quinta-feira, 13 de junho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Denise Gadelha






Quem é Denise Gadelha?
Nasci em Belém do Pará (1980), mas cresci em Porto Alegre a partir de um ano de idade. Atualmente moro em São Paulo. Minha mãe é dentista. Meu pai é escritor e editor. Meu padrasto é advogado. Fiz bacharelado em Artes Visuais com ênfase em Fotografia no Instituto de Artes da UFRGS. Fiz mestrado em Poéticas Visuais na mesma instituição. Sou casada. Não tenho filhos, mas tenho uma enteada.



Quando você começou a se interessar pela arte?
Desde muito cedo, tão cedo que nem me lembro. Mas a minha primeira participação em exposição foi num Salão em Santos, SP quando eu tinha 14 anos.


Qual foi sua formação artistica?
Sempre frequentei cursos livres de arte desde pequena, um dos que mais marcou a minha infância foi o atelier A Casa onde conheci pessoas que são minhas amigas até hoje; fui aluna da Tita Strappazzon, e a Maria Helena Bernardes dava aulas lá também, uma das pessoas que mais me influenciariam mais tarde. Segui passando de atelier em atelier até entrar na universidade fazendo os cursos que mencionei na primeira pergunta. Outra grande momento de troca coletiva marcante pra mim foi sem dúvida o Dynamic Encounters. Participei deste projeto com muito orgulho e aprendi muito com o Charles Watson e outros professores nesta situação de “aulas imersivas” dentro das exposições e ateliês.


Que artista influenciaram seu pensamento?
Acho que todos os artistas que tenho contato (seja com a pessoa em si ou com a obra) influenciam inevitavelmente meu pensamento de maneira direta ou indireta. Observar como os outros apresentam seu ponto de vista me faz definir melhor o meu próprio, tanto por afinidade quanto distanciamento.

Gosto muito de história, portanto alguns dos meus maiores ídolos são do passado. No momento, estou apaixonada pela obra do William Turner. Sinto-me muito honrada por ter conseguido o acesso aos arquivos privativos que estão sob os cuidados da Tate, um privilégio restrito apenas aos pesquisadores de arte. Acho que vou montar um curso para pensar o quanto a obra do Turner e do Sir Christopher Wren estão influenciando meu trabalho mais recente.

Bom, mas durante a maior parte da minha jornada artística os grandes artistas que me instigaram foram o Hélio Oiticica e as Lygias no Brasil, e Robert Smithson, Robert Morris, Walter De Maria, Matta-Clark, Yves Klein, Jan Dibbets no exterior, apenas para citar alguns... De uma maneira geral sinto muita afinidade com a insurreição cultural dos anos 60/70 e a expansão do horizonte do possível.

Atualmente sinto-me muito honrada pela oportunidade de acompanhar alguns processos de trabalho de grandes artistas contemporâneos. Por exemplo, recentemente produzi um conjunto de trabalhos do Carlos Garaicoa e no momento estou iniciando um processo com a Rôsangela Rennó. Ter a oportunidade de conversar e realmente discutir até compreender o procedimento de trabalho dessas figuras é realmente indescritível. É uma oportunidade de apreender com gigantes do meu tempo; é como ver a história ser redigida diante dos olhos....


Como você descreve seu trabalho?
Uma busca constante por aquilo que é indescritível. É uma tarefa fadada ao fracasso, pois sempre esbarra no limiar do impossível, mas mesmo assim a tentativa é válida. A busca deixa rastros materiais que ampliam o entendimento.


É possível viver só de arte no Brasil?
Bom, depende do que você quer dizer com isso. Vivo só de atividades vinculadas à arte, mesmo que meu trabalho como artista não seja minha principal fonte de renda. Além de ser professora e exercer atividades como curadora, atualmente sou diretora do departamento de fotografia da Galeria Vermelho.


Algumas fotografias foram vendidas por mais de US 3000000, é o meio de expressão artística do momento?
Sabemos que muitas vezes os preços de leilão, especialmente os recordes, não representam o valor real de mercado da maioria das obras daquele artista. Os recordes estão vinculados à escassez e relevância histórica do objeto em questão, mas frequentemente são sintomas de uma disputa entre poucos colecionadores.
Mas de fato o preço geral dos trabalhos fotográficos está aumentando. Isso se deve à certa conjunção de fatores, desde à progressiva associação ao caráter mais conceitual (e, portanto um meio “pós-moderno” e híbrido por excelência) ao fator da tiragem possibilitar que um colecionador particular tenha a mesma obra que consta nas coleções de grandes museus.

O que você estuda? Como você se atualiza?
Eu estudo de tudo... Tenho uma relação muito intuitiva com o estudo. Estou sempre de olhos e ouvidos bem abertos e me interesso por muita coisa. Posso facilmente me debruçar, por exemplo, sobre arquitetura das civilizações antigas, física quântica, filosofia, e muitas esferas das artes visuais, por razões óbvias. O problema é que como tenho um campo de interesse muito amplo não é possível ter tempo hábil para um estudo profundo. No momento, tenho uma rotina de trabalho muito intensa então sobra pouco tempo para ler coisas que não estejam diretamente relacionadas com minha profissão. Então tenho descoberto outras formas de se relacionar com o estudo como assistir a muitos documentários e vídeos de palestras de especialistas. E a internet, este grande Aleph, é também uma biblioteca virtual. Existem coisas preciosas como a Khan Academy, por exemplo.


Que museu no exterior você escolheria para fazer uma exposição?
Se fosse para mostrar trabalhos fotográficos eu adoraria poder expor no MoCP em Chicago, Photographer’s Gallery em Londres ou ICP em NY. Tem também a Maison Européenne de la Photographie em Paris, na qual alguns trabalhos meus foram apresentados em formato de projeção de fotos durante um mês.
Entretanto, se fosse para fazer algum site-specific ou instalações mais complexas qualquer lugar é interessante, pois toda situação espacial diferente é sempre muito instigante.
Já que estamos falando de instituições no exterior, tenho um interesse especial pelo Museum of London em função de um trabalho recente que comecei a desenvolver no período que estive em Londres.


Como você aproveita o seu tempo livre?
Infelizmente não tenho muito tempo livre. Por outro lado meu trabalho é bem divertido na minha opinião.




Fotos do projeto atual desenvolvido pela artista.


Estudo preliminar, base dia 13.



Detalhe etapa posterior, mix vários dias + simulações do Google Earth 3D





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