quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Karina Zen





Quem é Karina Zen?
Nasci em São Paulo e com sete anos fui morar em Brusque, SC... Com 17 fui estudar em Curitiba, depois fui pra Florianópolis para fazer a universidade de Educação Física na UFSC e quando acabei fui estudar em Milão, na Itália, voltei pra Brusque, e hoje vivo em Florianópolis

Como a Arte entrou em sua vida?
Meus primeiros contatos com a arte se deram quando a gente saía de férias e em cada cidade que visitávamos meus pais nos levavam para conhecer os museus e igrejas. Quando pequena me lembro de brincar com negativos de fotografia, passava pasta de dente para ver se acontecia alguma coisa, brincava de projeção com um brinquedo adaptado, estas coisas...
A arte contemporânea veio no final de 2007, quando conheci o Fernando Lindote, em um dos programas do SESC chamado Pretexto, onde um orientador reúne um grupo de artistas para uma conversa sobre os trabalhos. Aí fiquei sabendo o que poderia ser arte contemporânea, pensei na hora: É isto que eu quero fazer!

Como foi sua formação artística?
Minha formação foi em fotografia, quando estudei na Escola Riccardo Bauer, em Milão, fiz um curso de 3 anos, ali comecei a me interessar pela fotografia, conheci o trabalho dos grandes fotógrafos e aprendi o que era linguagem, mas voltei pro Brasil fotógrafa, abri um estúdio em Brusque e trabalhava em parceria com agências de publicidade. Não achava muito bom, pois o que tinha de arte naquilo? Deixei tudo de lado e fui morar em um sítio em Florianópolis.
Desde 2008 faço orientações com o Fernando Lindote, e hoje considero que estes encontros estejam me formando como artista, o repertório dele é muito amplo, e além de discutirmos as obras e o processo, conversamos também sobre o circuito de arte.

Como você descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?
Tenho interesse sobre a relação do homem com seu mundo interior.
Hoje utilizo a fotografia como suporte, não sou mais fotógrafa, também faço vídeo, instalação e estou pensando em umas esculturas.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Existem alguns artistas, como a Mariko Mori, que gosto muito, mas ela é uma referência, não chega a ser uma influência.

Além do estudo de arte, que outras influências entram em sua obra?
Estas são influências mesmo: Gurdjieff e Ouspensky. Estou lendo O Homem E Seus Símbolos, do Jung que tem muito há ver com meu processo.

É possível viver de Arte no Brasil?
Acho que depende de muitos fatores, tem quem consegue e quem ainda tem que fazer outra coisa além de ser artista, como é meu caso, mas vejo uma mudança acontecendo no sistema para que o artista tenha ao menos pró-labore quando participa de exposições ou salões, casos como o Salão de Artes de Campo Grande, Arte Pará, Salão de Abril etc., para quem ainda não vive da venda de suas obras é um grande estímulo.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Hummm... Não saberia responder a esta pergunta...

Você recebeu o Prêmio Belvedere de Arte Contemporâneo, Parati, qual o significado para sua carreira?
O premio é uma viagem de 10 dias em Florença, e acredito que visitar com tempo os museus e espaços expositivos da cidade vai transformar meu repertório.

Que avaliação você faz da arte contemporânea em Florianópolis?
Existem algumas pessoas empenhadas para que se crie um circuito de arte contemporânea em Florianópolis, mas tudo está em formação ainda, começamos a conhecer jovens curadores, alguns jovens artistas começam a ter projeção. Tudo é novo ainda.

Quais são seus planos futuros?
Dedicar-me cada vez mais ao meu trabalho.
Sem título.
Sem título. Salão de Piracicaba.

Sem título.










Sem título.

























Sem título

Instalação


Estas obras que tem como ponto de partida a apropriação de um material utilizado na atividade doméstica, um agulheiro de papel em formato de cestinha com flores.
Desdobro estes módulos planos em várias partes, que depois de repetidos e rearticulados no espaço de forma arranjada e justaposta, são transformados em volumes.
Utilizo as agulhas contidas nos módulos para sustentar a obra na parede do espaço expositivo. As agulhas também unem as várias peças que o compõem, fazendo com que a imagem da frente e do verso do agulheiro sejam equivalente para a composição da imagem.
A imagem maior que construo a partir de cada um destes elementos forma uma estrutura diferente da estrutura que foi apropriada e com novo sentido, mas permite que os módulos continuem com identidade.
Sua estrutura, tanto formal quanto conceitual, vem com muitas camadas de sobreposição de conteúdos, partindo de um objeto popular com grande aceitação no mercado, que está inscrito em um sistema social específico e que vem carregado com valor simbólico, ele se transforma numa imagem onde hibridismos se movimentam continuamente sem que se defina um fim específico.Estão presentes na formalização visual deste trabalho as iconografias Maia e Asteca, fazendo uma interface com os mangás dos jogos interativos.


 


 









Nenhum comentário:

Postar um comentário