quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Leandro Gabriel







Quem é Leandro Gabriel Coelho Pereira?
Nasci em Belo Horizonte, em 1970. Sou filho de pai professor e mãe comerciante, 6 irmãos. Morei e produzi minha arte durante toda a vida no Barreiro, região tradicional belorizontina. Trabalhei desde cedo em vários ofícios, desde ajudante de vendas, pintor de placas, faixas, arte-finalista (quando ainda não havia editoração eletrônica como ferramenta de trabalho para a diagramação de jornais, livros e revistas)




Como foi sua formação artística?
Formei na escola de arte Guignard e pós-graduei em Arte e Educação. Porém minha vida só tem a ver com sala de aula se for para produção de objetos de arte. Não consigo dicotomia entre pensar e fazer quando se trata de arte.




Como a Arte entrou em sua vida?
Não sei dizer exatamente quando a arte entrou em minha vida. Não me imagino sem ela. Não é um meio de vida, é o meio de permanecer vivo.
Meus trabalhos vão surgindo como brota o suor; por vezes, o sangue nas mãos (no meu caso, escultor, o sangue não é uma figura de linguagem) e se reforçam em energia à medida em que vai se desenvolvendo e ganhando forma. Não sigo parâmetros. Apenas cumpro um ritual, para mim sagrado.



Como você descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?
Normalmente as formas vêm na cabeça antes do tema e se moldam e adaptam durante a sua execução. Vem em forma de correnteza. Melhor dizendo: impulso.
Um pensamento que se torna concreto. O ferro é sempre minha ideia primeva. Quero crer que é por ser mineiro e ter uma alma drummondiana.




Que artistas influenciam seu pensamento?
Vários artistas influenciam e influenciaram meu pensamento. Sejam por suas ousadias, das suas ligações viscerais com seu trabalho, das suas paixões pelo fazer arte. A loucura de Van Vogh, por exemplo; a delicadeza de Camille Claudel; a força de Rodin; a paixão de Picasso e até o "Teatro Absurdo" de Samuel Becket, fazem-me construir e pensar o meu trabalho. Gosto da leveza de Quintana que contrapôe, em muito, com o massiço das minhas esculturas. Gosto da causticidade insustentável de Miguel Gontijo e das formas indeléveis e delicadas de Sérgio Vaz. Gosto, também, das construções de Marcos Coelho Benjamim e das formas orgânicas de Henry Moore e Isamu Noguchi. Também não posso esquecer de Richard Serra.




É possível viver de Arte no Brasil?
Gostaria de ser mais otimista! Gosto de pensar que sim, mas até agora minha única confirmação é a de eu não consigo permanecer vivo sem produzir arte. Acredito que há pessoas e empresas que podem se sensibilizar no apoio à arte em nosso país. Temos alguns exemplos disso, poucos, mas temos. Faço esculturas de grande porte que requer espaços abertos e isso dificulta minha possibilidade de absorção. Porém, devo salientar com relativo orgulho, que algumas obras minhas já se tornaram "cartões postais".




O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Minha resposta imediata é: não sei! No meu estado as galerias (o primeiro mercado do artista) querem artistas que já tenham um mercado consolidado. Elas pouco fazem pela nossa trajetória. Somos órfãos e temos que andar por linhas transversais para atingir nosso objetivo. O mercado é sempre uma incógnita: muitas vezes absorvem porcarias, outras vezes trabalham com modismos. O pior é que não podemos viver sem ele.




Você inaugurará uma individual em Miami, o que representa para sua carreira?
Acredito que, uma mostra, é sempre uma possibilidade de criar um vínculo de comunicação com diversos públicos. Quanto mais abrangente, melhor. Meu sentimento em relação a minha obra é sempre de mundo.
Uma exposição no exterior é um desafio, ao mesmo tempo que é sedutora é muito desafiadora. Minhas esculturas que estão em Miami, que fazem parte dessa mostra, foram todas adquiridas pela marchand, o que me dá uma certa tranquilidade. Essa exposição acontece ao mesmo tempo da feira de Bassel e me acredito que dará grande visibilidade.






Série Voltas, Revoltas e Mais Voltas, 2011. Ferro.







Série Voltas, Revoltas e Mais Voltas, 2011. Ferro.






Pé de Que?, 2010. Montagem.






Pé de Que?, 2010. Montagem.








Pé de Que?, 2010. Ferro 9x4,5x4,5 m.





Pé de Que?, 2010. Ferro.







Pé de Que?, 2010. Ferro.





Pitágoras,




































Convite exposição Miami.

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