quarta-feira, 19 de junho de 2013

Marcio Fonseca entrevista Andre Bauduin







Quem é Andre Bauduin?
Sou carioca, 52 anos, publicitário, filho de uma ex bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que também foi a primeira mulher a se tornar operadora de Bolsa de Valores e de open market no Brasil e de um promotor público.
Como quase todo carioca da minha geração, estudei em colégios públicos e também particulares, como o Alencastro Guimarães, em Copacabana e o São Bento, no Centro, além do Anglo Americano, em Botafogo, de onde fui expulso, porque aprontava muito (!).
Apesar de Bauduin não ser o meu último nome e sim Fontes, sempre fui chamado de André Bauduin. Quando iniciei minha carreira como redator publicitário, na década de 80, naturalmente o nome ficou. Antes de trabalhar com publicidade, trabalhei um breve período como repórter em alguns jornais e revistas e operador de VT na TV Bandeirantes.
Sou casado com uma economista há 28 anos, tenho duas filhas e uma linda netinha de 4 anos, além de duas irmãs e dois irmãos, gêmeos.
Vivi e cresci na zona sul carioca, hoje moro e trabalho no Recreio, zona oeste.


Como foi sua formação artística?
Como sempre trabalhei com criação, design, direção de arte, fotografia, VT, arquitetura promocional, web, a arte sempre esteve presente em minha formação. Inicialmente quis fazer cinema, mas acabei fazendo vestibular para Comunicação Social, me formando na FACHA - Faculdade Hélio Alonso, com especialização em publicidade e propaganda.
Cinema, teatro, desenho, pintura, fotografia, escultura, fiz diversos cursos ao longo de minha vida. A formação de quem trabalha com comunicação é bastante eclética e também muito ligada às artes como um todo, sempre em busca do novo, de tendências, novas formas, estilos, comportamentos, tribos, enfim tudo que possa ser insumo.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Estamos em uma era onde a sensação de que tudo já foi feito, principalmente em arte, é amplamente sentida. Parece que nada mais é novo. Não que o novo seja necessário, mas não tolero a sensação da cópia, do falso, do déjà vú. Portanto tenho muito medo desta expressão "influenciam seu pensamento", quase sempre isto termina em cópias mal acabadas. Esta expressão me faz lembrar Oscar Wilde quando ele diz: "A arte começa onde a imitação acaba". Lógico, tenho minhas preferências como Basquiat, Pollock, Kandinsk, Matisse, Man Ray, Monet, Banksy, Cartier Bresson, Todd Selby, Alfred Stieglitz, misturados, sem ordem de importância. Entre vários outros, de várias épocas, incluindo aí feras do cinema, da música, das letras, da arquitetura, do design, do grafite. Todos, independentemente da época em que nasceram, ou nacionalidade, volta e meia consulto e visito.


Como você descreve sua obra?
Tenho trabalhado diversas séries, aliás esta é uma característica minha: trabalho muito e diversificadamente, por isto separo em séries, temas, assuntos. Tenho hoje em processo diversas séries, várias inéditas. Optei por utilizar duas redes socais, campo delicado (!), o Facebook e o Instagram, para compartilhar meu trabalho e sentir o que causaria, quase como um laboratório. Acabou sendo surpreendente, fiz amigos (outros nem tanto!), conquistei seguidores. Pessoas adquiriram trabalhos meus, foram às exposições.
Quanto à temática, procuro fazer um registro do que vemos hoje a partir de uma ótica pessoal. Sou irremediavelmente urbano e extremamente observador. Isto acabou refletindo no meu trabalho. Nada passa desapercebido. "Observar uma cidade leva tempo", uma pessoa conhecida um dia me disse isto e caiu como uma luva sob o que faço.


É possível viver de arte no Brasil?
Sim, com certeza! Principalmente se pensarmos em termos de Brasil, pois é difícil viver por aqui em quase todas as áreas profissionais. A desvalorização é muito grande, fruto de décadas de crise, descaso, desgoverno.

Quando você é fotógrafo e quando é artista?
Boa pergunta! Procuro deixar claro que não sou fotógrafo no sentido pleno da palavra, utilizo a fotografia como ferramenta assim como poderia utilizar a tinta. Não tenho a preocupação com parâmetros técnicos, com a qualidade do equipamento, tanto que utilizo muitas vezes um simples telefone celular para capturar o momento, o instante, o alvo. Até porquê nem sempre tenho uma boa câmera ao alcance das mãos. Como prova de que não é a receita que faz o bolo ficar gostoso, fui premiado recentemente pela APAP - Associação Paulistas de Artistas Plásticos com um trabalho (políptico) feito totalmente com fotos de celular. Esta peça chamada "Morse" ficou com tamanho final de 1,00 x 1,00m. Em meu processo de trabalho faço colagens, interfiro nas imagens, mudo cores, recorto. Meu objetivo é o resultado da obra final que pode ser, por outro lado, a própria fotografia sem nenhuma manipulação, exatamente como foi capturada. Liberdade é a palavra chave na minha visão.

