quinta-feira, 19 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Patrizia D'Angello.





Patrizia D'Angello

Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci, há tempos, em São Paulo, mas não esquentei a cadeira e, com 8 meses, já morava no Rio, onde moro até hoje. Filha única até outro dia, durante a infância, desenvolvi e mantive um mundo particular povoado de amigos imaginários, invenções e muitos desenhos e pinturas. Por conta disso, tive, ainda garota, algumas aulas com a velhíssima, italiana e impagável professora Caterina Baratelli. As aulas aconteciam em grupo e, talvez pela pouca idade, todos ali pareciam saídos de um hospício light, fato que coloria ainda mais a já mega colorida experiência. Apesar de muito presente na minha memória, não passei mais do que um ano ali. Influenciada pelo metiê dos meus pais (minha mãe é atriz e meu pai, roteirista e escritor), aos dezesseis anos entrei pra faculdade de teatro UniRio, onde me formei atriz. Nesse período, fiz algumas peças e participações em tv e vídeo, mas logo me embrenhei por outras paragens e fui cursar moda na Candido Mendes. Antes de me formar, assumi o estilo de uma importante marca de moda e, paralelamente, me dediquei à criação de diversos figurinos para teatro, na sua grande maioria, para as peças de Hamilton Vaz Pereira. Em 2003, abri minha própria marca e, assim, fiquei por um bom tempo mergulhada nesse universo. Foi somente em 2008 que parei com tudo pra me dedicar exclusivamente à Arte.

Como foi sua formação artística?
Até então eu já havia feito alguns cursos como: História da Arte com Ronaldo Brito na UniRio, Pintura com João Magalhães na EAV e participado de um grupo de estudos de filosofia com Fernando Muniz, além de jamais ter abandonado a pintura. Embora a produção fosse bastante esporádica e desordenada, mantive o interesse de estar, sempre que possível, vendo muita pintura, bem como as plurais manifestações da Arte Contemporânea. Em 2008, voltei a freqüentar às aulas do João Magalhães na EAV, que, na época, contavam também com o Walter Goldfarb na análise dos trabalhos, e ali permaneci até 2010. Em 2009, fiz o Processo Criativo, com Charles Watson, na EAV e, em seguida, entrei para seu grupo de estudos no seu ateliê da Novo Mundo, passando a freqüentar também suas aulas do curso Dynamic Enconters, na EAV, os quais faço até hoje. Em 2010, fiz o curso Teorias da Arte, com Fernando Cocchiarale, na EAV, e, em 2011, iniciei o curso Questões Prático Teóricas da Pintura na Contemporaneidade, com Luiz Ernesto e Bruno Miguel, também na EAV, e que continuo cursando.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Por motivos diversos, tentando ser sucinta e certamente esquecendo alguns, aí vão eles: Matisse, Andy Wahrol, Peter Blake, Paula Rego, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Gustave Klint, Jenny Saville, Claes Oldenburg, Marlene Dumas, Beatriz Milhazes, Toulouse Lautrec, Morandi, Gehrard Richter, Wayne Thiebaud, Robert Polidori, Cindy Sherman, Lucien Freud, Márcia X, Egon Schiele, Alex Katz, Edward Hopper , Marina Abramovic, Elke Krystufek, Sarah Lucas, Elizabeth Peyton, Meret Oppenheim, Pipilotti Rist, Degas, Ann Arbus, Mark Rothko, Lenora de Barros, Artur Bispo do Rosário e Gorilla Girls.

Como você descreve sua obra?
Minha obra é, no momento, majoritariamente formada por pintura, embora venha trabalhando também com fotos, vídeos e objetos. Nela, abordo os grandes temas da tradição da pintura (naturezas mortas, paisagens e retratos.) Nos dois primeiros, os interesses repousam na banalidade de imagens cotidianas, acúmulos ordenados e/ou caóticos, cenas invisíveis à percepção apressada, pequenas fendas quase invisíveis do dia a dia, coisas que, de tanto vê-las, não as vemos mais. Nos retratos, me volto, sobretudo, para a identidade da artista, através de autorretratos, onde exploro a ambivalência dos clichês e o caráter opressivo e sexista das sociedades em geral, ora expondo memórias, ora me valendo de símbolos da cultura de massas, ora dialogando com a História da Arte. As fotos, os vídeos e os objetos se apresentam como uma extensão dessa investigação poética.

