quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Marcio Fonseca entrevista Osvalado Carvalho









Quem é Osvaldo Carvalho?
Nasci no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo onde também cresci. Fui para Niterói um bom tempo e agora estou de volta ao Rio em uma casa na Tijuca próxima ao meu ateliê. Todos os meus estudos eu realizei em instituições públicas, Escola Municipal, Escola Técnica Federal de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Universidade de São Paulo onde, por último, fiz meu Mestrado em Artes Visuais.


Como a Arte entrou em sua vida?
Meio por acaso quando em 1996, em viagem de trabalho à São Paulo, um colega me convidou para ir à Bienal. Mas só em 2000, quando ainda iniciava um dos cursos da EAV Parque Lage, realizei meu primeiro trabalho intitulado Compro Arte, que acabou selecionado no Prêmio Interferências Urbanas 2ª edição daquele ano.


Como foi sua formação artística?
Foi construída em partes diferentes de acordo com os meus interesses. Não tenho graduação em artes, mas estudei desenho, depois escultura na oficina de esculturas do Museu do Ingá em Niterói, e a parte que considero mais importante foi a formação teórica que busquei solidificar em aulas particulares e leituras e análises de textos de vários teóricos de arte. Tudo isso me levou, por fim, ao mestrado na ECA-USP.


Como você descreve sua obra?
Desde o início sempre houve uma inclinação pelo uso da palavra, menos por questões conceituais que gosto pela leitura. Certamente que uma coisa vai levando a outra e pude agregar ao conjunto uma melhor distinção sobre minhas próprias indagações sobre o que é arte, qual o seu lugar, etc. Questões que seguem abordadas nas minhas intervenções públicas, mais recentemente realizadas na exposição Em Trânsito que fiz no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, TCU de Brasília, quando utilizei na verdade a área externa da galeria e do próprio TCU para expor. Contudo, sigo desenhando e fazendo esculturas num sentido que considero mais amplo que é a conjugação dessas habilidades para a consecução de uma obra. Por exemplo, posso juntar minha capacidade de desenhar para escrever um texto como o do trabalho Cegueira, e a isso também uso o conhecimento de um aplicativo no computador, ou na execução de Legendas da Arte, buscando elementos de lugares variados e referências como o Seja Marginal Seja Herói do Helio Oiticica junto com a foto do Alberto Korda do Che Guevara, e que nesse caso fiz a minha própria fotografia, minha própria montagem pop segurando um cartaz como faz um marginal no momento da fotografia para sua identificação. Em Arte Escorregadia e Transtorno são as noções de escultura que levam a desenvolver como realizar a estrutura para suportar as condições de tempo, que vieram das esculturas que realizei como Ménage à Trois e EIXO que são fruto de conhecimentos variados, desde o projeto/estudo da obra até sua apresentação final. Por outro lado recentemente tenho produzido pinturas que são outro meio de falar da mesma questão. Em Colored estou falando da condição social tanto quanto em Boys, de como funcionam as relações humanas, essa talvez seja a minha questão na arte. Minhas peças buscam tirar o espectador da condição de mero voyeur trazendo-o para o centro da discussão.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Martin Kippenberger e Cildo Meireles são daqueles artistas os quais estou sempre revendo. Mas não tenho fixação, eu gosto de ver as variadas produções de artistas mesmo os iniciantes. Creio que qualquer um pode me influenciar a qualquer momento. Muitas das vezes ocorre daí um questionamento que me instiga a produzir seja com trabalhos em exposições pessoais seja realizando exposições coletivas.



É possível viver de Arte no Brasil?
A pergunta que você levanta é muito recorrente em conversas de artista que tenho tido, principalmente nos papos com artista porque acham que viver de arte se refere a viver como artista. Mas viver de arte é um conceito maior, pois engloba professores de arte, arte-educadores, galeristas, críticos, curadores, conservadores, marchands, art advisors, dealers, montadores, iluminadores, fotógrafos especializados em obras de arte, entre outros. Arte, enfim, movimenta um número muito grande de profissionais que vivem dela. Agora, realmente, viver como artista é uma trajetória mais complexa. Todo aquele aglomerado que falei não existiria se não fosse o artista, ele é a base. Contudo, seu valor é relativo e depende de fatores os mais diversos. Costumo sugerir a leitura do texto de Duchamp O Ato Criador. Eu não tenho representação em galerias apenas trabalhos em consignação no Rio e em São Paulo. O que faço são projetos expositivos os quais submeto a editais com verba, prêmio, etc. dinheiro para fomentar outros projetos meus. Creio ser possível viver de arte como artista sim, há vários exemplos disso, mas seria leviano dizer que há lugar para todos.


Quando você passou a dizer, eu sou um artista?
Esse momento foi demorado porque quando realizei meu primeiro projeto veio logo com uma premiação e o que eu percebi é que muito me faltava para me intitular artista. Foi preciso que tomasse a atitude de conhecer com alguma profundidade o ofício. Parei por quase dois anos a produção só estudando. Em 2003, voltei à cena trazendo uma linha de pesquisas que eu propunha como marco inicial para mim. Comecei a dizer que era artista.


Qual a importância dos salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Os salões são para mim um sinalizador. Foi neles que pude ter uma apreciação da minha produção por pessoas muito mais capazes a custo zero. E há os prêmios que ajudam e estimulam. Vejo com simpatia essas realizações, são muitas pelo Brasil, portanto não temos como falar em preferências ou favorecimentos (pelo menos não na maioria dos casos) e sua contínua elaboração com novas aquisições dá a oportunidade ao artista de ter sua obra em um acervo público. Claro que uma ajuda de custo a todos os participantes é a melhor das práticas, e essa seria minha sugestão.


A Bienal de São Paulo será inaugurada no próximo mês, o que você espera dela? Ainda é um formato válido?
Entendo que já houve uma mudança de formato da Bienal de São Paulo que acompanhou as ocorridas em mostras desse tipo em todo o mundo. Devo confessar que tenho uma nostalgia pelo núcleo histórico que acompanhava as bienais. Como disse antes, minha primeira bienal foi em 1996 quando ainda existia aquele núcleo. Minhas expectativas são sempre em aberto, prefiro não criar demandas e deixar que aconteça, eu sei que no final algum proveito vou tirar daí.


Quais são seus planos futuros?
Em termos concretos espero estar com meu novo ateliê pronto até o final do ano e continuar produzindo. Tenho pensado em voltar para a universidade e fazer meu doutorado.


O que faz nas horas livres?
Durmo.





Arte Escorregadia.





Cegueira.




Boys.





Colored.





Eixo.





Eixo 1






Eixo 2.






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Legendas da Arte.




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Transtorno.

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