quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Bruno Rios


Conheci o trabalho de Bruno por intermédio de Orlando Lemos, na ARTIGO. Convidei-o a participar de Conversando sobre Arte e percebi a maturidade de suas respostas. Bruno já é uma realidade como artista, vamos acompanhar sua trajetória. Obrigado Bruno, muito sucesso.









Quem é Bruno Rios?
Estudante de Artes Visuais pela UFMG na habilitação de Artes Gráficas, belo-horizontino, 22 anos.




Como a Arte entrou em sua vida?

Lembro que desenhava muito em carteira de escolas na época do colégio, mas nada muito sério. Acredito que os pontos cruciais na minha escolha foram o curso de desenho que fiz com Carlos Buere, professor e artista plástico de BH, e quando trabalhei no ateliê com a artista plástica Janeth Polck, antes mesmo de entrar na faculdade. Em seu ateliê além de desenvolver os trabalhos relacionados à sua produção Janeth me ajudou muito a compreender arte contemporânea e como ela se relacionava comigo, passei horas conversando com ela, lendo livros, catálogos e publicações.






Como foi sua formação artística?

Primeiramente a partir desses dois pontos: o curso com Carlos Buere e o trabalho no ateliê da Janeth. No mesmo ano prestei vestibular para Artes Visuais e não passei, só fui passar no ano seguinte em 2009 e, estou lá desde então.






Como você descreve sua obra?

Não trabalho com mídias específicas, procuro entender o que o trabalho necessita. Os trabalhos tem relação direta com o que vivo cotidianamente, os caminhos que faço pelo centro da cidade, o que percebo e penso como política, o que absorvo esteticamente e, como afeto e sou afetado por esse meio. O plano da cidade é de fato um campo de pesquisa no meu trabalho, pensar sobre as suas estruturas e relações, de que maneira me disponho sob ou sobre elas são caminhos que busco entender na realização das obras. Vejo meu trabalho como uma tentativa de compreensão do mundo mesmo, numa tentativa de fusão de corpo e espaço, buscando me comunicar silenciosamente com ele e, claro nesse processo ocorrem perdas e ganhos, afeto e sou afetado, acreditando que os processos de troca que ajudaram a constituição do trabalho atinjam de alguma maneira também o espectador.



Que artistas influenciam seu pensamento?
O primeiro soco na cara foi com Adriana Varejão, mas logo passou, conheci Oiticica e aí perdi o chão mesmo!

Hoje vejo que tenho uma enorme lista de artistas que me influenciam: Oiticica, Gordon Matta-Clarck, Rivane Neuenschwander, Lucia Laguna, Eduardo Berliner, Marcelo Solá, Bas jan Ader, Nuno Ramos, Diebenkron, Yuri Firmeza, Rothko, Barrio, Cildo, Jurger Partenheimer, e mais uma dezena...

Busco referências que não sejam das artes plásticas também, que estão na música, no teatro, enfim, perceber como eles se relacionam com meu trabalho também.




O que é ser um pintor no século XXI?

Não me vejo como um pintor apenas e sim como um artista realizador de coisas, a pintura é mais uma delas, mas não é minha prática fundamental. Na verdade as coisas que apreendo e consigo transformar no meu dia a dia são muito mais importantes que meu trabalho final. A pintura obviamente exige um outro tempo, um outro corpo, são processos de uma busca mais aprimorada, de uma relação mais íntima mesmo, isso me interessa, pensar nesses processos no século XXI, acho que o artista sempre pensou seu tempo, seja através da pintura ou qualquer outra mídia.




O que você pensa sobre os salões de arte?

Nunca participei de um. Acredito que se bem feito possam ser interessantes, a relação de mostra para artistas iniciantes é muito importante, as trocas ali realizadas e a visibilidade são processos que estimulam a produção de alguma maneira, mas acredito muito nas residências artísticas também, implantam um envolvimento maior, de incisão no seu trabalho mesmo.




Você é representado pela Galeria Belizário, BH, o que isso significou em sua carreira?

Acabei entrando para a Belizário logo depois de uma individual em decorrência de um prêmio, significa muito para mim hoje. Ser representado por uma galeria sendo tão jovem me faz perceber os processos de mercado, estar mais incluso em todos esses meios, ter mais cautela nas escolhas, enfim ter mais consciência sobre meu trabalho. Além disso é um espaço que me permite experimentar, dar vazão a novos projetos, financiar outros...


Que comentários você faz sobre o mercado de arte em Belo Horizonte?

Temos que entender primeiramente que o mercado de arte não se restringe à compra e venda em galerias e feiras, ele se estende por outros campos também. Belo Horizonte tem algumas poucas galerias, que não faço idéia como se relacionam com o mercado de arte, a não ser a Belizário. No entanto vejo em BH a potencialidade de movimentos alternativos à essas demandas, artistas que criam seu próprio núcleo de “mercado”, difusão e captação de recurso para fora desses espaços. É uma questão de escolha, de achar seu lugar mesmo, o bolo não é tão pequeno assim, tem um pedaço para todo mundo, mas tem de ter um trabalho bom, correr atrás.


É possível viver de Arte no Brasil?
Te responderei daqui a 20 anos...rsrsrs




Quais são seus planos futuro?Continuar produzindo, viabilizando meus trabalhos da maneira que for, participar de mais exposições, trocar com mais artistas, compreender melhor meu lugar no meio de tudo isso, enfim seguir vivendo conscientemente.








Varal








Berço.








Cabide.




























Babel Poética.






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