sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Tulio Pinto

Tulio Pinto

Tulio Pinto artista gaucho, trabalha com esculturas. Atualmente participa de exposição no MARP, Ribeirão Preto. Uma obra madura e firme do ponto de vista conceitual. Tulio, obrigado por ter me recebido com tanta gentliza e parabéns pelos trabalhos.



Conte um pouco de sua história
Nasci em Brasília no ano de 1974 mas, em função de meu pai ser militar, morei a maior parte de minha infância e adolescência no Rio de Janeiro. Em 1993, fixei residência em Porto Alegre. Cursei o ensino médio no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Já em Porto Alegre, estudei no curso de comunicação da UFRGS sem concluí-lo. Em 2005, ingressei no Instituto de Artes da UFRGS onde me graduei em artes visuais com habilitação em escultura em 2009.


Como a Arte entrou em sua vida?
Em uma das aulas do curso Processo Criativo que fiz com Charles Watson em 2005, enquanto era apresentado para a turma um vídeo onde o artista Richard Long relocava algumas pedras em um deserto, lembrei de uma brincadeira que fazia quando criança e que estava muito bem guardada, até então, em alguma das tantas gavetas da memória. Pois bem; quando pequeno, em função das viagens de férias para visitar parentes, escolhia aleatoriamente uma pedra que me acompanharia até meu destino. Lá, ela seria abandonada para viver sua “nova vida”. Isso pode significar nada ou pode ser a síntese de um universo. Eu, desde muito cedo, me vejo preferindo a poesia que existe entre e nas coisas do mundo.

Qual foi sua formação artística?
Em 2004, estudei pintura no Atelier Livre de Porto Alegre com Daisy Viola e Marilice Corona. Foi quando decidi prestar o vestibular para Artes Visuais na UFRGS. Entrei para a turma do segundo semestre de 2005 do Instituto de Artes, pensando em pintura e aproveitei o primeiro semestre para fazer alguns cursos na EAV do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Foi então que conheci o Charles Watson e Luiz Ernesto Moraes. Com o Luiz fiz pintura durante esses seis primeiros meses de 2005 e com o Charles fiz o Processo Criativo. Depois, em 2007, reencontrei o Charles no Procedência e Propriedade, tendo também como orientadores Cadu e Fred Carvalho. O Charles é bem importante para minha formação. Certamente, ele é um “ponto de inflexão” em minha experiência como artista.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Responder a essa pergunta é bem complicado, mas posso citar Nelson Felix, Waltércio Caldas, Carlos Fajardo, Cildo Meireles, José Resende, José Spaniol, Richard Serra, Robert Smithson, Carl André, Richard Long, Robert Morris, Francis Alys, entre tantos outros.

Como você descreve seu trabalho?
Os conceitos de impermanência e transformação gravitam em torno do meu interesse. Todo projeto parte da ideia de promover o encontro entre materiais distintos – cada um carregando em si suas características de ser e de estar – gerando contrastes que acentuam suas particularidades. Peso, rigidez e elasticidade são algumas das qualidades acionadas por princípios físicos que regem o mundo em que vivemos. Os eventos resultantes das proposições que procuro estabelecer trazem à tona um caráter performático dos materiais empregados - protagonistas de eventos geradores de tensão, equilíbrio, compressão, deslocamento e suas possíveis derivações no espaço e tempo. Procuro criar, através de minhas proposições, nos diálogos que estabelecem por meio das leis que determinam sua existência – leis do mundo – um lugar de experiência e reflexão.


Que fatores influenciam na elaboração de sua obra?
Acho que a escolha dos materiais que vão estabelecer o “diálogo” e a forma (arranjo) como isso vai se dar no espaço são dois fatores bem importantes. No mais, o processo de elaboração e especulação é extremamente mental e também derivativo de trabalhos já executados.


Você é representado por galeria?
Sim. Pela Galeria Baró.


Você consegue viver da arte?
Ainda não. É realmente bem difícil viver exclusivamente do trabalho como artista, mas de uns tempos pra cá percebo que o retorno começa a aparecer.


