quinta-feira, 19 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Wagner Walter






Walter Wagner





É sempre um prazer divulgar a obra de um artista de qualidade, o prazer é maior ainda quando ele se acha fora do eixo Rio/São Paulo. Walter Wagner apresenta essas duas condições. Seu trabalho merece ser conhecido por todos aqueles interessados em Arte. Com muita alegria traze,os para os leitores esse artista e sua incrível obra. Obrigado Walter por sua participação.

Walter Wagner, conte algo sobre sua vida pessoal.
WW - Sou natural de João Pessoa.

Como você começou a se interessar por Arte?
WW - Há um principio de habilidade para arte não continuada em membros da minha família, imagino hoje que fui à planta no meio da floresta em busca da luz do sol, suplantei a sombra.

Qual foi sua formação artística?
WW - Nos anos 80, fui para a Universidade e lá descobri a gravura em-metal. Freqüentei por seis anos o ateliê de gravura em-metal da UFPB. Sobre a orientação de Hermano José, um bom artista que morou no Rio de Janeiro por muitos anos, um admirador e freqüentador da casa do Mario Pedrosa. Para pintar, utilizava também o ateliê do NAC — Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB. Em 1990, fui morar em São Paulo, na cidade de Ituverava onde fiquei por um ano, neste período chegava a fazer trinta desenhos todos os dias. Antes de partir para residir na capital, queimei toda a minha produção deste período e anterior. Na capital, passei a freqüentar o ateliê de gravura do Museu Lasar Segall, para dar seqüência as minhas gravuras, de 1992 a 2003.

Que dificuldades você encontrou para desenvolver sua carreira na Paraíba?
WW - Não sou artista de ateliê, de fazer individual, gosto de exposições coletivas, tem troca é mais da minha natureza. Quando morei em São Paulo tinha ateliê, como ia lá eventualmente fechei. Meu método de trabalho hoje é primeiro organizar as idéias, colocá-las no papel. Tenho um Banker no centro da cidade com as coisas que preciso para materializar o que imaginei como obra, depois de concluída fica lá empoeirando. É assim que pretendo expor os trabalhos sem assepsia. As dificuldades são proporcionais á região que se estar produzindo, e têm vários aspectos, o da formação do artista é a mais relevante. Retornando de uma residência na Alemanha em 2003 não conseguia mais produzir, foi um período de hibernação involuntário, entrei em declínio total as poucas coisas que realizei neste período como a residência e exposição no Centre de Diffusion Presse Papier no Canadá ficaram em suspensão, não houve desdobramento nos trabalhos, posso dizer que são anêmicos. Em meados de 2009 houve uma lenta retomada. É a vida.
Que artistas influenciam seu pensamento?
WW - Há principio deveria ter sido a História da Arte e a filosofia, mas, comecei sem elas. Sou da periferia do Brasil e da periferia da minha cidade. Era eu e minha intuição, aqui na província, contemplava as pinturas dos tetos das Igrejas barrocas como referência. Os artistas que realizaram as pinturas da nossa mais importante Igreja barroca, a de São Francisco, aqui, em João Pessoa, são, em sua maioria, anônimos. Em minha adolescência, as visitas a esta Igreja me deixavam de pescoço duro, de tanto ficar olhando para cima. Depois, corria para casa, para pintar. Continuo a fazer isso hoje. Só que não corro mais para casa na ânsia de pintar. Quanto às referências, claro que elas vieram a contribuir na formação do meu pensamento. Os artistas Bruce Nauman, famoso por suas “instalações”, Joseph Beuys, com seus múltiplos, sua teoria de arte e vida, Guignard e seu conceito do desenho a lápis duro, deixando no papel encavos - para mim, isto é gravura; tenho utilizado tal método - e também Giorgio Morandi, com seu universo intimista e aquela pintura que chamo de “pintura caramelada”, porque dá vontade de comer.

Além dos estudos da arte, que outras fontes interferem em seus trabalhos?
WW - A vida é uma interferência constante na construção e desdobramento da minha poética, apreender o entorno é um exercício diário, a vida é muito dinâmica.

Que exposição você considera a mais importante?
WW - A mais importante será aquela que vai me propiciar um afunilamento de tudo que já produzi e isto será também proeminente no meu próximo livro que terá o título de ”Espada de São Jorge Comigo ninguém pode” duas plantas do misticismo popular.

Gravura, desenho, fotografia, objeto, pintura, gravura ou instalação como elas se completam? Alguma preferência?
WW - Meu trabalho hoje é excessivamente contaminado pelos meios, é de fato hibrido, não há preferência.

