terça-feira, 17 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Victor Monteiro






Victor Monteiro

Victor jovem artista de Vitória, onde vive e trabalha mostra as dificuldades enfrentadas para tornar sua obra visível nos grandes centros. Dedicação e a força dos trabalhos já permite apontá-lo como artista vitorioso. Parabéns Victor e muito obrigado pela participação.

Victor, fale algo sobre sua vida pessoal
Nasci em 1984, em Vila Velha / ES. Filho único de uma mãe mineira e de um pai paulista. Também sou pai de uma princesa.Inquieto. Apaixonado por jogos de estratégia.Iria me inscrever para o curso de arquitetura no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES - mas, conversando com a atendente do caixa do banco na hora de pagar a inscrição, marquei Artes Plásticas. Já trabalhei em vários lugares, de entregador de panfletos ao serviço de compensação da Caixa Econômica.


Como foi sua formação artística?
Não venho de uma familia de artistas, mas acho que sempre gostei de desenhar, ou plantei essa memória como se fosse minha. Minha lembrança mais distante, se não me engano aos 5 anos, foi de um desenho feito para o dia dos pais. Me lembro de ficar um tempo enorme acabando com um lápis de cor para preencher uma área dele perfeitamente. Meus coleguinhas foram paro o recreio e eu fiquei tentando terminar, parecia que não tinha fim. A professora, depois de um tempo que eu estava ali, disse que era para eu aproveitar para brincar no parquinho, e eu fui. Quando entreguei o desenho para o meu pai me lembro dele agradecer e depois de um tempo, dizer que não tinha achado muito legal, porque eu tinha começado a fazer de um jeito e não tinha terminado.
Na adolescência comecei a me interessar por quadrinhos e fazia cópias de desenhos que me interessavam nelas junto com alguns amigos. Embora fossem estilizados estereotipados, me serviram como base para um estudo de anatomia.
Logo quando entrei na UFES comecei a fazer algumas pinturas. Tendo como referência os desenhos que fazia. Descobri algo que me proporcionou um prazer enorme. A produção individual/coletiva era bastante estimulada por alguns professores e outros alunos veteranos em horário extra-aula. Durante esse período, produzi bastante. Como não tinha dinheiro pra comprar materiais, recolhia pelo campus madeiras descartadas para serem utilizadas como suporte. Produzia um volume de coisas muito grande, e muitas coisas ruins, dai pintava por cima e começava tudo de novo.
Minha melhor escola, sem dúvidas, foram os corredores do Centro de Artes da UFES. Poder conversar, trocar pontos de vista sem a relação distanciada ‘professor - aluno’ que a instituição evidencia, e até mesmo considerar algum colegas como professores. Comecei a olhar mais pra mim, pro que eu vinha fazendo, pros materiais que utilizava e para o espaço onde estava.
Com o tempo passei a me arriscar um pouco fazendo outras coisas, como instalações em site specifc no próprio Departamento de Artes Visuais da UFES e fora dele. Me arriscar, porque não era algo que costumava pensar, mas que começou a fazer parte do meu pensamento aos poucos, a partir do momento eu que admiti que a pintura e o desenho, não davam conta de materializar o que me interessava estabelecer como diálogo.
Um momento importantíssimo foi a proposta ‘Deslocamentos’. A instalação foi apresentada na Galeria Homero Massena no final do ano de 2008 por Raphael Araújo e eu. Iriam ser feitas duas intervenções no abandonado Ed. das Fundações (em cima da galeria) as mesmas estariam sujeitas as intempéries, e sendo transmitidas ao vivo para a galeria; para tal, iniciamos os trabalhos no começo do mesmo ano, entretanto, fomos impedidos de dar continuidade na realização dos trabalhos pela Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo dado a “falta de condições” do edifício. A um mês da exposição, a solução oferecida pela Secretaria foi simples: ou alterávamos a proposta, ou a SECULT apresentaria uma justificatica que lhes conviessem para dizer que não haveria exposição. O que fizemos foi condensar as duas propostas no mesmo espaço expositivo e expor por meio de livro, todas as anotações e documentos referentes a todo esse processo.
Outro momento, foi o ‘Ateliê Ocupação’. Ludmila Cayres, Gabriel Borém, Gabriel Sampaio, Thaís Apolinário e eu - orientados por Luciano Cardoso - passamos para a Bolsa-Ateliê de Pintura, proporcionada pelo Governo do Estado do Espírito Santo, no ano de 2008 na Galeria Homero Massena. Essa experiência a meu ver foi sem precedendes. Proporcionamos algumas condições para que, além de nós, qualquer outra pessoa interessada pudesse participar conosco dessa vivência coletiva de produção.
No ano de 2010, fui contemplado no edital de Bolsa-Ateliê da Secult/ES, com a projeto Apontamentos - orientado por Luciano Cardoso. Foram 8 meses desenvolvendo o trabalho. Uma oportunidade de auto-[re]conhecimento única, e que culminou com uma exposição coletiva - com os 5 contemplados pelo edital: Júlio Tigre, Fátima Nader, Tom Boechat, Ignez Capovilla e eu - no Museu de Arte do Espírito Santo.
É claro que existem outros momentos e situações importantes, mas eu ressalto aqui alguns dos quais considero mais significativos para mim enquanto indivíduo; vale dizer que enquanto estivermos vivos, estaremos sempre em formação.

