terça-feira, 20 de novembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Leonardo Videla








Quem é Leonardo Videla?
Filho de pai argentino (artista) e mãe cearense (professora), nasci em Fortaleza , mudamos para o Rio ainda criança.
Fora 4 anos que passei em Portugal, moro e trabalho no Rio, a cidade entre todas as cidades. Adoro cada buraco dessa cidade, zona sul, norte, oeste, baixada, morros, favelas, enfim, a cidade. O Rio é minha Escola até hoje.

Como a Arte entrou em sua vida?
Não lembro de quando ela entrou, mas lembro de ter tentado tirá-la de mim por algumas ocasiões. Tentei ser micro empresario, ato heroico e acho que essa foi a maior experiência artistica que tive. Passei um final de infância e adolescencia no ajuste da dureza, a grana curta, mas tinha em casa uma biblioteca de livros de arte significante, comi
e bebi esses livros.



Como foi sua formação artística?
Pai artista, acho que parte de todo o procedimento de materiais e posturas pras disciplinas vem de casa. Depois, veio o MAM, eu era feliz e não sabia, entrei como monitor, entrava pela manhã e saia à noite, mergulhei de cabeça em um periodo de 3 anos. Fiz tudo, de Aluisio Carvão, Zé Maria, Sued, Gianguido, aos cursos teóricos à noite, o Zé virou um mestre referência na época pra mim, saiamos juntos, chope, pizza e muito papo de arte. Fiquei no MAM até o fechamento do Bloco Escola, se não me engano em 89. Na sequência, fiz EAV do Parque Lage, curso com Charles Watson.
Frequentei a EBA, mas sempre com muito esforço, a frequência do que eu procurava com o que eu encontrava ali não batia. Voltei a frequentar o Fundão como ouvinte no ano de 2004 na pós graduação, foi muito bom.


Qual foi a importância do estudo no exterior?
Estudei design grafico, trabalhei numa grafica em Lisboa, fiz os primeiros postais do Algarve junto com as imagens de um Inglês. Foi bom, mas novamente o melhor foi observar a cidade e a oportunidade estando em Lisboa de conhecer outras cidades européias.

Como você descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?

Meu trabalho se mistura com o que vivo e vivi, nos ultimos 10 anos faço uma reforma de Igreja na minha casa e tudo que esta ao alcance das mãos somatizo em trabalho de arte. Nessa casa " Bananeiras" criei uma plataforma artistica experimental, me nutri dessa experiência intensamente e acho que nesse momento estou decantando muito do que
passei nos ultimos anos.



Que artistas influenciam seu pensamento?

Muitos, acho que toda semana vejo ou revejo alguma coisa que acrescenta nesse acúmulo de informações, mas se eu quiser ser aqui essencialista ,tem um artista que levo junto sempre, Cézanne.

Além do estudo de arte, que outras infuencias entram em sua obra?
O olhar arquitetônico me acompanha diariamente.

É possível viver de Arte no Brasil?
Enquanto a relação da economia com o Minc estiver com um valor em torno de 1% do PIB, não considero razoavel dizer que é possivel viver de arte no Brasil. Quero dizer com isso, que a relação artista- galeria não é suficiente para justificar e avaliar essa pergunta ou essa questão.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Trabalho de qualidade, intelectualmente , poeticamente e tecnicamente falando.


Qual sua avalição sobre os Salões de Arte, alguma sugestão para aprimorá-los?Aprimorar, acho que é ter um juri cada vez mais competente e sério. Acho também que é um mal necessário no início de formação do artista.

Qual foi sua avaliação da ARTIGO?
Esse assunto do acesso e democratização do trabalho de arte contemporâneo gera uma discussão muito pertinente para o nosso momento atual. A Artigo foi um instrumento nessa discussão, talvez, a redução a uma ideia comercial sem um conceito de circulação do trabalho de arte contemporaneo, possa criar equivocos.
Acho que a Artigo prestou um grande serviço ao abrir espaço de visibilidade para os artistas que geralmente não tem espaço para mostrar seu trabalho dentro do restrito circuito carioca.


Quais são seus planos futuros?
Seguir trabalhando e estudando, seguir vivendo.














Caixa Construção em Cruz, 2008.






Metro, 2009.





Sugestão Habitacional, 2007.






Tijolo.





Barracão.







Nenhum comentário:

Postar um comentário