Você ganhou o prêmio do salão de arte de Ribeiraõ Preto para uma exposição no MARP, como foi a experiência?
Graças ao 35° SARP pude conhecer o Nilton Campos (diretor do MARP) e toda sua equipe. Tem sido uma experiência e tanto! São extremamente profissionais e parceiros. Eles conseguem fazer milagres se levarmos em conta as limitações financeiras e estruturais que os espaços públicos têm em nosso país. Além disso, desenvolvem um trabalho no setor educativo que é de tirar o chapéu.

Qual sua opinião sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Acredito que sejam boas ferramentas para divulgação de artistas e seus trabalhos. Não acreditoque seja um papel de Bienais, mas elas podem contribuir, e muito, no que diz respeito à educação.

Como está a arte contemporânea no RGS?
No Rio Grande Sul, existem instituições de ensino relevantes e artistas com uma excelente pesquisa e produção em arte contemporânea; só não há um sistema local que dê conta de absorvê-la. Mas acredito que isto esteja se transformando. Recentemente, com a mudança de governo, tivemos a notícia de uma escalação, que parece ser promissora, para os cargos de direção do MARGS, MAC - RS e Casa de Cultura Mario Quintana – instituições importantes da cidade de Porto Alegre e que estavam completamente obsoletas. Não posso deixar de citar a figura de Bernardo de Souza, diretor da Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura, que consegue trazer para a cidade exposições extremamente relevantes no cenário nacional e internacional e o Instituto Goethe de Porto Alegre que, por meio de edital anual para seu programa de exposições, tem contribuído para o sistema das artes de Porto Alegre e chamado atenção de artistas de fora do estado. Além disso, temos a Bienal do Mercosul, a Fundação Iberê Camargo e a Fundação Vera Chaves Barcelos, que contribuem para um fluxo de informação e transformação do circuito artístico local. O grande paradoxo, a meu ver, está no fato de, em meio a toda essa fertilidade desenhada acima, existir um mercado de arte local atrofiado, composto por no máximo, e com muita boa vontade, três galerias comerciais, onde o colecionismo é pouco estimulado - existindo em um circuito restrito – e, consequentemente, onde a produção contemporânea jovem tem praticamente nenhuma entrada.


Você consegue financiamento para elaboração de projetos artísticos?
Sim e não. Com relação a projetos artísticos pessoais, ainda não tive a felicidade de ser contemplado por nenhuma ferramenta de financiamento público ou privado. Continuo tentando. O que ocorre é o autofinanciamento, ou seja, quando acontece a venda de algum trabalho, ele funciona como combustível de retroalimentação para gerar um próximo que, até então, existia como projeto.
Minha experiência com financiamento público que se efetivou vem do meu envolvimento com o Atelier Subterrânea (www.subterranea.art.br), onde sou um dos integrantes junto com outros cinco artistas. A Subterrânea é um espaço independente gerido por artistas e que existe em Porto Alegre desde 2006. De lá pra cá, de forma sistemática, realizamos 33 exposições - sempre promovendo conversas com os artistas participantes - mostras de vídeo, performances, workshops e apresentações de música experimental. Em 2009, conseguimos financiamento do FUMPROARTE (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre) para edição e publicação de um livro bilíngüe, apresentando as atividades produzidas pelo espaço entre os anos de 2006 e 2009. Em 2010, fomos selecionados pelo edital Conexão Artes Visuais da Funarte com um projeto que consistia na realização do calendário de exposições, palestras e workshops já pensados para aquele ano. Iria acontecer de qualquer maneira, como acontece desde 2006, mas com o financiamento do edital conseguimos uma profissionalização maior de toda rede que acionamos em nossas atividades e um fôlego para repensar o espaço e suas possibilidades.

Quais são seus planos para o futuro?
Realizar o próximo projeto.

O que você faz nas horas livres?
Nas horas livres, entre um gole de café e outro, penso em alternativas de como realizar o próximo projeto – pessoal ou subterrâneo.

Compensação

Diagonal

Linhas


Dispositivo Temporário.




Tempo

Construção Temporária

Construção Temporária II
Situação de Encontro.

Duas Grandezas
Cumplicidade
Vetoriais.



