quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Marta Joudan




Com uma câmera de altíssima velocidade que registra até mil quadros por segundo, a artista Marta Jourdan filma a poesia das explosões para sua nova exposição. Jourdan, que já criou objetos e engenhocas para transformar água em vapor, líquido em sólido, desta vez, captura o tempo que a gente não pode ver. A exposição individual “Súbita Matéria”, com abertura marcada na Artur Fidalgo galeria no dia 13 de novembro, traz duas sequências com impressões de quadros do filme, além de uma superprojeção, esculturas e cadernos com estudos da artista.
Para compor essa cena onírica, Jourdan convidou a acrobata Carol Cony e usou dinamites, canhão de ar e quase 30 mil litros de água. As imagens são poéticas. A captura mostra os movimentos no milésimo de segundo, revelando a delicadeza das partículas que surgem de uma explosão, a magia da água na luz, a força de um jato que surpreende uma mulher pelas costas. O som composto por Bruno Queiroz cria a atmosfera de submersão. “É mais um caminho para levar à zona do sonho, desse espaço que não é o real, nosso tempo interior”, diz Jourdan.
Se nos trabalhos anteriores ela já brincava com a transformação dos elementos, molhando quartos e prédios com suas retroprojeções (“zona de lançamento”), sugando com turbinas e evaporando gotas d’água com ferros de passar (“vento” e “líquidos perfeitos”), solidificando gotas (“estanho”) e fundindo imagens (“óleo”), agora ela quer traduzir o tempo.

SÚBITA MATÉRIA, de MARTA JOURDAN
Artur Fidalgo galeria
Abertura: 13/nov , 19h às 22h
Exposição: 13/nov a 5/jan, de seg a sex, 10h às 19h, e sábados, 10h às 13h


Nasci no Rio de Janeiro , vivo e trabalho aqui . Minha formação é diversa. Comecei nas artes através do teatro, estudei no Tablado depois fiz a C.A.L e resolvi fazer uma escola de teatro na França , fui para Paris nos anos 90 , fiquei quatro anos. Em Paris fiz a escola Jacques le Coq, lá na escola havia um ateliê para a construção de objetos cênicos, eram como parangolés, objetos que confeccionavamos para o jogo cênico que serviam tanto como figurinos como objetos para a cena. Comecei a passar mais tempo nos atelies do que no palco. Durante este período trabalhei também no Centro George Pompidou ( beaobourg) . Acho que estas experiências me aproximaram das artes plásticas .
Quando voltei para o Brasil fui trabalhar em produtoras de vídeo e cinema, e fazia minhas "experiências artisticas " em casa, só para mim . Um dia me inscrevi em um curso no Parque Laje e mostrei o que fazia , de lá pra cá , mostro o que faço para todo mundo ....
Minha formação não é nada acadêmica... comecei três faculdades e não terminei nenhuma; psicologia , comunicação social e História . Gosto de ler muita coisa e conforme meu trabalho demanda me debruço sobre os assuntos. Gosto muito de fisica. Estudo sozinha e quando preciso, procuro algum profissional do ramo e troco umas ideias.
Para esta atual exposição "Súbita Matéria" que esta na galeria Artur Fidalgo , eu precisei da ajuda do pessoal da química. Resolvi explodir algumas coisas e estava ficando perigoso confeccionar explosivos caseiramente , então fui até o departamento de química da PUC RJ, e contei o que estava fazendo e eles me deixaram frequentar o laboratório. Acho que eles acharam melhor me manter por perto... no laboratório junto com um orientador, consegui pesquisar alguns materias bem interessantes!
Existem vários artistas que eu gosto . Brancusi , Pippilot Rist ,Doug Aitken , Miranda Julie, alguns surrealistas.
Trabalho em diversas mídias , esculturas , desenho , filme , fotografia .
Esta atual exposição na Artur Fidalgo é a minha segunda individual no Rio e é bastante importante para mim, pois sinto um aprofundamento da minha pesquisa.












Casa Explodida.


Marta Jourdan
Súbita matéria evanescente
Artur Fidalgo galeria
Esculturas feitas de fluidos, calor, ondas, oscilações. De velocidades, de deslocamentos, de dinâmicas térmicas. A matéria em seus estados alterantes. A matéria dos lapsos de pensamento, que invadem o limite do que para o pensamento sempre já passou: a sensação, o tom, o matiz. Fazer aparecer, na imagem, ao retardá-la até um único frame, esse movimento. O movimento que Marta Jourdan filmou é o do tempo interior. A forma dramática no momento súbito e evanescente de uma epifania.
A água não tem forma. O lugar que a contém, recipiente translúcido, explode. De um estado de contenção, concentração, se passa a outro de expansão, dispersão. A dispersão, a água, porém, já estava lá. De um lado, a entropia, latente, infiltrando desordem no sistema; de outro, a força organizadora, a linha do tempo. Marta cria uma situação em que o movimento é o mais rápido – a explosão, a maior desordem possível –, para colocá-lo mais lento, resistir ao máximo. O balé cine-atômico entre essas duas forças, ao mesmo tempo rápidas e lentas, é esculpido na imagem.
A água que explode reaparece como a chuva, e como o jato violento contra a performer-atriz. Cinescultura de velocidades e temperaturas encenada na clareira. A água, o amorfo, o líquido já tendo minado as estruturas depois de um longo período de infiltração silenciosa, irrompe de dentro das paredes. A casa explode. Roupas pelos ares. Extensões narrativas no ar, sem início ou fim.
A passagem de um estado a outro, transformadora, é ao mesmo tempo cíclica. O movimento lento quer deixar de ser cinema; a imagem parada, montada em séries fotográficas, quer se tornar um cinema de largas lacunas entre os frames, rarefeito.
A imagem dói mais do que a memória. A imagem busca sua unidade ainda mais dentro do plano, no frame. Matéria fantasmática. Uma vez isoladas num único quadro, imagens de momentos e situações diversas podem ser combinadas em proto-narrativas abertas. Na clareira, a performer-atriz convida para um chá prosaico forças contrárias da natureza. Elas estão infiltradas no dia-a-dia. O cotidiano nunca é naturalizado em 24 quadros por segundo. Se o cinema é a escrita do real como linguagem, como disse Pasolini, e nós vivemos a 24 quadros, Marta Jourdan filmou a 1000 quadros, mil vezes mais lento. O tempo do pensamento. O pensamento não tem tempo.
Fernando Gerheim





