domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Simone Tomé




Não conhecia o trabalho de Simone Tomé, mas ao ler seu depoimento imaginei algo muito pessoal e de qualidade, fato constatado ao ver as fotos e informações dos vídeos e performances. Parabéns Simone. Obrigado


Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci em 1978 na cidade de Sorocaba, interior industrial de São Paulo. Sou técnica, graduada em Ciências Contábeis e mestre em Administração de Negócios. Trabalhei na área dos 18 aos 30 anos. Em 2008 comecei meus estudos sobre arte cursando Artes Visuais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Hoje moro no Rio de Janeiro e me dedico à pesquisa e produção artística.


Como foi sua formação artística?
Desde os meus 04 anos de idade tenho lembranças de pensamentos poéticos sobre coisas e fatos que aconteciam ao meu redor. Questionamentos sérios que as crianças fazem desde cedo, pelo menos eu fazia. Essas reflexões, essa sensibilidade, estão comigo, fazem parte de mim. Considero isso o inicio de minha formação, o inicio de um olhar sobre as coisas. Sempre tive meu ponto de vista e a defesa dele. Desenvolvi isso desde pequena, levei isto para onde passei e às pessoas que conviveram e convivem comigo. Depois vieram a pintura, o desenho, a fotografia, a dança e o pensamento sobre a arte, mas o que me mantém ativa sem dúvida é essa memória sensível.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Meus pais. Hoje só venho a confirmar que esta essência é sempre o que encontro, o espelho, o que sou, e ao mesmo tempo o reflexo do todo. Posso lhe dizer nomes como Pina Bausch, David Hockney, Duane Michals, Martha Rosler, Janaina Tschape, Deleuze, Nietzsche, o qual eu busco referencias, mas no fundo eu acabo é me encontrando e aprendo algo mais sobre mim e do todo.


Como você descreve sua obra?
Não posso chamar meus trabalhos de obra. Tenho um pensamento crítico sobre as coisas e as expresso através do que desenvolvo e pesquiso. Isso pode se dar de diversas formas, mas principalmente do que gosto de fazer: questionar.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Acreditar que tudo está conectado.


Ser casada com um artista plástico (Alê Souto) ajuda ou atrapalha na construção da carreira?
Faz parte da minha vida e vida é simples e complexa ao mesmo tempo. Há que ter cuidado, casamento é uma coisa, trabalho é outra. Além disso, nosso tempo de estrada é diferente, eu estou começando e tenho consciência disso e ele também. Tempos distintos que devem ser respeitados. Isso é uma prática de todo dia e todo dia se aprende um pouco mais.

Você tem uma rotina de trabalho?
Trabalho e vida para mim é uma coisa só, minha rotina é a vida.

É possível viver de arte no Brasil?
Viver de arte é possível em qualquer lugar e por qualquer pessoa. A arte não esta presa a nada e nem a ninguém. Agora, mercado de arte é outra coisa, o buraco é bem mais baixo, ou alto demais.

Como uma performance é remunerada?
Boa pergunta, essa é difícil de responder.

Você foi selecionada para o Salão de Pequenos Formatos, qual a importância para sua carreira?
Isso é importante para a carreira do trabalho, para os colecionadores, para a galeria que visa novos “talentos” para o mercado. Eu continuo minha pesquisa e minha produção. Porém confesso que foi como se alguém atendesse a uma ligação de emergência, como se a fila do banco andasse, como se alguém que me devesse dinheiro, depois de já ter esquecido, depositasse-o na minha conta!

Quais são seus planos para o futuro?
Tenho planos para o presente, através dele se escreve a vida não é?

O que você faz nas horas vagas?
Horas vagas?







Pensando Muybridge, 2009.






Sem título Parte da sequência de 10 fotos sobre corpo, 2011







Série invasores, 2012







Performance Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, 2012. Colaboração Alê Souto.






Frames do vídeo Deslocamentos, 2011.






Reflexões sobre o corpo, 2010. Frames do vídeo.





Reflexões sobre o corpo, 2010. Frames do vídeo II.









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