sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Miguel Gontijo

Rafael Alonso


Rafael Alonso é um dos jovens e admirados artistas da nova geração do Rio de Janeiro. Trabalha discutindo pintura. Participou de vários salões no Brasil e no exterior. Foi selecionado para os Rumos Itaú Cultural. 2009. É representado pela Cosmocopa Galeria de Arte. Obrigado Rafael.

Fale algo sobre sua vida pessoal.
Nasci em Niterói-RJ, filho de um economista e de uma advogada, irmão de um médico. Vivo e trabalho há vários anos no Rio. Sou formado em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Como foi sua formação artística?
Sou formado em Pintura e atualmente curso o mestrado em linguagens visuais na EBA-UFRJ.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Cildo Meireles, Olafur Eliasson, David Batchelor, Richard Serra, Francis Alys

"Há uma nova geração que é difícil lidar: muitos são superficiais Trabalham para o mercado".Curador da Davos Hans M Herzog (O Globo) QUal é a sua opinião?
Não li a entrevista, comentar uma frase isolada é imprudente... mas acredito que em épocas de mercado aquecido como a que vivemos, esse fenômeno (artistas que trabalham para o mercado) se torne mais freqüente. É importante lembrar que esta mesma submissão dos artistas em relação ao mercado está presente também na crítica de arte, todas as semanas vemos exemplos de curadorias completamente esvaziadas de reflexão, hospedadas tanto em galerias comerciais quanto em espaços institucionais. Quantas curadorias chamadas “nova pintura” houve nos últimos 2 anos? Acho que a crítica séria deve se fixar em garimpar os artistas mais interessantes desta geração e deixar o mercado lidar com suas questões.

Como você descreve sua obra?
Tento construir nos meus trabalhos relações entre a tradição da pintura e as situações, imagens, objetos do cotidiano que me estimulam.

Como você faz para divulgar a sua obra?
Participo de editais que julgo interessantes, profissionais, que respeitam o trabalho do artista.

Você tem uma rotina de trabalho?
Claro! O que não quer dizer que passe o dia com a mão suja de tinta, acredito que a rotina deva incluir uma dose grande de reflexão e leitura.

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Um dos diversos meios de circulação do trabalho do artista.

É possível viver de arte no Brasil?
Claro! Trabalhando bastante, é possível.


Objeto Indestrutível

Porta (2008)
Bandeira

Borracha


Casa

Passagem


Maria Fumaça


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Take me Home




Sobre o trabalho de Rafael Alonso Ao entrarmos em contato com esta série de trabalhos de Rafael Alonso devemos entender duas sutis operações:
A primeira, e mais evidente, é a de execução e conseqüente registro de um ato compulsivo - inúmeros elásticos de borracha, como os encontrados em escritórios e salas de aula, são adicionados, um a um, a diversos suportes que vão desde pequenos tacos de madeira a sanduíches de lâminas de vidro. Os elásticos são colocados, lado a lado, de tal forma a assumirem, suavemente, o formato do suporte, ao envolvê-lo, constituindo tijolos geométricos de cor, como os módulos minimalistas.

A segunda, e mais elaborada, se dá no ambiente do real, onde o objeto é acrescentado - por meio de sua quase que total descaracterização. Mas, para uma melhor compreensão do fato, é necessário que conheçamos alguns detalhes de sua confecção: os elásticos são comprados em lojas varejistas, em geral mercados populares do Brasil, em sacos plásticos sendo que, neles uma inscrição é encontrada: "proud to say, made in USA". A frase sinaliza - explicitamente - a demonstração nacionalista e imperialista de uma potência mundial.

Quando o jovem artista brasileiro adquire tais objetos e dá-lhes uma nova configuração acaba por atingir e dar fim a essa essência básica - mas sem o aspecto piegas e exagerado de determinados revolucionários mais exaltados, mas sim, com sutileza de uma pequena sabotagem ou travessura: o objeto de consumo produzido num país-potência e exportado a um país subdesenvolvido tendo como objetivo o bem estar sócio-econômico do primeiro e achatamento do segundo, agora é um objeto de arte precário que, como já dito antes, ironicamente, nos remete à determinado momento da história da arte da potência - no caso a norte-americana - mas que é produto da América do Sul, mais especificamente o Brasil.

Outro aspecto de sua descaracterização é mais material que conceitual: da maneira em que os tijolos são confeccionados, fazem-nos perder a referência do material utilizado, tornando-o irreconhecível e gerando até certo ponto um estranhamento, fazendo-o não mais elásticos de borracha - mas tinta, como numa pintura tradicional.
Algo que, definitivamente não podemos afirmar - equivocadamente - é que ocorreu uma perda ou troca de função desses pequenos objetos - como na operação básica Duchampiana - pois o elástico ainda mantém sua função específica original: envolver, unir e sustentar outras estruturas. O que ocorre, sim, é sua potencialização a objeto artístico, fazendo-o ir além deste seu objetivo básico, se constituindo em uma estrutura capaz de atingir aspectos sociais, econômicos e estéticos da sociedade.
Alvaro Seixas

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