terça-feira, 6 de novembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Walter Nomura, Tinho.


 




Walter Nomura conhecido como Tinho no mundo do grafite vive e trabalha em São Paulo. Participou da Bienal Internacional de Grafite e levou seu trabalho da rua para a galeria. Foi indicado para o Prêmio Pipa 2012. Parabéns Tinho.


Quem é Walter Nomura o Tinho?
Um ser das ruas, atormentado, inquieto, que insiste em mandar mensagens para as pessoas que circulam pelos espacos por onde ele atua.


Como a arte entrou em sua vida?
Pela revolta, pela pixaçãoo, pelo punk, pelo skate.


Qual foi sua formação artística?
Minha primeira formação artística foi a rua. Depois, entrei pra FAAP, onde cursei Licenciatura em Educação Artistica. Terminado o curso, participei ainda de algumas oficinas e cursos livres com artistas como o Francisco Maringelli, o Paulo Whitaker e o Paulo Monteiro.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Marcel Duchamp, Joseph Beuys, Nelson Leirner, Minerva Cuevas, Maurizio Cattelan, Ai Wei Wei, Barry Mc Gee e Banksy.


Além da própria arte o que serve de inspiração para realização de seu trabalho?
O cotidiano de uma grande metrópole é sempre muito inspirador. As injustiças, as diferenças sociais, o sofrimento humano e a dificuldade de se inter relacionar... as falhas de comunicação... são coisas que sempre me inspiram.


Como você descre seu trabalho?
Eu tenho 2 meios de atuação.
Um na rua, no ambiente externo, onde eu faco graffiti e intervenções urbanas, procurando manter um diálogo com as pessoas que circulam por esses espaços e procurando levar uma mensagem/questionamento a cada uma delas.
Outro, no atelier, num ambiente fechado, onde eu, geralmente, pinto, mas tambem penso e produzo em outras linguagens como instalações site specific, performances, colagens, etc... Neste ambiente, procuro um diálogo mais íntimo com o habitante/visitante deste espaço fechado onde haverá o contato com o meu trabalho.
Os assuntos, em ambos os casos são os mesmos... a auto-destruição humana, a guerra pelo poder e tudo o que se relaciona a isso.


De que maneiro o grafiteiro é remunerado?
O grafiteiro não é remunerado nunca. Remunera-se o artista, quando se compra um trabalho de atelier ou quando se contrata-o a realizar uma decoração ou projeto gráfico.
O graffiti é uma atividade ilegal e não pode ser comercializada. Uma vez comercializada ou autorizada, deixa de ser graffiti.

Como foi a passagem da arte de rua para a galeria?
Foi a partir da minha entrada pra faculdade de Artes, onde eu pude conhecer a História da Arte e todo esse universo. Até então, eu nunca tinha visto nada além das ilustrações em livros escolares de 1o. e 2o. grau.
Na faculdade, fazendo trabalhos a pedido de professores, comecei a pensar em um trabalho mais interno, que pudesse dialogar com um outro publico e também com uma outra produção, dentro de um circuito de artes, uma nova rede.


Que política deve haver para o grafite?
Graffiti é anarquia.


É possível viver de arte no Brasil?
É possivel viver no Brasil ?
É possivel sobreviver no Brasil fazendo arte ou qualquer outra coisa... No Brasil, sobrevive-se facil. Viver é outra coisa.


O que significou para você a indicação e participação no Prêmio Pipa 2012?
Pra mim, foi muito importante. Considerando minha trajetória, minhas origens e o meu discurso, ter o reconhecimento de alguém apto a me indicar a um prêmio desse porte, foi muito significativo e importante para mim.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar produzindo e buscando sempre um público cada vez maior, para poder, através da minha arte, levar às pessoas a um pensamento mais profundo sobre tudo o que nos cerca.






Favela's Hero Encontro na favela da Dutra, Garulhos.


Projeto Rua, 2012. Amsterdam.




Glicerio. Tinho é quem Salva?

Binho + Tinho, Rio de Janeiro.




Rio de Janeiro.


Ceará.







Casa da Caldeira.





Ninguém É Perfeito. Galeria Logus, Sp.






A Cidade Fala. Instalação caixa de som com técnica mista e performance.






Depois do Fim, 2011. Óleo sobre tela.




Eles Estão Vindo. Colagem sobre Madeira.





Beco de Aprendiz detalhe, 2010. Colagem e spray sobre parede.






Inocência Perdida, 2007. Instalação Galeria Choque.





Direito ou Deveres, 2011.

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