sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Rui Pedro Jorge

Rui Pedro é um jovem pintor português. Ele passou uma temporada no Rio de Janeiro como parte de sua formação sob o patrocínio de uma bolsa de estudos. No Rio de Janeiro participou da exposição Impressões Ibéricas na LGC Arte Contemporânea. Atualmente está em um período de aprofundamento em Bilbao na Espanha. Muito aplicado, estudioso, sério e dedicado será nome de destaque na arte contemporânea portuguesa. Obrigado Rui.

Rui Pedro Jorge

O que você contaria sobre sua vida pessoal?
Nasci em Lisboa, no ano de 1987, lugar onde vivo pela primeira vez á cerca de 6 meses. Sou filho de pai militar da Armada e mãe bancária. Durante a minha infância mudei de escola diversas vezes, mas já na adolescencia fui estudar para a Escola Secundária Artística António Arroio em Lisboa, onde aprendi muito. Actualmente estou em Bilbao, Espanha, a realizar um projecto de pintura na Fundação Bilbaoarte.

Qual foi sua formação artística?
A minha formação artística começou precisamente na Esc. António Arroio, onde frequentei um atelier livre de artes plásticas e “estudei” design de equipamento - curso que o meu pai adorava que tivesse realizado a nível universitário, mas consegui demove-lo. Consegui dar-lhe a entender que para estar desempregado ou ser trabalhador de part-time (como acontece com muitos jovens licenciados) eu preferia seguir os estudos em Artes Plásticas - Pintura, que é o que sempre gostei, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Entretanto durante o período de estudos universitários passei pela AVU em Praga, Républica Checa, e no último ano pela EBA UFRJ no Rio de Janeiro.

Que artistas influenciam em seu pensamento?
Existem muitos artistas que tenho como referência ou de quem simplesmente gosto do seu trabalho; estes podem ser renascentistas, barrocos, romanticos, pré e pós impressionistas, podem fazer parte do modernismo ou serem artistas contemporaneos. Confesso que dou especial atenção a artistas que pintam, mas não só. Brueghel, Paolo Uccello, Goya, Friedrich, Eduardo Batarda, José Loureiro, Peter Doig, Nigel Cooke, Luiz Zerbini, entre muitos outros, são artistas pintores que eu admiro e tento perceber.


Como você descreve seu trabalho?
Não gosto muito de falar do meu trabalho. O meu trabalho tem-se desenvolvido através da pintura em torno de preocupações abstractas e figurativas, ou seja o espaço pictórico.


Você passou um período no Brasil vivenciando nossa arte, como foi essa experiência?
A experiência no Rio de Janeiro foi muitíssimo positiva, todas as semanas havia coisas novas a acontecer no panorama artístico e cultural. Mas não foi um período fácil! Cada vez tenho melhor consciência de mim e de que sempre que mudo de lugar necessito de passar por um longo período de adaptação; contudo tive a sorte de ter o apoio do Rui Brito (Galeria 111) e da minha família. Felizmente conheci pessoas como o Alexandre Murucci, o Ascânio MMM e a Gloria Alonso - uma jovem artista espanhola - entre outros que aí foram a minha família. Mas claro, houve muitas outras pessoas que foram importantes para mim na minha descoberta do Rio de Janeiro.
O Rio foi a maior cidade onde já vivi e foi com muito entusiasmo que tentei acompanhar a oferta cultural da cidade, que é espantosa, frequentei muitas galerias, e vi muita arte de artistas brasileiros e algum teatro o que foi muito enriquecedor. Aprendi muito e consegui abrir os meus horizontes a novas formas de trabalhar - tanto que ainda estou a digerir.


Que dificuldades você vê para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Nos nossos dias ser um jovem artista representado por uma galeria é muito bom, isto é no meu ponto de vista, mas não é tarefa fácil, e talvez seja ainda mais difícil num pequeno pais de cara virada para o Atlântico. Existem compromissos que podem parecer ingratos mas quando se trabalha com alguém que faz um trabalho de que se gosta, recompensa. Existem muitos jovens artistas que não tem qualquer tipo de representação e que vão fazendo os seus projectos, muito dignos e interessantes. O que é importante é que se trabalhe muito. Também muito importante é ser-se humano, e isso é o passo para que as coisas possam acontecer da melhor maneira. Uma galeria é um parceiro com quem se tem um acordo, que no meu caso me apoia e ajuda a desenvolver enquanto artista mas mesmo assim por vezes não é fácil.

É possível viver de arte ?
Eu não consigo viver da arte, e penso que muitos jovens artistas estão na mesma situação que eu! Portugal é um pequeno país com um pequeno mercado de arte e imensa oferta.


Você tem uma rotina de trabalho?
Desde os meus 15 anos que a rotina de trabalho apareceu, faz parte da minha vida, mas claro com o tempo comecei a sentir a responsabilidade do que isso significava e dos planos que tinha para o meu futuro. Sou uma pessoa que gosta de alguma rotina no dia a dia; não vejo a rotina como uma coisa aborrecida quando se faz algo de que se gosta. Contudo este é um trabalho como os outros e há dias bons e maus. Semanalmente, nos últimos 2 anos, tenho trabalhado durante toda a semana mesmo quando não tenho projectos em vista para que não se perca o ritmo. Mas considero sempre a possibilidade de fazer um dia de pausa. Esta rotina não significa ter sempre o pincel na mão, estar no estúdio é parte fundamental do trabalho bem como sair para respirar.


