sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Ricardo Newton



Ricardo Newton

A entrevista com Ricardo Newton foi realizada em seu ateliê localizado em Copacabana. Foi possível ver as obras do seu período clássico e a progressão para o Realismo Urbano. Obrigado Ricardo por me receber com tanta gentileza e por participar de Conversando sobre Arte.

Ricardo, fale algo sobre sua vida.
Nasci no Rio de Janeiro, estudei no Colégio Santo Inácio e vivi sempre na zona sul, o que viria a influir em minha produção artística no futuro.
Como foi seu encontro com a Arte?
Minha ligação com a arte deu-se de maneira curiosa. Eu, em criança, fazia pequenos desenhos, copiando gravuras de revistas. Um dia minha mãe, levou um deles para mostrar a um frade alemão amigo de nossa família: o Frei Patrício. Ele gostou muito e escreveu ''meus parabéns'' no desenho. Minha mãe ficou entusiasmada, e, a partir de então, passou a me incentivar muito e costumava me encaminhar a professores particulares de pintura. Certa vez, já quando eu tinha uns 17 anos, ela procurou o pintor Oswaldo Teixeira, mas como este não tinha horário disponível, sugeriu um colega que também dava aulas:Edgard Cognat. Este artista havia sido aluno de Carlos Chambelland que foi discípulo de Rodolfo Amoedo,um dos grandes pintores brasileiros. Com o professor Cognat tive um longo e profundo aprendizado de técnica da pintura, sempre trabalhando a partir do modelo vivo. Mas, no início das aulas, durante bastante tempo pratiquei apenas desenho, preferencialmente à carvão, e à medida em que ia evoluindo, fiz a transição para a pintura à óleo. Também pesquisei, por minha conta, as temáticas tradicionais: naturezas mortas, paisagens e retratos. Já com certa bagagem nas costas, cursei e graduei-me na Escola de Belas Artes da UFRJ. Na mesma Instituição, onde trabalho até hoje, iniciei minha carreira docente.

Jerônimo
Carnaval.

Solidão em Búzios.




Nessa nova conversa, percebi uma grande motivação para o ensino, é real?
Sem dúvida, acho necessário motivá-los propiciando uma base de informações constituída pelos princípios fundamentais.Sou professor de desenho para o primeiro período do curso básico, e também dou aulas de pintura para os estudantes do profissional . Procuro motivar os jovens a ampliar seu universo intelectual e motivá-los a pesquisar bastante áreas de conhecimento afins como filosofia, psicologia, cinema, teatro, cultura pop, e, claro, história da arte. Dirijo um programa de acompanhamento de trabalhos pela Internet, o que é instrumento valioso nos dias de hoje. Atualmente também tenho uma turma de alunos particulares que estão interessados em pesquisar profundamente. A Escola de Belas Artes, apesar de certas dificuldades, oferece a oportunidade se realizar um trabalho bem consistente como professor. Os alunos, em sua grande maioria, são muito jovens, com escasso ''back-ground''. Assim sendo, procuro incentivá-los ao aprofundamente da técnica clássica de pintura. No momento, tenho a grande satisfação de ver ex-alunos meus assumindo posições de destaque no cenário .artístico.


Uma grande parte dos alunos da EBA, fazem curso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, qual sua avaliação sobre esse fato?
Penso que na Escola de Artes Visuais do Parque Lage lecionam professores competentes que são simultaneamente artistas de sucesso, e este deve ser um fator que pesa bastante na motivação desses alunos. Acho também que o próprio currículo institucional, rígido, da EBA, leva o estudante a tentar obter complemento à sua formação em outras fontes, o que é natual.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Para mim Vélazquez e Rembrandt são as maiores referências. Citaria também Sorolla, Sargent, e Hopper. Entre os realistas vivos, Lucien Freud é o grande nome. Na pintura brasileira do século XIX aprecio Henrique Bernardelli, Eliseu Visconti, Amoedo. Gustavo Dall'Ara, um italiano que morou no Rio no início do século passado tem obra peculiar retratando cenas urbanas e fazendo um importante registro iconográfico de nossa cidade.


Como foi sua evolução na pintura?
Depois de me aprofundar no conhecimento da técnica clássica de pintura, pesquisando temas tradicionais, resolvi mudar o foco do meu trabalho e passei a representar minha realidade de morador da zona sul do Rio, com ênfase no aspecto psicológico das relações interpessoais, e, sob o aspecto formal, procurando enquadramentos cinematográficos nas cenas, com o padrão de colorido tendo como referencia a fotografia de cinema e a ilustração.

O que você pensa dos Salões de Arte?
Nunca participei, mas pode ser válido para jovens artistas.


Ricardo, quais são seus planos para o futuro?
Na Escola de Belas Artes, continuar aperfeiçoando meu trabalho como professor.Como pintor, estou iniciando uma nova fase, com planos para uma exposição no próximo ano. Queria também registrar que, além do meu website: www.ricardonewton.com , tenho alguns álbuns no Face Book com pinturas de minha autoria comentadas por mim. Sugiro um outro com imagens de quadros que estão no meu atelier disponíveis para venda. Gostaria também de recomendar que venham a acessar mais um, que acabei de publicar chamado: ''História esquecida da pintura brasileira no século XIX''. Trata-se de ampla pesquisa que realizei sobre a arte desse período e possuí duzentas imagens, o máximo permitido.

Quais são suas atividades nas horas de lazer?
Visitar exposições de arte, cinema, teatro, ler sobre assuntos variados, assistir aos jogos do Flamengo na TV a cabo, praticar natação, e também tomar um chopinho com os amigos, é claro...



Reflexos no Asfalto.
Caminhante da Noite
Samurai.
Boteco






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