terça-feira, 16 de julho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Carina Bokel




 Quem é Carina Bokel?
Sou paulista, estudei na Escola Antroposofica Rudolf Steiner, fui modelo nos anos 80 e 90 fiz design de objetos e moveis e atualmente Arte.

Quando você começou a se interessar pela Arte?
Não me interessei assim de cara conscientemente, mas percebi, ao longo de minha vida e no que andei fazendo que o fio condutor sempre foi a Arte, então resolvi assumir isto, estou limpando cada vez mais em mim o que atrapalha neste processo.

 Qual sua formação artística?
Não tenho formação Acadêmica Artística formal. Fiz alguns cursos avulsos e infância e adolescencia estudei na Escola Antroposofica que é totalmente ligada a Arte.

Que artistas influenciaram seu pensamento?
Uma pergunta muito ampla para mim nem mensurar posso...complexo; em Artes Plasticas acho que fico perto dos artistas que lidam com a matéria em si e o imaterial, lidam com questões existenciais e com a ciência, e gosto de dimensões além do normal. Fico realmente de olho no que faz Anish Kapoor, por exemplo, gosto muito! O que sempre me influenciou também, são as relações amorosas e familiares e nesta linha os Artistas digamos românticos, Shakespeare, John Lennon, Chopin e tantos outros.

 Como você descreve seu trabalho?
Talvez como a tentativa de me materializar cristalizando no momento do meu sentimento, pensamento, dificuldade, dor, prazer, amor.
O descrevo como construção frágil, lenta e processual, consciente e inconsciente. Vital para mim.

 O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Ter um trabalho, se articular, ser acessado por curadores, colecionadores e formadores de opinião!

 É possível viver de Arte no Brasil?
Para poucos sim!
De tempos para cá, acontece um Boom dos Artistas e a Arte no Brasil, feiras e etc, isto é muito bom! Mas por outro lado, acho que a cultura no pais e a falta de incentivo ainda está na mesma, patinando na questão de sempre, como naquela máxima de Tom Jobim " Sucesso é ofensa pessoal no Brasil,- ter talento ofende no Brasil. Há uma desaprovação embutida por falta de oportunidade e informação, escatológica, como um destino marcado, patológica e primitiva atrapalhando o processo artístico como um todo. Mas acredito que há coisas e forças mais importantes que transcendem aos controles e previsões de maquinas arcaicas; a incrível e imprevisível pororoca catártica que aconteceu nas manifestações no Brasil a pouco de um mês, mostram estamos na direção de uma mudança, já não era sem tempo!

 O que você estuda? Como se atualiza?
Trabalho o dia a dia do Atelier e ainda acho pouco, sou de me enfronhar para dentro deste universo intimo. Leio, ouço, observo, garimpo, e enfim, vivo.

 Qual sua experiência com o atelier na antiga Fabrica da Bhering?
Acho que existem dois momentos Bhering e estou aguardando o terceiro.
No principio era o caos ( igual no Gênesis), um inicio de um grupo que não era grupo e com altos e baixos, estávamos tateando a possibilidade de trabalhar em paz nos ateliers e se conhecer numa fabrica bonita e interessante caindo aos pedaços; acontece que passamos por muitos problemas, os donos com problemas na justiça e um Leilão inesperado com quase um despejo, a Prefeitura com seu interesse intervendo, problemas de infra- estrutura geral. Decidimos e tivemos que nos proteger formando uma Associação com uma estrutura de Diretores e Conselhos da qual sou Conselheira Artística Estatuto e tal! Esta formação está lá, tem qualidades, mas ela tem um caráter diferente do que éramos ou podíamos ser, quer comandar, ser uma força inibidora( super-ego), lidando com politica e com pouca transparência. Isto nos coroe enquanto Artistas e grupo, nos tira a vontade de grupo, nos desconecta. Queria que chegasse o terceiro momento Bhering, ajudado por esta força das ruas, com visões e posturas mais atuais e menos centralizadas, acho que voltaria a ter mais equilíbrio, um lugar mais para a Arte e convívio e com menos politica.

 Qual a sua opinião sobre os Salões de Arte? Alguma sugestão para aprimora-los?
Não tenho muita experiência com os Salões de Arte.

O que é necessário para se tornar um ícone em Artes Plásticas?
Acho que é necessário ter muito talento e saber mexer com questões que incitam curiosidade, que mexa com o inconsciente coletivo, que mexa com os sentimentos, com os desejos, com o prazer, com o belo, que traga o frescor e a surpresa do novo. Ou também nada disto que falei.

Quais são seus planos para o futuro próximo e distante?
Caminhar com meus processos artísticos e fazer exposições.


Fotos Ernani d'Almeida Exposição Colmeia.


 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
Escultura ArtRio, 2012 Foto Beatriz Carneiro.

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