Você acabou de lançar um livro cobrindo sua produção entre 1990-2011, qual foi à sensação?
WW - É, foi bem cômodo lançá-lo no facebook, estava na minha cama e em 2horas vendi 18 livros aos amigos, e imagino que foi por meio do facebook que você chegou a mim. Uso ele como uma ferramenta de trabalho, só aceito pessoas da arte, artistas, curadores, galerias e instituição de arte, objetivei o meu propósito nas redes sociais e tenho uma atuação diária postando imagens dos trabalhos, divulgado e vendendo meu modesto livro. É um meio pratico e alternativo ao circuito da arte, do qual não tenho visibilidade nem media e nem mínima. A melhor sensação de produzir o livro foi perceber que existia a possibilidade de continuidade e produzir projetos gráficos para outros artistas, é o que estou fazendo no momento o livro de outra artista. Enfatizo que no meu fiz tudo, designer, fotografia e pesquisa, ele tem a minha medida e os problemas de um livro alternativo, levo dois anos para ser editado. Aprendemos na vida tentativa e erro, o próximo ficará melhor.

Qual sua opinião sobre as Bienais e as Feiras de Arte?
WW - Sem duvida, as instituições de arte e o mercado de arte cresceram no Brasil, e isto tem sido preponderante para a produção dos artistas. Eu diria que as coisas estão mais ventiladas. Temos excelentes curadores, Marcio Doctors, Paulo Herkenhoff e Rodrigo Naves. A arte no Brasil vai bem, e sem modesta somos merecedores a arte contemporânea brasileira tem muita qualidade.

Estar fora do eixo Rio/São Paulo afeta a carreira?
WW - Morei quinze anos em São Paulo era um artista anônimo, hoje resido em João Pessoa e continua anônimo, não há ressentimentos. A arte é sem duvida um arrebatamento, uma espécie de deslocamento do indivíduo, fantástico. A política e os meios de circulação são complicados um bom trabalho não é suficiente para se ter visibilidade. Na vida se faz escolhas, eu fiz as minhas.

Quais são seus planos para o futuro?
WW - O meu futuro será seguir o juízo e nada mais será lembrado, é a vida tudo passa.

O que você faz nas horas vagas?
WW - Penso e contemplo o horizonte, isto é bem importante para mim.













- 01
Mudança, 2001 - Açúcar e vidro sobre parede
02
De todos nós, roupa de todos, 2004/06 - Roupas costuradas, cedida por amigos e minha mãe. Tecido, alumínio, madeira, vidro e fotografia transparente

- 03
Mangabeira, 2008 - Tinta vermelha, cabelo e encáustica sobre mdf
- 04
Mangabeira, 2008 - Tinta vermelha, cabelo e encáustica sobre mdf

- 05
Mangabeira, 2008 - Tinta vermelha, encáustica e cabelo sobre mdf

- 06
Mangabeira, 2008 - Tinta vermelha, encáustica e cabelo sobre mdf
- 07
Mangabeira, 2008 - Tinta vermelha, encáustica e cabelo sobre mdf

- 08
Mangabeira, 2008 - Tinta acílica,encáustica, cabelo,vidro,madeira e plástico.

- 09
Mangabeira,2008/2010 - Madeira pintada, vidro, plástico e poeira
- 10
Cádmio, 2009 - Encáustica e grafite sobre mdf
- 14
Cádmio, 2009 - Encáustica, grafite, verniz, cabelo e vidro quebrado sobre mdf

- 16
Meu quarto, 2008 - Tinta vermelha e encáustica sobre mdf
- 17
Meu quarto, 2008 - Tinta vermelha e encáustica sobre mdf
- 19
Mudança,2003 - Gravura em-metal, água tinta técnica do açúcar e ponta seca
- 20
Mudança, 2003. Gravura em-metal, água tinta técnica do açúcar e ponta seca

- 21
Mudança, 2009 - Gravura em-metal, água tinta técnica do açúcar
- 22
Suspensão das partes sólidas, 2010 - Encáustia, fotografia sobre fotografia e impressão sobre vinil

- 25
Naval-Narval, 2010 - Grafite apagado sobre pvc
- 27
Naval-Narval, 2010 - Madeira, encáustica, cabelo e ferramenta
- 29
Naval-Narval, 2010 - Tecido e encáustica (fotografia)
- 30
Suspensão das partes sólidas, 2010 - Desenho e algodão sobre corpo
- 33
Catedral, 2010 - Fotografia (projeto)
- 35
Quintal, 2010 - Fotografia. Dimensões variáveis (projeto)
- 37
Guerra corta seus cabelos e vive triste, 2010 - Cabelo sobre fotografia
- 38
Queda de raio sobre mulher, 2011 – Alumínio e cabelo. Dimensões variáveis
- 39
Mandacaru, 2010 - Encáustica, alumínio e aço. Dimensões variáveis
02
Suspensão,2011 - Madeira, cera, passaro e gaiola.(projeto)

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