quarta-feira, 3 de julho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Iris Helena





Quem é Iris Helena?
Eu nasci no ano de 1987, em João Pessoa, Paraíba, minha mãe é professora e meu pai é aposentado do Banco do Brasil. Apesar de ter nascido na capital, devido o trabalho de meu pai, fomos morar no sertão da Paraíba, numa cidade chamada Uiraúna, que fica a 500 km do litoral. A infância em cidade pequena é sempre boa, cresci brincando na rua, a cidade inteira era o meu quintal. Tenho duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo que eu, então sempre estive bem acompanhada. Como a minha cidade era muito pequena, tive que estudar na cidade vizinha chamada Cajazeiras. Fiz boa parte do ensino fundamental num colégio de Freiras e fiz segundo grau já em João Pessoa, quando meu pai se aposentou e voltamos todos para lá.
Em 2006, aos 18 anos, mesmo sem o intuito primeiro de lecionar, iniciei o curso de Licenciatura em Artes Visuais na Universidade Federal da Paraíba, não havia bacharelado.

Quando você começou a se interessar pela arte?
Sempre fui uma criança muito curiosa, desmontava coisas e tentava montar novamente. Sempre gostei de entender o funcionamento e o interior dos objetos. Eu era muito atenta aos detalhes. Mas meus primeiros contatos com arte, de fato, veio de meu pai, ele sempre se mostrou interessado no assunto. Cursou arquitetura, fazia entalhes em madeira e desenhava incrivelmente bem, então eu cresci rodeada das suas influencias culturais. Mesmo quando nós morávamos no interior e o acesso a informação era complicado, ele fazia o possível para que tivéssemos acesso a enciclopédias, musica, arte, filmes, tecnologias, internet. Quando criança, eu desenhava bastante, juntamente com a minha irmã mais velha. Fazia quadrinhos e caricaturas dos amigos do colégio, dos quadrinhos passei a pintar e parei quando ganhei a minha primeira câmera fotográfica digital.


Qual foi sua formação artística?
Em 2010, me graduei em Licenciatura em Artes Visuais na Universidade Federal da Paraíba e agora, em 2013, ingressei no mestrado em Poéticas Contemporâneas na Universidade de Brasília. Entre a graduação e o mestrado procurei fazer cursos de curta duração na área de artes visuais, além de ter participado de residências artísticas e de experiências com ensino de arte, o que considero muito como componentes da formação do artista.


Que artista influenciaram seu pensamento?
Minha primeira e grande influência na arte contemporânea foi da minha professora, na época da faculdade, a artista de Brasília Marta Penner. Ela tem um trabalho lindo com fotografia e faz parte de um grupo de intervenções urbana chamado Entorno. Além dela me interessa muitíssimo o trabalho da Rosangela Rennó e da Karina Dias. São muitos os artistas que me influenciam o pensamento, direta ou indiretamente, às vezes não se trata do conjunto da obra, mas de um trabalho especifico. Enfim, tenho lido muitos textos de artistas e poetas falando do próprio processo posso dizer que a escolha dessas leituras gera uma influencia. Pontuo a Lygia Clark, Robert Smithson, Richard Serra, Francys Alys, entre outros.


Como você descreve seu trabalho?
Meu objeto atual de pesquisa é a cidade, então, em meu trabalho procuro fazer uma investigação poética dessa paisagem urbana – o processo de criação é indissociável da vida, e se dá na utilização do produto das experiências visuais que tenho nesses espaços, no cotidiano. Todos os trabalhos que desenvolvi até agora possuem essa ligação, eles falam de aspectos da cidade, sejam dos lugares de passagem, das transformações, do lugar comum, das ruínas urbanas, dos monumentos, etc. Estes aspectos estão diante dos nossos olhos, diariamente, independente de onde estejamos no Brasil.
Até então, tenho usado como principal linguagem de trabalho a fotografia digital. Procuro materializar o produto dos registros da cidade, as imagens em questão, sobre suportes do meu consumo, objetos de uso cotidiano, como: notas coloridas (post-its), marcadores plásticos, papel higiênico, blisters metálicos de remédios, bulas, mapas, canhotos, notas fiscais, enfim, superfícies que agreguem valor as minhas imagens imagem e lhe potencializem o sentido poético/filosófico e estético.


O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria? É possível viver só de arte no Brasil?
Eu não tenho representação de galeria, mas acho que não existe uma receita especifica para conseguir ser representado por uma, cada caso é um caso. Cada vez mais, vemos jovens artistas independentes que escrevem sobre o próprio trabalho, fazem curadorias, escrevem projetos de captação de recurso, empresariam a própria carreira artística e, conseguem ser tão articulados quanto as Galeria.
Escolher viver de arte é correr riscos, pois ser artista no Brasil, nunca foi fácil em nenhum momento da historia. É tudo muito instável, mas é o meu trabalho, o que eu gosto e escolhi fazer. O que joga a nosso favor é que hoje temos mais acesso a informação e podemos fazer os trabalhos circularem, fazer contatos com artistas, curadores e produtores de outras partes do mundo. Isso facilita bastante.

O que você estuda? Como você se atualiza?
Ingressei agora no mestrado, na linha de Poéticas Contemporâneas, com o intuito de pensar os trabalhos que já realizei e alimentar processos vindouros. Agora morando em Brasília, tenho mais acesso cursos de curta duração, seminários, etc. E procuro sempre assistir a fala de artistas contemporâneos a mim. Neste momento tenho lido algumas obras de filosofia e poesia que tem me ajudado bastante a repensar o processo, os meus trabalhos, como “Teoria da Viagem” do Michel Onfrey.


Qual é a importância da seleção para os Novíssimos do IBEU?
É sempre bom para o artista ser contemplado em editais e salões, são degraus importantes para a carreira. Estar na seleção do IBEU, é igualmente maravilhoso. São oportunidades de apresentar o trabalho em outros lugares, no caso de um trabalho novo, terei a oportunidade de experimenta-lo num espaço expositivo, de pensa-lo melhor, de conhecer artistas e trocar experiências. Isso para mim é o que de melhor acontece.


O que é necessário para se tornar um ícone em artes plásticas?
Essa é uma pergunta difícil de responder e de conseguir realizar ainda que não seja impossível. Acredito que para ser ícone, nas artes ou em qualquer outra profissão, é preciso ter o “combo” trabalho+ estudo+dedicação+disciplina aliado a uma boa articulação com os seus pares do meio artístico e, claro, aprender a ter muito jogo de cintura. rs


Quais são seus planos para o futuro próximo e distante?
Não vou ser ingênua e falar que não quero ser ícone das artes visuais brasileiras, quero sim! Mas cada coisa vem no seu tempo devido. E este é um momento de prosseguir estudando e produzido, participando de exposições e nacionais internacionais, assim como de residências artísticas. A experiência adquirida nesse processo tão importante de formação resulta em trabalhos mais consistentes e traça a medida do passo que será dado. Os objetivos são inúmeros e às Bienais certamente estão incluídas neles.


Notas de Esquecimento V, 2009.


Arruina, 2009



Espólios, 2012








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