Túlio Pinto, brasiliense radicado em Porto Alegre há uma década, trata da transformação das coisas pela ação do tempo. Ele queestrutura a poética de seus trabalhos em estreita relação com as características dos materiais utiliza. Peso, rigidez, fragilidade e elasticidade são os pontos focais de seu discurso visual. A potência metafórica surge, paradoxalmente, da precariedade e impermanência que instaura.
Interessa a Túlio explorar as metáforas embutidas nas leis da física, que agem nas delicadas paredes de látex das bexigas coloridas, pressionadas por grossas placas de concreto. A dinâmica desse convívio entre naturezas opostas e, mesmo assim, estranhamente complementares, estabelece um lugar imantado de tensões. Algo parece respirar, esgotar-se lentamente como um suspiro. Respiração agônica que precisa ser examinada com cuidado, várias vezes, em diversas ocasiões. Quase como quem ausculta com piedosa compaixão a nós mesmos, urbanóides cercados de pesadas estruturas do viver.





Angélica de Moraes

Setembro de 2010

Trecho do texto escrito para a exposição Paralelo 30 – Sesc Pompéia - SP


Túlio do Santos Pinto | Currículo

Túlio Pinto nasceu em Brasília em 1974. É formado em Artes Visuais com habilitação em escultura pela UFRGS (2009). Vive e trabalha em Porto Alegre onde é co-fundador e integrante do Atelier Subterrânea

Exposições Individuais

2011 | Diagonal | MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto | Ribeirão Preto - SP

2009 | Trajetórias Ortogonais | Instituto Goethe | Porto Alegre – RS

2009 | Duas Grandezas | Galeria Iberê Camargo – Usina do Gasômetro | Porto Alegre - RS

2006 | Recentes | Galeria Xico Stockinger | Casa de Cultura Mário Quintana | Porto Alegre - RS

2005 | Do Acúmulo à Saturação | Galeria Por Amor à Arte | Porto – Portugal

Exposições Coletivas

2011 | 72 Horas | MAC – RS | Porto Alegre - RS

2011 | Rastros de Aserrín | Centro Cultural Parque de España | Rosario - Argentina

2011 | Do Atelier ao Cubo Branco | MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul | Porto Alegre - RS

2011 | Instâncias do Desenho | Galeria Augusto Meyer – Casa de Cultura Mário Quintana | Porto Alegre - RS

2011 | Horizonte Vazado: artistas iberoamericanos en el filo | Instituto Cervantes | São Paulo SP

2011 | The art of constructing | The Shadow House | Londres - Inglaterra

2010 | 20 e poucos anos | Baró Galeria | São paulo - SP

2010 | Projeto Tripé – Paralelo 30 | Sesc Pompéia | São Paulo - SP

2010 | Horizonte de Eventos | Fundação Ecarta | Porto Alegre - RS

2010 | 35° SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo | Ribeirão Preto – SP

2010 | Espaços Compartilhados | Galeria Gestual | Porto Alegre – RS

2010 | Céus Artificiais | Galeria Lunara | Usina do Gasômetro | Porto Alegre - RS

2009 | Oi Expressões | Porto Alegre – RS

2009 | Entre Séculos | Museu Nacional de Brasília | Brasília – DF

2009 | Atelier Subterrânea | Galeria de Arte do IAD – UFPel | Pelotas - RS

2009 | Arte no Porto III | Cotada SA - UFPel | Pelotas – RS

2008 | Subterrânea | ESPM | Porto Alegre - RS



Prêmios

- V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas - Destaque de espaço institucional, público ou privado, de divulgação artística – Atelier Subterrânea

- Prêmio Aquisição Leonello Berti – 35° SARP

- Prêmio Conexão Funarte/MinC/Petrobras | Projeto “Programa de exposições Atelier Subterrânea 2010/2”

- IV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Destaque em Escultura 2009

- III Prêmio Açorianos para Projeto Alternativo de produção plástica 2008 – Atelier Subterrânea

- Concurso de criação de painel para o Anexo II da UFCSPA' – 2° lugar na seleção de projeto para a licitação de obra pública – 2009

Acervos Públicos

Museu Nacional de Brasília - Brasília - DF

Museu de Arte de Ribeirão Preto - Ribeirão Preto - SP

Pinacoteca Municipal Aldo Locatelli - Porto Alegre – RS

Outros

2011 |Residência Artística FAAP – Edifício Lutetia | São Paulo - SP

2011 |Bolsa Iberê Camargo 2010 – destaque na Revista Digital da Fundação Iberê Camargo

2011 | Projeto 72 Horas | Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre | Porto Alegre - RS

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