Que exposição sua, você considera a mais importante?
Pela amplitude do que foi mostrado, pelo recorte curatorial e por ser a minha 1º individual, Banquete Babilônia, na Amarelonegro Arte Contemporânea, que ocorreu entre 31 de maio a 02 de julho de 2011, mas gostaria de destacar a enorme importância de ter participado do 40º Novíssimos 2010, na visibilidade, divulgação e amadurecimento do meu trabalho.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Na minha humilde opinião, em primeiro lugar é fundamental o compromisso com a verdade do seu trabalho, depois a dedicação e a troca constante com o meio, seja através de cursos, grupos de estudos, ou da visitação das exposições em cartaz, e, também, procurar participar dos importantes salões que acontecem ao longo do ano. Mas, de um modo geral, acho que não se devem nutrir ansiedades descabidas, ser representado por uma galeria é uma conseqüência e não um objetivo em si.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
A vidinha, as notícias, a rua, as imagens que involuntariamente pipocam na retina e as que a leitura, as musicas e os pensamentos estampam na imaginação, a memória, os cheiros, as cores, os filmes, os sonhos, os livros, as exposições, os outros artistas... enfim, praticamente tudo que entra na nave como percepção.

Você tem uma rotina de trabalho?
Tenho. Acordo quase sempre por volta do meio-dia, medito e tomo café da manhã lendo o jornal. Só não leio economia porque acho chato, mas o resto vai todo. Nesse processo, vou acordando e, lentamente, tomando contato com o exterior. Em seguida, vou para o ateliê, que fica dentro da minha casa, checo os emails, dou uma olhada no face, dou os telefonemas necessários, e, então, começo o dia. Sempre anoto a hora em que começo e, também, os momentos de pausa. O dia feliz é o que consigo trabalhar, descontando os intervalos, de 5 a 6 horas. Mas isso varia, tem dias que trabalho de 3 a 4 e tem dias que trabalho de 9 a 10, depende muito. Sempre que termino um trabalho, ou um grupo deles, passo um par de dias sem essa rotina, momento em que aproveito pra botar a vida em dia, ler e pensar sobre os próximos. Adoro a madrugada e não faço distinção entre dia de semana e fim de semana.

O que você pensa sobre os Salões de Arte?
Acho que são uma ótima maneira de buscar inserção e dar visibilidade ao trabalho.

Qual sua opinião sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Com perfis diametralmente opostos, acabam por traçar um panorama que vai do fazer genuinamente artístico, com recortes e conceitos elaborados por críticos e curadores, até o que seria uma predisposição mercadológica. Tanto as bienais como as feiras expandem os domínios da Arte, colaborando para a formação de público e de mercado.
Quais são seus planos para o futuro?
Para esse ano, tenho já alguns trabalhos que pretendo concluir, dentre eles uma série de fotos-performances, uma série ampla de pinturas que provavelmente avançarão por 2012 , algumas pesquisas em andamento e um curso de Final Cut já pela metade e avançando. Quero continuar com os grupos de estudos, talvez mais pra frente, a partir do fim de 2012, possa fazer uma pós em Artes; uma residência também seria muito bem-vinda. No mais, quero seguir avançando na construção da minha obra, me aprofundando cada vez mais na pesquisa e nas questões caras à minha poética.

O que você faz nas horas vagas?
A verdade é que não consigo muito perceber essas horas, a vida e o trabalho se misturam o tempo todo e o tempo escorre pelos dedos, mas, quando o milagre acontece, amo ir a praia, andar, patinar, ler, fazer tai chi, ficar em casa de bobeira, cozinhar, estar em família e entre amigos.



American Kitchen




Domingo em Copacabana


Banquete


Hamburguesa


Toscana


Auto-Retrato Prestando Homenagem


Auto-Retrato como Olympia


Auto-Retrato com Burka

Les Petits Bleues


Bleu Sight

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