domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Polyanna Morgana


Polyanna Morgana, vive e trabalha em Brasília. Jovem artista utilizando-se de instalações, intervenções, desenhos e performances. Seu nome já aparece no cenário nacional. Obrigado Polyanna.

Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci em uma cidade satélite do Distrito Federal, o Gama, no dia 22 de Novembro de 1979. Moro faz muitos anos em uma outra cidade satélite, Taguatinga. Gosto de transitar por todo o Distrito Federal e acho Brasília uma cidade linda.
Sou filha de baianos do interior da Bahia, de uma cidade chamada Barreiras. Minha mãe, Idenice, é pedagoga e foi minha professora da primeira à quarta séries. Ontem ela se formou em Psicologia. Meu pai, Rubem, é representante comercial da industria automobilística e viaja bastante à trabalho.Ele tem um escritório comercial chamado PolyTati representações LTDA. Foi uma homenagem que ele fez a mim e minha irmã. Acho o nome muito engraçado e já fiz um trabalho a partir desse nome. Os meus pais, são separados faz alguns anos.
Tenho uma irmã mais velha, Tatiana, que é professora de literatura e somos muitíssimo amigas.
Desde 2004, tenho uma irmãzinha mais nova chamada Carla, que é bem fofa.



Como foi sua formação artística?
Foi bastante acadêmica. Fiz Bacharelado, Mestrado e agora curso o Doutorado em Artes Visuais. Fiz alguns cursos fora da academia também e já realizei vários trabalhos relacionados às artes e que considero que fazem parte da minha formação, dentre eles, lecionar. Além de aulas, já produzi eventos de artes visuais e de cinema, ministrei pequenos cursos, trabalhei como montadora e produtora de exposições de artes visuais, realizei programas educativos de exposições de artes visuais e de cinema... entre outras coisas. Acho que essa experiência de vida é a base da minha formação artística, além da minha capacidade de observação, que é grande e que me auxilia muito na vida.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Vou tentar escolher alguns que são mais constantes como influência e que sejam mais centrados nas artes plásticas, embora seja influenciada de forma intensa pelo cinema, pela música e pela literatura também. Marcel Duchamp, René Magritte, Helio Oiticica, Lygia Clark, Cildo Meireles, Allan Kaprow, Flávio de Carvalho, Andrea Zittel e Grupo Fluxus.

Como você descreve sua obra? Pinturas, instalações, objetos como elas se complementam? Alguma preferência?
Não tenho grandes habilidades em descrever o que eu faço, mas sei que tenho que me habituar a fazer isso ou algo parecido. O que eu realmente gostaria era de conseguir comentar minha produção com uma frase que fosse um cruzemento de Chacrinha (Eu vim para confundir, não para explicar) com João Donato (Bananeira não sei/ Bananeira sei lá/ Bananeira sei não/ A maneira de ver)....rs.Minha produção vem da minha relação com o cotidiano, do encontro do corpo com a paisagem e dos devaneios. Essa é a base.
Faço instalações, intervenções, desenhos, performancs e construções que não sei bem a qual categoria pertecem, por ficarem entre várias. Inclusive, as construções que estão no espaço 'entre' são as minhas preferidas.


Que exposição sua, você considera a mais importante?Até agora, consideraria 3 exposições, não uma só:
- A abre alas, realizada na galeria A Gentil Carioca. Rio de Janeiro.
- Brasília: Sintese das Arte, ocorrida no Centro Cultural Banco do Brasil.
-Brasília- Projeto Moradas do Intimo. Realizado no Espaço Cultural MarcatAntônio Vilaça e em residências particulares. Brasília.


Você tem o Mestrado em Arte e cursa o Doutorado, de que maneira isso tem utilidade para seu trabalho?
Acho que algo próximo a essa pergunta já foi respondido lá no alto, quando falo da minha formação. Vou saltar.


Como você descreve o mercado de arte em Brasília?
Inncipiente. Poucos compradores têm interesse em adquirir obras que não tenham um foco predominantemente decorativo. Além disso, as poucas galerias que atuam em Brasília e apresentam algum interesse pela arte contemporânea produzida na cidade, não possuem impacto algum no cenário nacional. Já trabalhei com uma dessas Galerias em Brasília e atualmente tenho alguns desenhos a venda em uma Galeria de Goiânia, a Beco da Artes, que não me representa exatamente mas com quem tenho esse vínculo. É muito raro conseguir vender algo. Eventualmente vendo algum desenho de forma mais autônoma.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Sorte.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Gosto de ler sobre vários assuntos e realizar algumas práticas corporais, como a meditação. Tenho também uma forte relação com a espirtualidade, embora não participe de nenhuma religião em especial. Tenho simpatia pelo budismo e por religiões afro-brasileiras, mas não me identifico radicalmente com nenhuma delas. Outros estímulo importante é praticar o devaneio. Gosto também de viajar.


É possível viver de arte no Brasil?
Eu vivo da Arte. Não propriamente da venda dos meus trabalhos, mas de várias práticas que fazem parte da estrutura do campo das Artes. Viver de arte não é só vender obra, embora isso também faça parte.

Você tem uma rotina de trabalho?
Tenho sérias dificuldades em manter uma rotina. Tento, mas dura pouco. O que permanece como rotina é pensar em Arte todo dia. Vejo tudo a partir daí, não dá para escapar. Isso para mim é que é viver da Arte. Penso muito e construo as coisas sobre as quais eu penso. É um método Duchampiano. Não tenho um atelier propriamente, se tivesse seria mais fácil manter uma rotina de atelier... Meu atelier é minha cabeça e, atualmente, só ela.


A mulher e o homem estão em pé de igualdade no mercado de arte?
O mercado das artes, assim como várias outros segmentos do campo da artes, reproduz alguns preconceitos de gênero que estão no mundo. Tem que ter atenção e disposição para encarar esses problemas. As mulheres que são bem sucedidas nas artes tiveram que desenvolver essa consciência e uma maneira de se posicionar diante disso.


O que você pensa sobre os Salões de Arte?
No Brasil, os Salões tentam desempenhar um papel de circulação da produção nacional. Alguns conseguem. Participei apenas de dois Salões. Acredito que o maior problema com os Salões é que poucos conseguem se manter a longo prazo por problemas de financiamento cultural e, com isso, o papel de difusão, financiamento e fortalecimento da produção nacional é descontinuado.


O que significa ser indicada para concorrer ao Prêmio Pipa 2011?
Fiquei bem feliz com a indicação e ainda colho os frutos. A indicação surgiu de uma série de trabalhos bem sucedidos que realizei em BsB nos últimos anos e ela funcionou como uma boa divulgação, em âmbito nacional, da minha produção. Espero que ainda abra muitas portas.

Quais são seus planos para o futuro?
Seguir trabalhando com arte e sendo me tornando uma artista cada vez melhor.

O que você faz nas horas vagas?
Durmo, leio, escuto música e danço, fico pensando em coisas sem sentido algum e por aí vai.






Polyarte Representações LTDA: Life in concert-Vol II. Instalação em dois painéis pintadas com os mapas das cidades de Taguatinga e Brasília, representa o percurso entre a Polyarte Representações ltda, escritório do seu pai até o plano piloto em Brasília. As caixas de som mostram os sons de cada cidade e as cores são variações do caminho. Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília.







Foto 2





Detalhe.





Edifício Morada







Edifício Morada





Edifício Morada






Edifício Morada






Edifício Morada.






Mapas de Caminhada






Mapa de caminhada detalhe.

Polianna Morgana na exposição Abre Alas da Gentil Carioca, RJ.

Nenhum comentário:

Postar um comentário