quarta-feira, 8 de maio de 2013

Marcio Fonseca entrevista Sofia Pidwell






- Quem é Sofia Pidwell?
Nasci em Portugal no Alentejo onde vivi até aos 15 anos. Nessa altura, mudei para Lisboa onde vivo e trabalho atualmente.


- Como a Arte entrou em sua vida?
A arte já nasce connosco e vai-se mostrando de diversas formas ao longo da vida. Comecei por me formar em publicidade e trabalhar alguns anos nessa área, depois voltei a estudar desenho e pintura.


-Como você descreve sua obra?
Ainda não posso falar em obra, está em desenvolvimento, para já posso falar do meu processo de trabalho. É um trabalho de minúcia, dedicação, introspeção muita persistência e verdadeiro gosto pelo que faço.


-Que artistas influenciam seu pensamento?
Bem quase que podia dizer que todos os artistas com que me vou cruzando e que de alguma forma despertam o meu interesse. Mas posso falar de alguns que no início tiveram influência na minha maneira de olhar a arte como: Monet, Turner, Gerhard Richter, Munch, Pedro Calapez, Pollock, James Turrell entre outros.


-Que comentários você faria sobre sua última exposição?
Segue o texto da folha de sala da minha última exposição, escrito por Ana Cristina Cachola


Da assimetria do equilíbrio

Equanimity, que Sofia Pidwell apresenta no espaço Round The Corner, insurge-se, simultaneamente, enquanto exercício de continuidade e moto de regeneração do trabalho da artista. Mantendo os princípios visuais de composição, as premissas de convialidade entre desenho e espaço de exibição e os jogos de sobreposição formal e conceptual, usuais na sua obra, Pidwell discute, nesta exposição, as possibilidades do desenho enquanto lugar de um equilíbrio assimétrico, que encontra nessa assimetria a razão de persistir.

O conceito de equanimidade, que titula a exposição, remete, neste caso, para a necessidade que o sujeito tem de encontrar um equilíbrio endógeno que pelo acto criativo ganha exogeneidade e afecta o meio envolvente. Pidwell encontra no seu desenho um equivalente estético desse estado emocional proactivo por escapar ao maniqueísmo do bom e do mau, do certo ou errado: uma fuga a qualquer tipo de essencialismo.


Os dois momentos visuais que compõem a exposição - uma intervenção mural e um desenho sobre papel - apresentam-se enquanto extensões e reflexões sobre o espaço que habitam, espaço este devedor de uma arquitectura peculiar onde o simétrico não tem lugar. Mas é nessa assimetria que o espaço encontra a sua natureza equilibrada e equilibrante de abrigo da obra de arte e é sobre essas premissas que se constrói o acto criativo de Pidwell.


Usando o traço (sempre flexível) enquanto matéria-prima, a artista, através de actos concomitantes de supressão e identificação formais, descobre e oferece ao espectador a proporção exacta do desenho estável e de uma estabilidade contaminante. Se as formas da natureza se assumem enquanto instâncias reguladoras daquilo que é, ou pode ser, percepcionado enquanto detentor de um equilíbrio congénito, os desenhos de Pidwell reinventam esse equilíbrio, sempre assimétrico, e servem uma apologia visual da equanimidade.

Ana Cristina Cachola

Fevereiro de 2013

-O que é ser uma pintora no século XXI?
É viver em adaptação a uma sociedade em transformação.


-O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
É muito variável, depende da galeria em questão e do momento. É sempre necessário chamar a atenção dos galeristas pela qualidade do trabalho e pela dedicação do artista ao seu trabalho.



-A mulher está em igualdade com o homem na arte em Portugal?
Sim


-O que você pensa sobre o estágio atual da arte contemporânea e do mercado de arte em Portugal?
Bem neste momento atravessamos um período complicado em termos econômicos aqui em Portugal, que afeta todas as áreas sendo o mercado das artes seguramente um dos mais afetados.


-É possível viver de Arte em Portugal?
Sim, há artistas a viver da arte, por isso é possível.


-Quais são seus planos futuros?
Continuar a trabalhar sempre, desenvolver as minhas idéias e mostrar o meu trabalho em Portugal e no estrangeiro.





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