quarta-feira, 26 de junho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Laura Villarosa






Quem é Laura Villarosa?
Sou Italiana ,siciliana , nascida em Palermo em julho de 1961. Sou filha de pai também siciliano e mãe brasileira. Vim para o Brasil ainda muito pequena , morei e estudei em São Paulo até os 18 anos , fui para Italia por uma temporada , retornei a SP até me mudar para o Rio de Janeiro em 1984, atualmente moro em Niterói .


Como a Arte entrou em sua vida?
Não me lembro da vida sem arte , desde muito pequena já me interessava ,sou de uma familia onde todos de um jeito ou de outro se interessam . Eu tinha um tio artista , chamado Wallinho Simonsen que me ensinou , desde muito cedo , que a arte é a midia da alma ,ele falava muito nas questões da alma e isso me instigou . Tinha uma quarto de guardados onde ele "abandonava" algumas telas e sobravam algumas em branco que eu pegava fazia minhas pinturas infantis , adorando!

Como foi sua formação artística?
Criança frequentava escolinhas de arte e ao longo da vida fui aprendendo muitas coisas , por um tempo frequentei a escola Panamericana de arte em SP, estudei pintura no atelier de Oretta Rangoni Machiavelli em Roma , fiz alguns cursos no Parque Lage até me profisionalizar pintando sedas e estampando tecidos , e assim foi por alguns anos , montei atelier de pintura em tecido em Niterói e Miguel Pereira e a demanda era bem grande . Em seguida me interessei por técnicas de pintura decorativa e descobri as paredes !
O pensamento plástico propriamente dito começou mesmo em 2001 quando conheci o mestre e até hoje um grande amigo Jose Maria Dias da Cruz que me ensinou a ver a cor quase como uma religião , fora do circulo cromático tradicional ,me fez entender o que é o "serpenteamento" do Leonardo da Vinci, o que pensar para construir coloridos como instrumento libertador . Isso me guia em qualquer trabalho , é um universo muito rico e inquietante , um aprendizado sem fim.
Recentemente a Giodana Holanda e a Bia Amaral no Parque Lage me abriram os olhos para o mundo digital, boa midia para se trabalhar essas idéias .

Como você descreve sua obra?
O eterno movimento dos opostos . Sempre penso em criar uma unidade por contrastes e quando penso em contrastes , penso na humanidade , na propria existIencia , na alma humana .um caminho para "religar".
Por motivos óbvios me conectei com a linguagem da estamparia , gosto de achar nos tecidos a expressão dos tempos e dos povos , é tema recorrente , um ponto de partida e um bom guia para se pensar na estética e na atemporalidade.
Novas técnicas me interessam , gosto de experimentar, misturar midias e materiais .
Há uns dois anos , junto com minha sócia , a Cynthia Fidalgo , criamos a RE:Arts ( www.redoispontos.blogsopt.com) onde desenvolvemos uma idéia de arte acessîvel , criamos gravuras digitais e imprimimos em tela de algodão ,papel e agora também em metacrilato , é um trabalho experimental , de muita pesquisa e aprendizado , tem sido muito interessante e tem dado bastante certo .


Que artistas influenciam seu pensamento?
Diretamente o JM Dias da Cruz ,que além das suas proprias obras me fez ver com outros olhos a obra de Leonardo da Vinci ,Poussin , Delacroix Cezanne ,Van Gogh , Braque ,principalmente o Braque que quanto mais conheço mais me "contamino" , Klee , Kandinsky e tantos outros mestres .....
Gosto muito da força feminina da Frida Khalo ,das estampas da Sonia Delaunay, dos quadros do Matisse , da obra "lenticular" do Umberto Ciceri . Há pouco tempo conheci e me surpreeendi com as esculturas góticas do Wilm Delwoye que entre outras coisas esculpe pneus e retira deles uma delicadeza inesperada, a profunda afinação com a natureza das gravuras japonesas do Hokusai , muitos artistas/artesãos indianos , africanos , anônimos que expressam tão profundamente a essência de seus povos , a lista é grande e conforme o trabalho abre-se um leque de interesses .



O que é ser uma pintora no século XXI?
Há que se entender o tempo em que se vive , novas gerações estão chegando e mostrando que não estão para brincadeira , não para de aparecer muita coisa boa e isso é muito animador .Pessoalmente o que me aconteceu foi a troca de pincéis , descobri a possibilidade dos pincéis virtuais e aderi completamente .

É possível viver de arte no Brasil?
Para alguns poucos sim ,o trajeto é difîcil e tortuoso , o mercado de arte nem sempre é justo , muita gente boa fica de fora . Ando por caminhos paralelos , fora do mercado .

A mulher e o homem estão em igualdade no mercado de arte?
A arte é a melhor midia para entendermos as sociedades, muitas mulheres ainda estão precisando falar alto para serem ouvidas , mas estão cada vez mais presentes com obras cada vez mais valorizadas , acredito que para essa geração que está chegando essa não será mais uma questão .

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?Sinceramente não sei , nunca procurei esse caminho . Tenho uma amiga , a Edes Francesca Dalle Molle que tem um escritório de arte em SP e vende minhas pinturas . Os trabalhos da RE:Arts a Cynthia e eu vendemos diretamente .

O material brasileiro para pintura já é de boa qualidade?
Nunca senti muita dificuldade com o material brasileiro , apesar de que o importado ainda é superior , percebo isso principalmente em alguns vermelhos que insistem em ficar transparentes .

Qual sua opinião sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los?
Nunca participei de nenhum , mas acho fundamental , os salões são a porta de entrada , palco para a abertura de novas discussões. Deveriam ser mais divulgados , o publico poderia participar mais .


Quais são seus planos futuros?
Pretendo continuar a desenvolver o trabalho na RE: Arts , acredito que estamos só no começo , as possibilidades são muitas.
O melhor ainda está por vir


Vestidinhos. 34x130 cm. Arílicas sobre tela.


4 Tempos. 80x80 cm. Acrílicas sobre tela.



Fé. Prints sobre tela.


Psycodelic. 90x240 cm. Prints sobre tela



Red. 90x240. Prints sobre tela.


Xadrez. 100x180 cm; Prints sobre tela


Wall. 90x130 cm. Prints sobre tela.


VDM. 110x230 cm. Prints sobre tela.




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