quarta-feira, 12 de junho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Maco Antonio Portela







Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em Cascadura, 31 de maio de 1965, filho de um marítimo (radio telegrafista) e uma do lar. Vivo e trabalho na mesma cidade onde nasci, mas no bairro de Laranjeiras, estudei no CEFET-RJ, graduei-me em História e Mestrado em Arte pela Universidade Federal Fluminense.

Como foi sua formação artística?
Estudei em vários cursos livres, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Ateliê da Imagem (na época se chamava Foto in Cena), passei pelos ateliês de alguns artistas e fui orientado por João Wesley, Marcos Bonisson, dentre outros. No campo da teoria da arte acabei por optar pelo stricto senso, Mestrado na Universidade Federal Fluminense.


Que artistas influenciam seu pensamento?
A forma séria e bem estudada que Marcos Chaves faz do humor como elemento essencial para uma crítica mais contundente de nossa realidade humana, é um ponto crucial e divisor de águas na minha carreira. O rigor e eficiência aliado a uma poética de levantar poros do grande Cildo Meirelles. Sei que estou cometendo injustiças, mas nesse momento são esses dois nomes que me vêm a tona.


Como você descreve sua obra?
Um trabalho que não se preocupa com o suporte, nem com o meio, que uso enormemente muito do que já existe realizado no mundo, quase um reciclador de arte contemporânea. Tento aliar poética, humor e plastic, porque ainda acredito que agradar o olho, mesmo não seja obrigatório, ainda é delicioso.


Quando você é fotógrafo e quando é artista?
Nunca ví essa diferença na minha vida como produtor de imagens. Como falei o suporte não me é caro, vim da fotografia porque tenho medo do pincel, tinha que começar de alguma forma, mas nunca pensei que era fotógrafo, sempre me considerei artista.

O que você você pode contar de sua experiência sobre sua atuação com professor de fotografia?
Gratificante, energizante, deliciosa, uma via de mão dupla onde tento ensinar o domínio e depois a descontrução da fotografia, e eles me alimentam de idéias, sem medos e sem amarras…e ainda recebo dinheiro por isso. Muito bom.


Que exposição sua, você considera a mais importante?
Modéstia a parte já tive nessa minha curta carreira vários momentos inesquecíveis, mas poderia pontuar a exposição Sangue Novo de curadoria do Wilson Lazaro no Museu do Bispo do Rosário em Jacarepaguá, onde estive lado a lado com artistas contemporaneos e artistas contemporaneos isolados em centros psiquiátricos, e pude expor ao lado de um video maravilhoso da Ana Mendieta.
Outra mostra que vale assinalar é o piscinão, de curadoria e concepção minhas, na Galeria Murilo Castro em BH. Nela eu levei mais de 40 artistas em um ônibus fretado pela galeria do Rio a BH com as obras todas no bagageiro e a montagem acontecendo como uma invasão de artistas cariocas, na hora da abertura do mostra. Uma ação livre, caótica mas orgânica e com bastante diálogo.


Como você descreve sua atividade como curador? Que conselho daria a um jovem artista?
Sou um curador independente, mais um artista usando a curadoria como possibilidade de construir poéticas. Gosto de unir nomes já na Estrada com nomes bem frescos e jovens. Acredito que isso dê maior vivacidade a mostra. Um artista iniciante precisa, além de produzir, circular muito, tentar unir forças com outros na mesma condição, buscar formas mais livres dos grilhões do senhores das artes, as ruas, os muros, os apartamentos…sejam criativos e organizados. Mas sem esquecer de produzir.


Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Viver. Quanto mais velho, mais decepções mais sofrimento, mais lutas e frentes de batalhas; isso nos mostra nossa insignificância frente a tantos interesses que acaba por nos libertar totalmente para buscar um trabalho mais contundente e denso, porque o fracasso já está garantido, se vier algo além dele…oba!

É possível viver de arte no Brasil?
Só da produção de objetos estéticos, muito difícil, são poucos, mas pode-se viver de coisas correlatas. Acredito que uma das funções do artistas seja educar, passar saberes, então dar aulas pode ser um excelente complemento de grana mensal. Ficar de olho nos editais e insistir muito também ajuda.


Qual a sua opinião sobre o financiamento para produção de arte no Brasil?
Pífia e viciada.

Você tem um trabalho com comunidade carente, poderia contar a experiência?
Dirigi por 3 anos a Galeria Meninos de Luz no Pavão / Pavãozinho. Nunca pensei em estar trabalhando para carentes, sempre encarei só como trabalho e procurei dar o melhor de mim. Se você aceita dedicar parte do seu tempo diário, semanal, mensal, o que for, para uma atividade com pessoas carentes financeiramente, você deve somente encarar como trabalho, se gosta do que faz, faça bem feito, se não gosta, peça para sair. Simples, nossa experiência foi que todas as exposições que montamos lá podiam estar em qualquer espaço da arte dessa ou de qualquer outra cidade desse nosso país. Seriedade e dedicação, esqueça esse papo de carente e só trabalhe.
O que é o Museu de Arte Postal?
É um projeto meu de lançar 4 postais por edição, de 4 artistas diferentes, ter um site (www.museudeartepostal.com.br) e fazer circular essas obras em postais pela mão das pessoas. Obras exclusivas, numeradas, tiragem de 1000, e de nomes que possuem um certo valor dentro do sistema de arte, o que impossibilitaria algumas pessoas de terem obras dessas personalidades.

Quais são seus planos para o futuro?
Vencer o Prêmio PIPA. Brincadeira, estou super feliz de ter sido indicado para o prêmio esse ano de 2013, e participar do processo já é muito legal. Mas se quiserem votar em mim, fiquem a vontade, agradeceria enormemente, é só entrar no site do prêmio.
Futuro…continuar produzindo, vivendo, amando. Tenho mais postais para lançar, mais curadorias, mas o que eu quero programar mesmo é estar vivo e produzindo.


Da Série Paixão.




Da Série Paixão.



Dominó.



Disappeare.



Jogos Efêmeros.




Jogos Efêmeros.


Terra a Vista.




Queria Ser Cildo, Mas ainda Me Falta Peso.

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