quarta-feira, 20 de março de 2013

Marcio Fonseca entrevista Fabio Magalhães

Fabio vive e trabalha em Salvador. Foi selecionado para Rumos Itaú Cultural. Atualmente participa da exposição coletiva no Paço Imperial, R.J. Obrigado Fabio.






Quem é Fabio Magalhães?
Nasci em 10 de junho de 1982, numa cidade do interior da Bahia chamada Tanque Novo, onde tive minha formação básica. Em 2001, ingressei no curso de Artes Visuais da Universidade Federal da Bahia. Atualmente vivo e trabalho em Salvador. Trabalho exclusivamente com Arte.

Como foi sua formação artística?
Inicialmente foi autodidata, pois na cidade que nasci não havia cursos ou escolas de arte. Quando criança, meu pai comprou uma enciclopédia onde havia várias ilustrações do Rembrandt, Picasso, Manet, Jackson Pollock entre outros. Assim, pude ter contato com a pintura muito cedo; no inicio, queria descobrir as técnicas aplicadas à pintura, experimentando materiais e aprendendo com os erros e acertos. Quando entrei na Escola de Belas Artes comecei a experimentar outras linguagens: desenho, instalação, cerâmica, fotografia, gravura e outras. Foi ainda na graduação que entendi e decidi que a pintura seria minha companheira de trabalho, pois a imagem pintada me proporciona criar um lugar para instaurar meu trabalho artístico.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Existem artistas que me deixam num estado de torpor, pois seus trabalhos alcançam resultados que estão além dos processos e técnicas usadas, posso citar três exemplos: Francis Bacon, Frida Kahlo e Jenny Sallive.

Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
De certo modo, a observação e análise dos acontecimentos que ocorrem em minha volta são fundamentais para o desenvolvimento do meu trabalho. Interessa-me o humano; contudo, dou preferência às questões obscuras do Ser, dou as costas para a área iluminada e sigo tateando em direção à escuridão, o que encontro pelo caminho vou apanhando como matéria-prima para compor minha arte. Alguns textos da psicanálise e filosofia têm contribuído para minhas reflexões sobre a pintura que realizo.

Como você descreve seu trabalho como artista?
Trabalho numa persistência poética da pintura auto referencial, buscando ressaltar condições inconcebíveis de serem retratadas senão por meio de artifícios e distorções da realidade. Neste sentido, parto da imagem como índice fotográfico para desembocar numa outra realidade, a pintura. Nesta, encontro possibilidades para inserir uma carga subjetiva e simbólica, necessária às minhas intenções como artista. Procuro criar um jogo de metáforas visuais, ao qual se configura uma atmosfera carregada de situações que talvez possa informar algo que escapa do nosso entendimento. Assim, crio em pintura, um espaço para expor a coexistência de realidades do humano. Deste modo, o trabalho se aproxima de um processo de autoconhecimento, é como libertar algo do interior da alma.

Você participou do Rumos Itaú Cultural, como foi a experiência?
O Rumos/Artes Visuais é um dos mais importantes programas para apresentar a produção de artistas emergentes no Brasil. Foram 45 mapeados, e o evento pode reunir uma significativa diversidade cultural e poética, onde pude conhecer e trocar experiências com artistas e curadores. Participar dessa edição do Rumos foi fundamental para o reconhecimento e crescimento da minha produção artística.


Qual a sua expectativa para a exposição no Paço Imperial, Rio de Janeiro?
Expor no Paço Imperial, junto com outros selecionados do Rumos Itaú Cultural, sela a conclusão das atividades desta edição. O Paço é um espaço fantástico, entre os enumero que a cidade possui. Expor no Rio é uma experiência muito boa, principalmente pelo público, o carioca tem uma vida cultural muito ativa.

Como você descreve o mercado de arte na Bahia?
O mercado de arte na Bahia é muito incipiente. Possui apenas uma galeria que está engajada com o mercado oficial. Existem outras galerias vinculadas às instituições de ensino, fundações culturais do Estado e instituições privadas; contudo, estas não estão preocupadas com o mercado diretamente. Atualmente, estão sendo preparadas duas novas galerias que prometem aquecer o mercado de arte na Bahia.

Você escreve sobre seu trabalho?
Faço muitas anotações, reflexões particulares e poucos textos.

É possível viver de arte no Brasil?
É difícil, principalmente para um artista iniciante que trabalha com questões da contemporaneidade, mais ainda para aqueles que estão distantes dos grandes centros. É necessário, muitas vezes, abrir mão de diversas coisas para financiar a própria produção. A maioria das instituições culturais do Brasil possui uma política em que o artista não pode ser remunerado, pois afirma que a“visibilidade” do evento é suficiente. Quando é possível inserir pró-labore nos projetos, os valores são limitados e não correspondem às expectativas profissionais Percebo que muitos artistas desistem, pois é injusto as condições impostas por algumas instituições e Governo.

O que pensa sobre os salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Muitas instituições usam os Salões para captação de obras e criação de acervos, associado à avaliação e mapeamento da produção artística. Algumas pessoas acreditam que o modelo dos salões não atende à realidade artística atual, mas penso que eles movimentam, de certa maneira, o cenário artístico contemporâneo brasileiro, em especial atenção para aqueles fora do eixo Rio - São Paulo. Acredito que poderia haver uma atualização dos salões e não a sua extinção.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar pintando. No dia 16 de abril de 2013 estarei inaugurando uma exposição individual (RETRATOS ÍNTIMOS) na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro. Em maio deste mesmo ano participarei de uma coletiva (Crê em Fantasmas: território da pintura contemporânea), com curadoria de Marcelo Campos, na Caixa Cultural, em Brasília. Essa exposição será formada pelo grupo “Território”, composto por cinco artistas de diferentes regiões do Brasil: Daniel Lannes (RJ) - Fábio Baroli (MG) - Fábio Magalhães (BA) - Flávio Araujo (PA) - Thiago Martins Mello (MA). Após concluir esta agenda iniciarei uma nova série, em que abordarei sobre o narcisismo.
Próximo Segundo, Série O Grande Corpo, 2008. Óleo sobre tela 110x140 cm.



Próximo Segundo, Série O Grande Corpo, 2008. 110x140 cm. Díptico.




Dos Lugares que me Prendem, 2010. Óleo sobre tela.
Diz-se das Linguas Malidicentes,2010. Óleo sobre tela. 110x130 cm.



Sem título. Série Retratos Íntimos, 2010. Óleo sobre tela. 140x190 cm.



Sem título. Série Retratos Íntimos, 2010. Óleo sobre tela. 140x190 cm.



Trouxas (Alusivo ao Artur Barrio), 2010. Óleo sobre adesivo vinil. 200x250 cm.



4 Kilos e 700g., 2012. Óleo sobre Tela. 130x130 cm.


www.fabiomagalhaes.com.br

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