Que museu você gostaria de fazer uma exposição.
Por razões pessoais diria no Pinchuk art center, ou DOX em Praga, MAM Rio, no entanto isto ainda me parece um pouco prematuro, tenho é que trabalhar muito!


Como a arte contemporânea portuguesa é vista em Portugal e na Europa?
Não quero ser ingénuo, penso que é vista com bons olhos tanto em Portugal como na Europa e mesmo no mundo, as propostas interessantes são bem aceites seja onde for. A arte contemporanea portuguesa não é alheia ao que se passa no mundo e tem capacidade de apresentar propostas frescas. É necessário ter em conta que Portugal é um país pequeno.

Quais são seus planos para o futuro?
Trabalhar muito e aproveitar oportunidades que surjam.

Participar de Bienais está nos seus planos
Claro que sim! Se houver a oportunidade!

O que você faz nas horas livres?
Ocupo os tempos livres com alguma leitura e bons e maus filmes; falo com os amigos (não serão muitos mas são bons), à distancia se não for possível estar com eles pessoalmente. Quando posso, vou até à praia surfar um pouco, tento correr frequentemente para arejar a cabeça. Sempre que posso viajo, e visito museus e galerias, etc

Caravela Portuguesa (2009) 170x135 cm.

Jardim do Segundo Império


Série Avenida Fernão Magalhães.

Bolota para Porcos (2010) Técnica mista. 116x89 cm.


Rui Pedro Jorge e Alexandre Murucci na exposição Impressões Ibéricas, RJ Foto Odir.



Rui Pedro Jorge (Lisbon, 1987). He graduated in Fine Arts from the University of Oporto (Portugal) and specialises in painting. Between 2008 and 2009, he was at AVU, Prague (Czech Republic) on an Erasmus programme and last year he studied at the UFRJ School of Fine Arts of Rio de Janeiro (Brazil) thanks to a prize awarded by Banco Santander/University of Oporto. That same year, he held his first and only individual exhibition, titled Protugués. Hombre de guerra at Lisbon’s Galería 111. His projects also include participation in numerous collective exhibitions: América portuguesa (with Diana Carvalho and Tiago Cruz) at the National Library of Lisbon (2008), Mémy Grafiky 2 in Ceské Budejovice, (Czech Republic, 2009), Impressões Ibéricas (with Gloria Alonso) at Lgc Arte contemporánea (Rio de Janeiro), Século XIX – 10 Años, Centro de Arte Manuel de Brito, Oeiras (Portugal), Terraço curated by Filipa Oliveira at Arte Lisboa 2010, International Fair of Lisbon, Fidelidade-Mundial at Chiado 8 (Lisbon, 2011) and the Young Painters Prize (2011).



- Curriculo artístico -

Frequentou, a Escola Secundária Artistica António Arroio, onde desenvolveu estudos tecnológicos de Design de Equipamento, onde participou activamente no Atelier de Artes Plásticas, dirigido pela artista Luisa Soeiro.

Actualmente frequenta o 4º ano do curso de, Artes Plásticas Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

No ano léctivo 2008/09 frequentou atraves do programa Erasmus a escola AVU em Praga, Républica Checa.

- Bolsas / Prémios -

2008 - Menção Honrosa no XVI Salão de Primavera da Galeria de Arte do Casino do Estoril.

2004 – 1º Prémio do 1º Grupo da 8ª Edição do Concurso de Jovens Pintores de Fidelidade Mundial.

- Exposições individuais -

2010 - PORTUGUESE MAN-OF-WAR, Galeria 111, Lisboa.

- Exposições colectivas -

2009 - Colectiva de Artes Plásticas - Encontros entre Arte e Saúde - Unidade de Saúde Familiar Porto Centro – Porto;

2009 - exposição colectiva, Mémy Grafiky 2, České Budějovice, Républica Checa.

2008 - exposição colectiva, Colectiva de Natal, Unidade de Saúde Familiar Porto Centro – Porto

2008 - exposição colectiva, Colectica de Verão, Unidade de Saúde Familiar Porto Centro , Porto.

2008 - exposição colectiva, ”América Portuguesa”, Bibllioteca Nacional, Lisboa.

2008 - exposição colectiva, Prémio D.Fernando II, Sintra.

2008 - XVI Salão de Primavera da Galeria de Arte do Casino do Estoril.


2006 – exposição colectiva, galeria Corrente d’arte, Lisboa.

2006 – exposição colectiva, Premio de Pintura Shopping Brasília, Porto.

2005 – exposição colectiva, Escola Secundaria Artística António Arroio, Lisboa.

2005 – exposição colectiva, tema “Inês de Castro ”, Biblioteca Nacional, Lisboa.

2005 – exposição colectiva, galeria Ceutarte, Lisboa.

2005 – exposição colectiva, galeria Magia Imagem, Lisboa.

2004 – exposição colectiva, galeria Corrente d’arte, Lisboa.

2004 – exposições relativas á 8ª edição do Concurso Jovens Pintores Fidelidade - Mundial.

2003 – exposição colectiva no âmbito do Concurso de Pintura de Mural da E.S.A. António Arroio, Lisboa

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