma Glass, Monte Verde, MG
2010
Artefacto, D&D, São Paulo
2009
"Wasser/Water/Agua" Ponte Cultura - Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza - Brasil
Geis Group International - Forchheim, Germany
2008
"Wasser/Water/Agua" Ponte Cultura - Nürnberg, Germany
Chapel Art Show 2008 - Sao Paulo SP
Artexpo Las Vegas - Las Vegas   USA
Ward Nasse Gallery - Colors of Brazil - New York, USA
Artexpo NY - Jacob Javits Convention Center - New York, USA
2007
Coexistência Brasil – Museu Afro Brasil - São Paulo, Brasil
Coexistência Passeando pelo Brasil - Centro da Cultura Judaica, São Paulo, Brasil
2006
Chapel Art Show - São Paulo, Brasil
Poesia Visual – Centro Cultural de Arronches, Portugal
Momentos – Câmara Municipal de Alenquer,  Portugal
Instantes do Infinito – Centro Cultural de Macao, Portugal
Sentidos – Centro Cultural de Lisboa - Lisboa, Portugal
Sem Fronteiras – Casa da Guia - Cascais – Lisboa, Portugal
2005
Integração Sotto Mayor – Lisboa, Portugal
Chapel Art Show – São Paulo, SP
451 anos São Paulo – Assembléia Legislativa de São Paulo, SP
Centro Cultural da Marinha – São Paulo, SP

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