domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Murilo Krammer





Murilo Kammer artista e professor. Vive e trabalha em São Paulo. Conheça seu pensamento e sua consistente obra. Obrigado Murilo.


Murilo, fale algo sobre sua vida pessoal
Vivo em uma casa-ateliê no bairro do Cambuci em São Paulo, com minha esposa Larissa(também artista visual), meu akita chamado "Or" e minha calopsita "Francisca". Somos uma família feliz.


Como a Arte entrou em sua vida?
Por volta dos quatro anos eu já fazia(não sei como) pequenas exibições de trabalhos em folhas de caderninhos de desenho que ganhava da minha Avó Maria. Espalhava esses desenhos pela parede da sala e convidava todos os presentes para o "vernissage". Essa é uma imagem forte para mim.


Como foi sua formação artística?
Com uns 14 anos iniciei cursos de desenho, depois fiz técnico de publicidade e na graduação cheguei até a Belas Artes de São Paulo (onde também fui professor por muitos anos). Me Formei no curso de Licenciatura em Artes Visuais em 2000, e me especializei em Fundamentos da Cultura e das Artes na UNESP-SP, e logo em seguida em Cinema, Vídeo e Fotografia na Belas Artes novamente. E hoje estudo psicologia Junguiana no IJEP.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Vou tentar uma síntese do que realmente compõe minha coluna de influências por ordem de envolvimento cronológico. Aprendi a pensar a visualidade/linguagem por um viés sensível permeado por uma dose de espiritualidade com Klee, Chagall e Kandinsky. O pensamento de pintura como "dialogismo entre luz e as relações objetuais" eu aprendi com Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Kurt Schwitters e mais adiante com Robert Longo. A movimentação gráfica expressiva inconsciente, os elementos mancha, massa e linha configurados em um mesmo gesto agregador eu aprendi com Cy Twombly. O construção gráfico-pictórica mais impressionante do universo - Egon Schiele. O simbólico como interesse principal em conjunto com a causalidade material, ficou por conta do senhor Joseph Beuys e também do entusiasmo metafísico de Yves Klein. No campo escultórico, Brancusi me mostrou as incríveis relações de integração e infinitude espacial, e também que a persistência é a melhor saída para o artista que busca algo. Giacometti trouxe o existencialismo, a densidade, a total imersão e compulsão. E para finalizar a breve lista dos principais, Antonny Gormley, com sua excepcional construção espacial da figura humana, mágica total! Já ia me esquecendo... Mira Schendel, mãe da minha forma de pensar o espaço.

Como você descreve sua obra?
Como a construção de um sistema simbólico-causal impregnado pelo pensamento Hermético/Alquimico. Sou fascinado por esse imaginário, eu diria até que sou uma espécie de caçador de arquétipos. Penso que a arte, ou melhor, o processo artístico, pode proporcionar uma fluidez muito providencial diante da vida, desgastando a resistência mental. Acredito que o processo artístico vivido em sua máxima profundidade faz da arte uma cosmologia.

Que exposição você considera a mais significativa?
Todas tem seu momento e peso fundamental. Guardo até hoje alguns convites e impressos de exposições que me marcaram bastante, para não ser injusto não vou citar nenhuma.

Você escreve sobre seu trabalho?
Sim, mas publico muito pouco, quero mudar isso. Meu problema em relação a publicar é que mudo muito tudo a toda hora, e o que deixo para trás não consigo retomar, me incomodo com o que passou. Penso que essa é minha maior dificuldade e ao mesmo tempo é justamente o que ajuda a manter as coisas frescas, úmidas.

Além de artista você é professor, como descreve essa atividade?
Já são 12 anos como professor. Misturo tudo, criação artística e pedagógica. Passei por diversos lugares, investiguei públicos variados, coloquei meu coração e meu corpo em experiências significativas em presídios, ongs, prostíbulos, comunidades, faculdades etc. O que sempre me fascina e me faz eterno apaixonado por tudo isso, é a possibilidade de lidar com a criação, deixar minha ingenuidade gritar, ser um sujeito-projeto ambulante! Estou elaborando um site onde pretendo evidenciar essa produção relacionada. Quanto ao ensino formal, acredito que tenho assumido cada vez mais o papel/função social de educador do que a profissão de professor. Já fui muito apaixonado por dar aulas em certos sistemas formais. Hoje não sou mais! Acredito em uma reforma total a partir de uma visão integral e colaborativa. Atualmente tenho visto uma crescente onda de profissionais que migram para produção cultural em busca de autonomia profissional. Aqueles sujeitos que ficavam anos a fio submetidos aos desmandos das poderosas instituições de ensino, estão abrindo empresa de produção cultural e fazendo acontecer. Eu me incluo nessa, e posso dizer que tenho sido muito feliz criando e realizando projetos em espaços culturais. Entre eles, destaco a coordenação dos projetos da ação educativa do MuBE.

Que conselho você daria a um jovem artista para ser representado por uma galeria?
Acho que ser representado por uma galeria deve ser uma consequência e não uma meta. Meta é ter um trabalho profundo e permeável, independente de ser ou não representado por uma galeria.
Bom, e para o estudante de arte, por mais difícil que seja(risos):
Ficar longe dos bares ao redor da faculdade(risos). Usar todo tempo para produzir e expor muito! Em consequência você acaba próximo dos professores que são a primeira porta. Participar de editais enquanto sua disposição e tempo permitirem. Frequentar muitos vernissages(não precisa usar óculos da moda, roupas coloridas, adotar nomes em siglas e etc, pode ser você mesmo, é o trabalho que conta, não sua presença pseudo-pop-engajadinha).
Diria que é importante ser despretensioso, deixar emergir certos processos inconscientes, fugir da ilusória fábrica de artistas, sacadinhas e estratégias que alguns espaços tem imprimido sobre os jovens. Profundidade é uma consequência de algo que demora muito para brilhar na consciência de cada um. A consciência deve ser buscada em construções permeadas de disciplina, amor e gratidão, dia a dia. É muito necessário vender, mas não antes de compreender o seu caminho, um sentido para tudo isso.

Qual a sua opinião sobre as galerias virtuais?
Ainda não encontraram sua fórmula. Mas acredito nelas apenas como uma parte do negócio. O maior problema é que elas querem imitar o sistema (já em queda) das galerias físicas. Para dar certo, uma galeria virtual deve se colocar muito além de um espaço de comercialização tradicional. Deve ser construído dentro de um carater colaborativo de fomento cultural - com conceitos e pensamentos de rede, com interação, publicação de artigos vídeos e depoimentos...

O que é necessário para ser um ícone nas artes plásticas?
Não sei. Só sei que para quem precisa trabalhar duro para sustentar sua própria produção, demora muito mais!

Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
Ser sempre feliz com as pessoas que amo e continuar fazendo o meu trabalho existir e se materializar em toda sua complexidade.





































Murilo Kammer

Artes Visuais lAtivação Cultural lCriação Pedagógica

http://murilokammer.blogspot.com
l (11) 93421069






Murilo Kammer

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