quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Chico Fernandes


Quem é Chico Fernandes?
Nasci aqui no Rio mesmo, em Botafogo, em 1984. Meus pais vieram de Porto Alegre e minha irmã que é dois anos mais velha, também é gaúcha.

Como a Arte entrou em sua vida?

Comecei a pintar com uns 14 anos, de verdade! Não foi na escola. Com 17 anos fiz vestibular para pintura na EBA /UFRJ , até passei na prova de habilidades específicas mas zerei em Física. Fui para Escola de Artes Visauis do Parque Lage, onde fiz cursos com Reynaldo Roels, Viviane Matesco e tive acompanhamento por quatro anos com a Maria do Carmo Secco. Não sei se para o bem ou para o mal, mas com certeza isso foi determinante para todo o meu percurso posterior.
Que artistas influenciam seu pensamento?

Todo dia eu me apaixono pelo trabalho de um artista diferente, agora estou amando William Kentridge, já conhecia seu trabalho mas esta exposição no IMS está sensacional. Apesar de muitos dos meus trabalhos serem ligados a performance, não vejo artistas performáticos como as maiores referências. Contudo admiro artistas como Marina Abramovic, Cris Burden e Vito Acconci, e na Bienal gostei de ver o holandês Bas Jan Ader e o islandês Sigurdur Gudmundsson. Mas eu acredito mesmo que minha maior influência está nas minhas visitas às Bienais, Inhotim, mostras aqui no Rio ou em viagens, onde vejo obras realmente potentes, que me marcam e me mostram um alto nível de qualidade, excelência, independente de qualquer tema, técnica ou discurso.


Como você descreve sua obra?
Ao longo dos anos utilizei processos e raciocínios variados. Existem coisas que são recorrentes como a utilização do corpo, quase sempre eu realizo as performances, utilizo bastante fotos e videos, criei algumas vezes videoinstalações onde o público imergia no trabalho. No início fazia performances pensadas para a fotografia, criava situações com o corpo no espaço e depois invertia a foto, ou então fazia fotos de saltos, explorando a ideia do instante fotográfico. Atualmente venho desenvolvendo projetos que lidam com a ideia de experiência, um acontecimento. Criar um embate para o corpo.


É possível viver de arte no Brasil?

Eu não sou muito otimista quanto ao mercado de arte e o futuro dos artistas. Eu comparo o fazer artístico com profissões como atletas de alto rendimento ou jogadores de xadrez. A questão é existencial, você faz porque não consegue não fazer, o jogador de xadrez quer ser o melhor, o mais criativo e habilidoso, os atletas querem superar limites para marcar seu nome. A vantagem do artista é que não tem hora pra parar. Alguns artistas conseguem viver de arte e isso é engraçado.


Como um performer é remunerado?
Quando sou convidado a apresentar uma performance em alguma instituição recebo pró-labore que costuma variar. O mais comum é fazer por prazer, apresentar algo que quero no meu tempo. Como faço muitas performances pensadas para fotografia, estas acabam sendo comercializadas.



De que maneira uma performance é construída? Você escreve um roteiro?
Nunca escrevi um roteiro, acho que a performance tende a ficar teatral, nada contra, adoro o Tunga e a Laura Lima. Mas prefiro pensar a performance como proposição, ficar com a cabeça presa na parede por horas, atravessar o trilho do metrô, entrar na jaula do tigre etc.



Quando você disse: Eu sou um artista?
Não lembro de um momento preciso, mas com certeza foi em 2002, pois foi o ano que comecei a estudar arte e já fiz minha primeira exposição coletiva.

O que é necessário para ser representado por uma galeria?

Eu estou a mais de um ano sem trabalhar com galeria então imagino que não seja a melhor pessoa pra falar disso. acho que o importante é ter foco, rumo, trabalhar, uma hora acontece.


Quais são seus planos e sonhos para o futuro?

Apesar da minha falta de otimismo em relação ao mercado de arte, eu gostaria de viver de arte. Não é pelo prazer de vender o que faço, nem ascender economicamente, é poder passar o máximo de tempo fazendo o que amo.




Coliseu, 2011. Foto Ronaldo Grossman.


Into the Drink, 2012.




Alegoria Chaparral, 2011-2012. Foto Pedro Victor Brandão.




Cage Rage, 2011. Foto Marcos Bonisson


Cage Rage, 2011. Foto Marcos Bonisson.



Bolha Chaparral, 2011. Foto Silvio Fernandes.



Arpoador, 2011. Imagens feitas em parceria com Marcos Bonisson.



Alegoria da Clareira, 2010. Foto Bruno Vieira.



14 de julho, 2007. Foto Andrea Cebukin.



Subways, 2007. Foto Andrea Cebukin.



Subways, 2007. Foto Andrea Cebukin.










Tensões sem Contato, 2006. Foto Silvio Fernandes.

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