domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca Olivia Niemeyer Santos



Olivia Niemeyer Santos, Campinas


Olívia construiu seu belo currículo após os 50 anos, cursou o Mestrado e o o Doutorado em Linguística Aplicada na Unicamp. Passou a dedicar-se às artes plásticas e vem construindo uma interessante e vitoriosa carreira. Parabéns Olívia e obrigado por sua participação.




Quem é Olivia Niemeyer Santos?
Nasci no dia 7 de agosto de 1943, no Rio de Janeiro, mas nunca morei lá... Só ia passar as férias na casa das avós. Papai era advogado, morava no Rio, mas foi trabalhar em Araçatuba, noroeste de S.Paulo. Era assim que se fazia... depois de formado o interior era uma boa opção ... Mamãe era dona de casa, como eu fui durante a maior parte da minha vida. Aliás, a única coisa realmente interessante no meu currículo é que ele foi todo construído depois dos 50 anos !!! Isso aconteceu com muitas amigas da minha idade (nossa época é boa para envelhecer???) que voltaram a estudar, a trabalhar, depois dos filhos criados... Estudei em SP, colégio de freiras (Des Oiseaux e Santa Maria) e fiz o curso de Nancy, na Aliança Francesa. Aos 50 anos, mudei o rumo da vida: me separei, fiz mestrado e doutorado na Unicamp (Linguística Aplicada) e comecei a me dedicar às artes visuais de forma mais objetiva. Tenho duas filhas, um filho e três netinhos. Pode ser melhor?





Como a arte entrou na sua vida
A artista visual Nair Kramer, minha vizinha em Campinas, oferecia um curso chamado: “A coragem de criar”. Ela me deu o empurrão que eu precisava para, corajosamente, me entregar às artes. Com Nair, eu desenhava e fotografava os bueiros das ruas do meu bairro...




Qual foi sua formação artística?
Trabalhei 5 anos no ateliê da Vera Ferro, freqüentei durante uns 3 anos os seminários do Carlos Fajardo no ateliê da Silvia Matos e participei de todas as exposições que conseguia entrar, aprendendo a fazer portfólio, projetos, essas burocracias necessárias. Atualmente, faço uma especialização em Artes Visuais na Unicamp, com a coordenação da Lucia Fonseca e da Silvia Furegatti.







Que artista influenciam seu pensamamento?
Quem mais me influenciou (formou?) o meu pensamento foi o filósofo Jacques Derrida. A partir da desconstrução (também no sentido de ‘partir’, afastar-se) passei a ler textos e livros sobre arte contemporânea. Comentava esses textos com o Fajardo, depois com o Albano Afonso, com os professores na Unicamp e com o meu grupo de arte, o Antropoantro.



Como você descreve seu trabalho?
. Meu trabalho é feito, principalmente, com carimbos, colagens, monotipias, desenhos... Adoro papel e luto ao enfrentar uma tela em branco (luta desigual, muitas vezes saio perdendo e tenho que recomeçar do zero ou acrescentar camadas sobre camadas de tinta), uso poucas cores, me aproprio das fotos dos outros, dos quadros dos outros, dos livros dos outros, mando recortar desenhos de animais em chapas de aço, acrescento letras e textos nos meus trabalhos e adoro escrever sobre tudo isso (como você pode perceber). Privilegio transparências, “formas interrompidas e fragmentadas, foco de dispersão e multiplicidade”. Escrevo também historinhas infantis, publiquei três e tenho várias no forno... Todas tratam, indiretamente, com doenças, perda de cabelo, internação em hospitais. Não são comercializadas, são distribuídas nos colégios e instituições, patrocinadas por laboratórios e por edital da prefeitura de Campinas.







O que é o grupo Antropoantro?
O grupo Antropoantro foi formado durante os seminários que o Carlos Fajardo dava no Ateliê de Criatividade Silvia Matos. Fajardo veio regulamente a Campinas durante quase 6 anos e seus comentários nos guiou nos descaminhos da arte moderna e contemporânea. Temos um blog: http://antropoantro.blogspot.com.br/




É possível viver de arte no Brasil?
Viver de arte no Brasil é um privilégio de poucos... Mesmo os que são muito bem cotados aqui e no exterior, como o Albano Afonso e a Sandra Cinto, investem também em ateliês e orientam vários artistas (bem que eu gostaria de ser um deles...).









O que você estuda? Como se mantém atualizada?
Como já comentei, faço uma especialização na Unicamp (moro pertinho), um curso bem amplo, de 1 ano e meio. Às vezes penso em fazer outro mestrado, desta vez em artes visuais, mas preciso achar antes uma orientadora bem paciente... e que me aceite. O tema que me interessa seria baseado em Derrida, que se diz “pouco competente” para falar de arte, mas bem competente para falar sobre o discurso sobre arte. O meu doutorado incluiu a tradução de La Verité en Peinture, do mesmo filósofo, que ainda não consegui publicar.









Qual a sua opinião sobre os Salões de Arte
Sobre Salões de Arte: ainda não me cansei deles, tento entrar em vários e consigo em alguns. Aprecio, sobretudo, quando sei quem são os artistas envolvidos na escolha. Essa informação deveria constar nos regulamentos, pois é bastante pertinente para os artistas.




O que é preciso para tornar-se um ícone nas artes plásticas?
Como se tornar um ícone em artes plásticas? Bem, quando você descobrir me conte... Atualmente, aprendo, nos currículos dos artistas, que eles começam cedo, fazem boas faculdades, residência no exterior, ligam-se a outros artistas, fundam ateliês, dão aulas e contam com patrocínios e com a sorte. Leio em um texto do Oswaldo Correa da Costa: “não acredito que bom ou ruim possam ser características imanentes dos objetos [...] são construções culturais, projeções do sujeito sobre o objeto e não dependem necessariamente de nenhuma característica do objeto.” E continua, comentando que o “gosto dominante” (criado por críticos, historiadores, jornalistas, curadores, galeristas e colecionadores), embora pouco nítido e inconstante, eleva alguns artistas ao estatuto de ícones. Ainda Oswaldo: “Tudo é relação de poder, os ingênuos que me perdoem”. Bem, antes disso, é preciso construir um bom currículo e uma obra instigante, senão a sorte não vem...








Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos: continuar encantada com arte... Acredito que os caminhos que escolho não me tornarão um “ícone” das artes brasileiras, mas estou adorando a caminhada... A Bienal desse ano vai dar visibilidade a artistas pouco conhecidos, quem sabe num futuro não muito longe alguém me acha !!! Ou um crítico se interesse o suficiente para me incluir no “gosto dominante” do público brasileiro (!!!!!!) ou no mercado internacional (!!!!!!!!!!!!)?







O que faz nas horas livres?
Meu tempo livre é bem aproveitado: família, netos, amigas, ir a S.Paulo ver exposições, muito computador e pouca televisão, ginástica para manter a forma e a disposição. Leitura? Quase que exclusivamente textos teóricos (se você souber de um bom livro não teórico, me indique). Viagens? Poucas (o grupo expôs em Madrid, em 2011, foi maravilhoso), mas vou à praia com os netos. Cinema? Pouco. Muito vídeo.







































desenho de uma série sobre futebol


"Norte", apresentada em Fortaleza


série "Vestido de Baile", apresentada em Ribeirão


Na Galeria da Unicamp, desenhos e vídeo da série "O animal que logo sou"


"Hileia", no MACCampinas: telas e animais recortados em aço.


"O animal que logo sou" (telas )


visao geral da coletiva "No cubo branco" no MACCampinas


Tela da série "Hileia"


desenho da série "Auto-bio-grafismos"

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