As fotografias tem alcançado preços astronômicos em leilões internacionais, qual a importância disso?
Durante muito tempo a fotografia foi relegada a um plano inferior, hoje não! Polêmicas à parte em relação a cifras e dígitos, vejo isto com muito bons olhos. São muito poucos os que conseguem fazer da fotografia arte, mas quando isto acontece é sublime. Veja o Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco, Renan Cepeda por exemplo, elevaram a fotografia ao estado da arte. Portanto, nada mais justo que os preços acompanhem o mercado de maneira geral.


Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
O comportamento humano é algo que me interessa bastante, talvez fruto de minha atividade de tantos anos. Por ser também muito urbano, acompanho de perto o comportamento e as transformações dos grandes centros, das grandes metrópoles, como Tókio, Londres, Nova York, Sampa e Rio obviamente mais de perto.


Você tem uma rotina de trabalho?
Sim, trabalho todos os dias, incluindo sábados e domingos. Tem um ditado popular que diz assim: "descubra o que você gosta de fazer e você nunca mais terá trabalho". Sigo à risca, sem deixar de viver.


O que você pensa sobre os Salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Estamos vivendo um momento muito positivo no Brasil com a proliferação de várias iniciativas espalhadas pelo território nacional ligada às artes plásticas. Recentemente, participei de um Salão, o primeiro na América Latina, com artistas de sete países e uma excelente infra-estrutura. Como em todas as áreas, precisamos ainda melhorar muito. Conversando com alguns organizadores e curadores de outros salões, eles me disseram que têm artistas que chegam com trabalhos péssimamente executados, mal acabados. Assim como alguns curadores que não têm a devida capacitação, gabarito, privilegiando amigos, conhecidos, sendo "bairristas". Mas, de maneira geral, a meu ver, o resultado tem sido positivo nesta área. O processo está se profissionalizando, amadurecendo. Salões, festivais, feiras, concursos, várias iniciativas, inclusive nas universidades, estão ampliando, melhorando o mercado de arte como um todo. Ganha todo mundo. Amadurece toda a cadeia produtiva.


Quais são seus planos para o futuro?
Tenho investido bastante no meu trabalho, quero crescer, evoluir. Muitas vezes, este é o maior empecilho para se viver de arte, o investimento em você é alto, e tem que ser constante, fora os custos de produção das peças. Talvez aconteçam duas exposições que farei ainda no inicio do segundo semestre de 2013 aqui no Rio, uma coletiva e uma individual.

Azulvermelholaranja, 2012 Fotografia 1,70x1,00 m. Da série Sem Limites. Impressa em papel Hahnemüle 370g. Classificada no Prêmio Pierre Verger, 2013.
Da série O Chão que Eu Piso. Sem título, 2013. Fotografia + 0,30x0,20x0,30 cm de paspatur. Impressa em papel Hahmenhule 310g.
Da série Passa Aqui. Sem título, 2012. Fotografia + 0,30x0,20x0,30 cm de paspatur. Impressa em papel Hahmenhule 310g.
Da série Enquadre-me. Dacor, 2013. Fotografia + 0,30x0,20x0,30 cm de paspatur. Impressa em papel Hahmenhule 310g.
Da série Enquadre-me. Dacor, 2013. Fotografia + 0,30x0,20x0,30 cm de paspatur. Impressa em papel Hahmenhule 310g.
Morse, 2012. Poliptico. 1,00x1,00 m Fofografia Impressa em papel Hahmenhule 310g. Menção honrosa da APAP Associação Paulista de Artistas Plásticos. 1o Salão de Outono da América Latina, 2013.






Fofografia Impressa em papel Hahmenhule 310g
O Pequeno Narciso, 2012. Poliptico, 1,00x1,70 m. Fofografia Impressa em papel Hahmenhule 310g. Da série Limites classificado no Prêmio Pierre Verger, 2013.



Da série Passa Aqui. Sem título, 2012. Diptico, 0,70x1,40 m. Impressa em papel Hahnemühle 310g.



Yin Yang, 2012. Diptico 1,00x2,00 m. Fotografia impressa em papel Hahnemuhle 310g. Da série Sinais de Limite. Classificada no Prêmio Pierre Verger, 2013.




Portfólio



www.andrebauduin.com.br

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