Que artistas influenciaram seu pensamento?
Luciano Boi, Didico, Lando, Luciano Cardoso, Colírio, Júlio Tigre, Simone Guimarães, Hilal Sami Hilal, Jeveaux, Gabriel Sampaio, Tatiana Sobreira, David Caetano e Coletivo Maruípe são de influência direta/indireta em muito do que venho produzindo. Especificamente pela proximidade de contato.
Nelson e Jac Leirner, Nelson Félix, Oiticica, Cildo Meirelles, Alfonse Mucha, Basquiat, Chirsto, Richard Serra, Moholy-Nagy, Sol LeWitt, Andy Goldsworthy, também fazem parte de minhas influências. Destes, tive a oportunidade de conversar com Nelson Félix uma vez após um bate-papo sobre sua exposição no Museu Vale, e de participar da montagem da exposição de Nelson Leirner - Vestidas de Branco. Ambos, foram pessoas muito legais.
Além destes artistas, considero que Paul Valéry, Foucault e Sartre também ocupam uma parcela de significativa importância.

Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
Observar as coisas. Acho que ser inquieto também ajuda um pouco. Não gosto muito de ficar parado; então procuro coisas para fazer, para mexer com as mãos, com o corpo. Em algumas dessas coisas consigo estabelecer pontos que considero interessantes, e a partir daí tento montar um quebra-cabeça sem um número definido de peças e que tenha uma lógica própria. Trabalho com montagem de exposições também, o que me proporciona um contato mais próximo com a obra de outros artistas e me insere, de certa maneira, em seus meios de produção.

Como você descreve seu trabalho como artista?
Produzo muitas coisas ao mesmo tempo. Coisas diferentes entre si; não consigo me manter num pensamento linear. Vou e volto nos trabalhos de tempos em tempos.Mas o que realmente me interessa, é aquilo que é laborioso. Acredito em uma certa artesania. Naquilo que se pode fazer com as mãos; que faz transpirar; que deixa o corpo dolorido. Que cansa física e mentalmente. Acredito que isso corresponda a algumas de minhas necessidades.

Qual sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestões para aperfeiçoá-los?
Eles apresentam uma boa possibilidade de dar visibilidade para trabalhos, principalmente para jovens artistas. A questão da premiação é muito importante como uma forma de reconhecimento do trabalho; entretanto, creio que o pró-labore seja o que realmente importa; pois é o que viabiliza o transporte das obras, a execução de algumas ou mesmo um acabamento para elas.


Você teve sua formação, vive e trabalha no Espírito Santo, isso torna sua inserção no mercado mais difícil?
Acredito que os artistas daqui tem de trabalhar muito mais, e exaustivamente, para poderem dar uma visibilidade mais abrangente a seus trabalhos. Aqui existem poucas galerias para um numero crescente de artistas produzindo. Embora haja um aumento de investimentos na área cultural, por meio do Governo do Estado, estes ainda são pequenos e limitados; e ainda faltam mais investimentos privados. Fora estas dificuldades, creio que a produção do Espírito Santo esteja no mesmo nível da dos demais estados brasileiros.

Você escreve sobre seu trabalho?
Não muito. Ultimamente tenho escrito por conta do meu trabalho de graduação. O processo de desenvolvimento de projetos para editais também é uma forma de escrita e reflexão, o que ajuda a tornar as idéias um pouco mais claras.

É possível viver de arte no Brasil?
Quero que seja.

O Brasil já tem condições de concorrer no mercado internacional de arte?
Penso que o foco não deve ser a concorrência no mercado internacional, e sim, uma solidificação do mercado interno, na proporção do nosso país; e a criação de uma identidade mais sólida para ele. É preciso lembrar também que, quando falamos de mercado, falamos de grana. E onde há grana, há interesse. Então, não sei claramente se estamos falando de arte, de grana ou de interesses...

Quais são seus planos para o futuro?
Viabilizar um local maior para minha produção. Onde eu possa desenvolver e acomodar meus trabalhos.

O que faz nas horas vagas?
Ultimamente tenho dormido e visto filmes - ficar em casa tem sido bem legal. E voltado a cuidar da saúde, jogando um futebol, dando uma corridinha.




Apontamentos (detalhe)



Rebele se



Selos



Sem título Cubo.



Sem título (diptico)



Linha



Sem título Pirâmide




Sem título Postop



Sem título Telhado.



Participação em exposições coletivas:

2011

- VI Salão de Arte Levino Fanzeres - coletiva - Sala Levino Fanzeres - Cachoeiro de Itapemirim / ES.

- Esculturas Urbanas - coletiva - Praça Victor Civita, São Paulo / SP.

- Edital 11 - coletiva - Museu de Arte do Espírito Santo, Vitória / ES.

2010/2011

- Projeto Apontamentos - Programa de Bolsa-Ateliê da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo.

2010

- Acervo Vivo - Proposição coletiva - Galeria Homero Massena, Vitória / ES.

- Luxoxil 27mg - Coletiva - Galeria Virgínia Tamanini, Vitória / ES

- Visões Contemporâneas - Coletiva – Galeria Homero Massena, Vitória / ES.

2009

- Vendo - coletiva - Ateliê de Pintura na galeria Homero Massena, Vitória / ES.

2008/2009

- Bolsa de Ocupação Ateliê de Pintura - residência artística coletiva, Anexo da Galeria Homero Massena, Vitória / ES.

2008

- Olhar sobre acervo/Escala Afetiva - coletiva - Galeria de Arte Espaço Universitário - UFES.

- Vitória - Coletiva - Galeria Arte e Pesquisa - UFES.

- Deslocamentos - Raphael Araújo e Victor Monteiro - Galeria Homero Massena - Vitória / ES.

- Os Jeveaux: Poéticas da Fragmentabilidade - Coletiva - Galeria de Arte Espaço Universitário - UFES.

2007

- Expo CEMUNI - coletiva - Centro de Artes da UFES.

- Projeto João de Bar - coletiva - Bar do João - Vitória / ES.

- Ócio ou oficio - coletiva - Galeria Dada - Centro de Artes da UFES.

- R$7 - coletiva - Centro de Artes da UFES.

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