quinta-feira, 12 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Paulo Damião


Paulo Damião.




Paulo Damião, conte algo de sua história pessoal.
Chamo-me Paulo Damião, nasci em Pilar Bretanha, em S. Miguel, uma das nove ilhas do arquipélago dos Açores, no ano de 1975.
Sou o quinto de seis filhos, e passei a minha infância e adolescência nessa ilha, cursando o ensino secundário, na área das artes, no liceu Antero de Quental.
Entrei na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa no ano de 2001, terminando no ano de 2005.
Fui bolseiro do Governo Regional dos Açores e durante o curso representei a Faculdade no Congresso de Universidades do Mediterrâneo, com algumas gravuras. Começo a trabalhar profissionalmente, e a ser representado por uma galeria ainda no quarto ano de faculdade.


Como a arte entrou em sua vida?
A memória mais nítida que tenho de que a arte já me acompanhava, vem de uma imagem que guardo dos desenhos que fazia insistentemente em qualquer papel que encontrava. Lembro-me perfeitamente de ter uma aptidão fora dor normal para representar o real através do desenho e de como essa capacidade era admirada pelos colegas. Foi fácil escolher o meu caminho, mesmo não sabendo muito bem o que era nem o que isso podia ou não representar na minha vida futura.
Não tendo familiares com relações à Arte, nem com outras formas de erudição, ainda hoje me pergunto sobre o facto do porquê de um miúdo do campo escolher este caminho...

..
Como foi sua formação artística?
A minha formação artística foi, creio, que a normal, do ensino público português. O ensino secundário, com três anos no agrupamento Artes, e os cinco anos de Faculdade de Belas Artes.

e seu
Além do estudo da Arte o que inspira seu trabalho?
Além do estudo sobre Arte, creio que tudo à minha volta é uma ajuda nos meus trabalhos. O cinema, revistas de fotografia, a literatura, a música..., Tudo o que esteticamente me interessa e me emociona. Sou uma pessoa introspectiva, um pouco solitária, e isso acarreta sempre muitas questões levantadas, muitos pensamentos acerca da forma como se vive e nos relacionamos. Sobre esses pensamentos e sobre essas questões, algumas delas sem resposta, que me debruço nos meus trabalhos, entendidos sempre como exercícios sobre o que eu sou como ser humano.


Como você descreve sua obra?
Tenho uma base referencial que sustenta o meu sentido estético, e/ou a minha forma de pensar pictoricamente, que se situa entre o Renascimento; com as imagens do Miguel Ângelo, Pontormo, Leonardo da Vinci, Mantegna, etc...
Tendo também uma base no figurativismo e na representação do real, do corpo, da carne, fui influenciado pelo Realismo, Neo-realismo, pelo Existencialismo e outras cor de arte em rrentes estáticas , literárias, que tinham como matiz o Ser Humano.
Influenciado também pelo Rohtko, pela ideia do Sublime, da catástrofe, do Belo de Diane Arbus, do enigmático Odd Nerdrum, do carnal Lucien Freud, entre tantos outros...


Como você descreve sua obra?
A minha obra incere-se numa linha predominantemente figurativa-existencialista. Levanto questões sobre a existência, sobre o Amor, a Morte e sobre a capacidade de nos entendermos como seres finitos corporalmente. Preocupam-me as emoções e a sua racionalização, os sentimentos ou a falta deles, o percurso que se faz para que nos entendam uma parte. As relações, o medo de se se perder ou de se se encontrar, o belo no horror, as formas enigmáticas com que nos apegamos aos outros.


Qual foi a sua exposição mais importante?
Penso que a exposição mais significativa foi a minha primeira exposição individual, intitulada" Amor Branco-de-chumbo, no ano de 2005, ainda estava no 5º ano de faculdade, por ser a minha primeira exposição e por representar para mim o início do meu percurso como artista.


É possível viver de arte em Portugal?
Penso que neste momento não é possível viver da arte em Portugal, salvo algumas excepções de artistas que já têm o seu nome bem consolidado a nivel internacional. Dado a situação económica que o país atravessa, os poucos ou quase nenhuns apoios à Cultura, com sucessivos cortes, e com a falta de incentivos à criação, julgo que dificilmente se poderá viver exclusivamente da Arte em Portugal.









Como você vê o desenvolvimento da arte contemporânea em Portugal?

A arte contemporânea em Portugal existe neste momento um pouco a tentar desenvencilhar-se por si própria, cada um fazendo o seu caminho, numa luta para poder trabalhar, sem cooperativismos e sem facilitismos.




Dança fianl da sombra.













Sombra do Álamo. 160x130 cm.












Exposições Individuais:
2012: "Outono" Galeria Paulo Nunes Arte Contemporânea/ Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Pavilhão Muiti-Usos de Vila Franca de Xira,
2011: “Encontrei-te amanhã” – Fundação Henrique Leote e Galeria Paulo Nunes – Arte Contemporânea, Convento de S. Paulo, Redondo;
2010: “A Revelação” – Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa;
2008: “Os Confidentes” – Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa;
2007: “Eu Amo (Reabilitação)” – Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa;
2007: “No Abismo Secreto do Peito” – Galeria Fonseca e Macedo, Ponta Delgada, Açores;
2006: “Um lugar ao Lado do Coração” – Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa;
2005: “Amor Branco-de-Chumbo” – Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa.

Exposições Colectivas:
2012: Colectiva de inauguração da Galeria CB Concept Art, Carcavelos
2011: Colectiva do 17º Aniversário MAC, Movimento Arte Contemporânea, Lisboa;
2011: ViennaFair 11 – Feira Internacional de Viena, Stand Galeria Paulo Nunes Arte Contemporânea;
2011: ArtMadrid 11 – Feira Internacional de Madrid, Stand Galeria Paulo Nunes Arte Contemporânea;
2010: Colectiva 2010, Celeiro do Patriarcal da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Galeria Paulo Nunes Arte Contemporânea, Vila Franca de Xira;
2010: Colectiva de Homenagem ao Pintor Nadir Afonso, Galeria do Casino do Estoril, Estoril;
2009: Arte Lisboa 09 – Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2008: Arte Lisboa 08– Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2007: Arte Lisboa 07 – Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2007: Gravura Contemporânea, Faculdade de Belas Artes de Lisboa;
2006: Arte Lisboa 06 – Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2006: “Passagens” – Casa do Gaiato, santo Antão do Tojal, Loures (comissariada por Filomena Cunha);
2005: Arte Lisboa 05 – Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2005: PanFair 05 – Feira Internacional de Arte, Holanda, Stand Galeria Husstege;
2005: XVII Salão de Primavera, Galeria de Arte Casino Estoril, Estoril;
2005: ARCO 05 – Feira Internacional de Madrid, Stand Galeria Arte Periférica;
2004: Arte Lisboa 04 – Feira Internacional de Lisboa, Stand Galeria Arte Periférica;
2004: Colectiva “Novos Artistas”, Galeria Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, Lisboa;
2004: V Congresso das Academias do Mediterrâneo, Comenda Di Pré, Génova, Itália;
2004: XVI Salão de Primavera, Galeria de Arte Casino Estoril, Estoril;
2004: Galeria Gravura Cooperativa de Gravadores, Lisboa.
Prémios:
2005: Menção Honrosa do XVII Salão de Primavera, Galeria de Arte Casino Estoril, Estoril;
2004: 1º Prémio do XVI Salão de Primavera, Galeria de Arte Casino Estoril, Estoril.

Outros:
2005: Capa do Livro “Zona de Perda – Livro de Albas” (poesia) de Pedro Sena-Lino, Edição Objecto Cardíaco.

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