Bio


Com formação em teatro e cinema, Marta Jourdan completou seus estudos na Escola

Jacques Le Coq, em Paris (1990/93) onde desenvolveu técnicas de construção de

objetos cênicos. Neste período trabalhou no acervo do Centro George Pompidou, Paris.

Desenvolve desde 2005 uma série de esculturas cinéticas – engenhocas que transformam

os estados físicos da matéria. Além de esculturas, Marta trabalha em desenhos, fotografias

e vídeos. Participou da exposição Super 8 na Christopher Grimes Gallery, Los Angeles (2011)

com a projeção dos vídeos Zona de Lançamento #5. Seus videos foram exibidos no

Jeu de Paume, Paris (2007), no Instituto Goethe de Nova York (2008), Gandy Gallery,

Slovakia (2007) e Kunstverein Hamburg (2001). Participou do projeto Coleções

no Instituto Inhotim, Belo Horizonte (2010), Projeto Respiração na Fundação Eva Klabin,

Rio de Janeiro (2007), Multiplicidade,Sesc Pompéia, São Paulo (2008),

Nova Escultura Brasileira, Caixa Cultural, Rio de Janeiro (2011), entre outras.

Entre as exposições individuais destacam-se: Galeria Artur Fidalgo, RJ (2012),

Sesc Ipiranga, SP (2009 ) e Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, RJ (2008).



CV


Estudou História na Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em 2005.

Participou dos cursos Arte Hoje na Escola de Artes Visuais do Parque Laje entre 2005 e 2006.

Graduada em Teatro na Escola de Artes de Laranjeiras (CAL) RJ.

Cursou em Paris, França, a escola Jacques Le Coq entre 1991 e 1993 onde desenvolveu

projetos cenográficos. Estudou cinema no Rio de Janeiro, Brasil.



Exibições individuais


2012

Galeria Artur Fidalgo, RJ


2009

Sesc Ipiranga, SP


2008

Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, RJ



Exibições Coletivas


2011

Super 8 – Christopher Grimes Gallery, Los Angeles

Nova Escultura Brasileira, Caixa Cultural , RJ

Projeto Coleções – Escola de Artes visuais do Parque Laje, RJ

SP arte – Artur Fidalgo Galeria, SP

ArtRio – Artur Fidalgo Galeria, RJ


2010

Projeto Coleções – Instituto Inhotim, BH

Spa das Artes – Recife, PE

SP arte- Galeria Mercedes Viegas, SP

Arquivo Geral, RJ

Coletiva de fotografia – Galeria Mercedes Viegas, RJ

Coletiva 10 – Galeria Mercedes Viegas, RJ


2009

2 em 1 – Cavalariças – Escola de Artes Visuais Parque Laje (EAV), RJ

Projeto Coleções – Palácio Gustavo Capanema (FUNARTE), RJ

Leilão Bolsa de Arte, SP

SP Arte – Galeria Mercedes Viegas, RJ

Coletiva 09 – Galeria Mercedes Viegas, RJ


2008

Oferenda – Rhys Mendes Gallery, BH

H2O – Sesc Flamengo – curadoria Heloisa Buarque de Holanda

Sentido Centro – Panorama de Dança contemporânea , RJ

Projeto Multiplicidade – Sesc Pompéia, SP

coletiva 2008 – Mercedes Viegas arte Contemporânea, RJ

SP arte, Galeria Mercedes Viegas, SP

Arquivo geral – curadoria Fernando Cocchiarale, RJ


2007

Projeto Respiração – curadoria Marcio Doctors – Fundação Eva Klabin , RJ

Gandy Gallery – Bratislava, Slovakia

Jeu de Paume – Paris, França

Goethe Institut – New York, USA

Projeto Multiplicidade – Oi Futuro, RJ

CEP 20.000, RJ

Espaço Ôrlandia, RJ

Coletiva 2007 – Mercedes Viegas Arte Contemporânea, RJ


2006

A.H., Escola de Artes Visuais Parque Lage (EAV) ,RJ

Pylar_, RJ

Limite Fotos – Espaço Re[percursivo] ,RJ

Coletiva 06 – Mercedes Viegas Arte Contemporânea, RJ


2005

Pyrata_RJ

Mostra de Desenhos – Galeria A Gentil Carioca, RJ


2001

Rio Die Tapes – Kunstverein, Hamburg Holanda







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