terça-feira, 16 de abril de 2013

Marcio Fonseca entrevista Gabriel Giucci




Gabriel é representado pela Galeria Portas Vilaseca. O artista vive e trabalha em Nova York com estúdio em Willimsburg.

Quem é Gabriel Giucci?
Gabriel Jaguaribe Giucci, nascido em Princeton, New Jersey. Neto do sociólogo Hélio Jaguaribe e sobrinho da fotógrafa Cláudia Jaguaribe. Morou sua vida inteira no Rio de Janeiro, atualmente esta morando em Nova York.
Como a arte entrou em sua vida?
Não diria que ela entrou, pois não houve um momento de revelação mostrando que eu queria ''fazer'' arte. Sempre me interessei pelo desenho, e a partir desta paixão inicial, ela procedeu de forma natural para o que chamamos de profissão.

Como foi sua formação artística?
A formação se deu por 4 vertentes: no campo técnico, através do professor Bandeira de Mello, aonde aprendi a desenhar e compreender a figura. No campo conceitual, realizei um curso com o professor Charles Watson aonde recebi ensinamentos sobre procedimentos e diálogos da arte contemporânea, enfatizando o desenho como principal meio. O terceiro agente de formação são obviamente os museus e as galerias, principalmente os dos Estados Unidos e Europa, e ao realizar a visitação destes, analisar minuciosamente cada quadro e sua respectiva época. O quarto agente é a atual sociedade na qual vivemos. Tanto para os museus, quanto para uma análise sociológica de nossa época, não existe um ''diploma'', e portanto, são estudados até o final da vida. As instituições de arte deixam muito a desejar nesse aspecto portanto não acho que sejam de fundamental importância para a formação de um artista.
Como você descreve sua obra?
Se tivesse que descrever a minha obra, diria que se trata de de uma aglomeração de interesses que tenho acerca do mundo, sejam eles artísticos ou não, mas que precisam obrigatoriamente funcionar visualmente. Certos interesses perduram por mais tempo que outros, mas apesar da mudança constante de interesses e consequentemente, estilos de trabalho, sempre existem valores que são comum a maioria dos trabalhos. Os meios de construção não são pré-determinados, cada trabalho necessita de um ''approach'' personalizado, é necessário compreender o que o trabalho está pedindo, o que você quer que ele faça, e a partir daí, iniciar um dialogo com ele, que muitas vezes, resulta muito bem, outras não tanto, igual em uma relação amorosa! haha

Que artistas influenciam seu pensamento?
Qualquer artista que crie uma obra com extrema qualidade visual e uma relação imediata com o espectador me influência, e a partir desse impacto inicial, o tema e conceito adentram no espectador de forma mais sincera,, não necessitando recorrer a textos e explicações literárias. Poderia citar inúmeros exemplos, mas certamente Manet, Velazquez e Frans Hals são alguns dos artistas que me influenciam. Em relação a um período mais recente, Franz Kline, Cy Twombly e Francis Bacon também possuem muita qualidade visual associados a um diálogo interessante.

Além dos estudos sobre arte, o que mais estimula sua produção?
Influências que dizem respeito ao ser humano e sua relação com o mundo, principalmente a psicologia humana e seus ínúmeros desdobramentos emotivos e espirituais.

É possível viver de arte no Brasil?
O público geralmente valoriza, reconhece e compra obras que são bem realizadas visualmente e possuem um discurso coeso em relação ao nosso tempo. Portanto, diria que é possível viver de arte se o artista se esforçar em atender estas demandas.

Qual a análise de sua exposição em Veneza?
Infelizmente, não estive presente na exposição que realizei em Veneza, portanto, não saberia analisar de forma sincera a diferença.

Que diferença você vê entre expor no Brasil e no exterior?
O importante sempre é realizar o melhor trabalho possível, independentemente se for em Veneza, Rio ou qualquer outra cidade. Portanto, a expectativa está muito mais relacionada ao quadro que vou fazer do que a exposição que vou abrir. Se você deu o seu máximo realizando os quadros, essa ''expectativa'' acaba sendo dissolvida, pois ela é canalizada na construção do quadro, e essa dedicação não deixa muito espaço para expectativas e ansiedades, porque você sabe que você fez o melhor que podia ter feito antes da abertura.

O que é neccessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
É necessário antes de mais nada, um amor ao trabalho, se você ama o que faz, você estará empenhado em fazer o melhor trabalho possível e isso vai ser refletido na obra, tanto nos termos técnicos como conceituais.Você vai procurar preencher todos os requerimentos que constituem uma grande obra de arte, e isso fatalmente chama a atenção de qualquer galerista com um mínimo de sensibilidade. E também diria que é necessário ter uma relação de confiança e profissionalismo com o seu galerista, deixando tudo claro e sabendo o que é de cada um.

Como você estuda, como se atualiza?
Estudo e vida são a mesma coisa, um artista não pode acordar e achar que só vai aprender algo na faculdade, muito pelo contrário, as vezes os melhores estudos são justamente ambientes não acadêmicos aonde não existe uma formalidade para absorver o conhecimento, o formato da aula é muito conservador e pouco contemplativo. Portanto, quando digo estudar, é acordar e contemplar a luz, o movimento das pessoas e suas expressões, as roupas que estão usando,a vida que estão levando. Por mais que pareca algo romântico, a contemplação da vida sempre vai ser a melhor faculdade.

Quais são seus planos para o futuro?
Os planos são os mesmos de sempre, continuar fazendo trabalhos interessantes, tanto visualmente como conceitualmente.

Série Monolitos.


Série Monolitos.





Série Granitos.


Série Icons.


Série Icons


Série Emoctions.


Série Twonbly's Children Couple.


Série Twonbly's Children. Boys.



Série Portrait.


Série Portrait. Pierrot.


Série Abstract.


Scketches.


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