sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Marcos Vasconcelos

Marcos Vasconcellos artista plástico, médico, poeta e pensador mostra nessa entrevista a sua sólida formação cultural, a qualidade de seu trabalho e a enorme sensibilidade. Agradecemos a valiosa colaboração.




Entropia com desvio para o azul

grafite sobre papel

60cm x 40cm

2005


Quem é Marcos Vasconcellos?
Sou pó e voltarei ao pó. Caminho com meus pés descalços nessa estrada também de pó e penso no que passou, num amanhã e que agora olho para cima e vejo o céu e pergunto: - quem sou eu? Sou o nada, o aqui em baixo das estrelas, meteoro, o que passa, alma secreta, ou apenas alguém construindo, abrindo outra estrada.

Quando você começou a se interessar por arte e qual foi a reação familiar?
Arte, para mim, era o que eu entendia como mundo, o ideal de toda vida. Minha mãe quis ser pianista e quase conseguiu, meu avô, não possibilitou isso para ela por motivos econômicos, pela moral da época e de minha família. Mas, ela só escutava música clássica, continuava a tocar piano e estudar, como eu, mais tarde, fiz também. Ela escrevia poesias e contos, como o avô e os tios dela também o faziam. E recitava para mim todos eles, e dizia que isso era a melhor forma de entender o que passávamos. Tem um que até hoje lembro sempre, porque decorei quando criança e era o lema de minha vida:
"Vem /dá -me tua mão /mergulha os dedos no infinito/arranca de lá o que há de mais bonito /e guarda, guarda escondido no coração / amanhã,quando souberes as agruras / que a vida espalha pelos caminhos / toma o teu tesouro com carinho / afaga-o e deixa que te ilumine o passo / e nunca desanimes/ pois prá quem tem o infinito no regaço /só resta levantar o rosto /erguer o braço /e louvar a Deus na amplidão."
Ela desenhava e pintava de uma maneira acadêmica, mas com um talento absurdo - os desenhos guardo com carinho e admiração até hoje. Mas, ela era uma absolutamente mulher moderna, reagindo aos dogmas da família! Amava os abstratos americanos e também toda arte moderna e foi ela que me levou , numas das viagens com meu pai, para ver o MOMA e o Guggenheim, em Nova York, explicando cada obra e como tinham acontecido. Falava e mostrava o respeito que devíamos ter ,eu e meu irmão, que ria e galhofava de tudo, e pelo trabalho árduo e a expressividade direta e verdadeira das obras primas expostas. Depois, se formou de maneira magistral em jornalismo pela Nacional do Rio de Janeiro e foi a primeira repórter mulher da TV (a extinta TVRIO), líder universitária da UNE, e membro da Aliança para o progresso, membro feminino dos OEA e bolsa em Columbia University. Mas, tudo mudou com a revolução de 64, quando passamos a ser perseguidos pela orientação esquerdista da minha mãe. Um absurdo aquela época, quando ela considerada agente da CIA por uns e agente russa pelos militares, assim como havia gente que afirmava que ela era agente dupla ! Havia telefonemas que tentavam nos ameaçar de morte, ela e nós, filhos! Tivemos que ficar ocultos numa casa de meu avô, em Vassouras, até tudo passar! Trabalhava com a Clarice Lispector, traduzindo livros cuja renda era para caridade! E aí ela ficou grávida de novo do meu terceiro irmão!
Meu pai era engenheiro, vinha de uma família paupérrima de uma serra perdida em Portugal, mas mesmo assim conseguiu um cargo importantíssimo na maior companhia do mundo - a GE. Muito moralista, embora ateu, reagiu muito violentamente contra qualquer manifestação artística minha, que não considerava como uma profissão viril e de gente decente, como também nada que pudesse me fazer sustentar a mim ou uma família depois. Mesmo assim, eu o desafiava e o afrontava desenhando, pintando sem parar os meus abstratos e figurativos.





Monster Quiz

grafite sobre papel

diâmetro - 145 cm

2007
em exposição no Largo das Artes - exposição "Fuzuê" Facearte

Qual foi a sua formação artística?
Com 7 anos ,minha mãe tem uma entrevista que fiz para um jornal da época em que dizia que quando crescesse ia ser desenhista do Walt Disney, meu sonho na época! Com doze anos, já pintava vitrines e vitrais de prédios da Vieira Souto com temas natalinos, mas meu pai proibiu e brigou muito comigo, porque eu tinha de estudar e não ganhar dinheiro! Aí tentei fazer meu primeiro desenho animado! Usei minhas primas, mas a câmera e a luz não eram apropriadas e os milhares de desenhos da "Morte do Cisne" que fiz e que, com ajuda das minhas primas, pintei, não ficaram bons! Nem revelei!
Depois da revolução, surgiu a Escola de Belas Artes do Parque Lage (EAV) e pedi para minha mãe me levar para lá! Era o meu sonho quase possível, pois queria ser cineasta também , mas no Brasil, na época era até para uma criança, puro delírio. Vivia desenhando, lendo romances e até a biografia de Eisenstein eu relia sem parar! Tinha 13 anos! Minha mãe me levou ocultamente para o Parque e assinou um termo de responsabilidade ,depois que fui aprovado pelo diretor da época vendo os meus desenhos, como reproduções que fazia e uma que guardo até hoje de um detalhe de uma tela Rubens. Porém, quis ir para o curso de pintura moderna e crítica - o mais novo aluno do Parque! Lá, pintavamos o que desse na telha e depois todos tínhamos de criticar os trabalhos uns dos outros.
Com 14 anos, já para entrar no curso preparatório do vestibular pedi para meu pai deixar eu fazer uma mistura daquilo que eu queria arte ,com aquilo que ele gostava engenharia - em arquitetura! Ele teve uma reação absurda e me expulsou de casa ,colocando todas as minhas roupas numa mala e chutando para fora de casa! Eu andei por Ipanema ,pensando o que fazer sem dinheiro ou algum lugar para ir, porque não tinha amigos, era muito tímido. E voltei para casa e disse para o meu pai: - está certo pai, você me colocou no mundo e me criou, me alimentou. Por isso, farei a sua vontade, me matricule onde você quiser que eu faço, mas apenas enquanto eu sou menor, depois me aguarde! Minha mãe, se dirigiu ao Colégio Rio de Janeiro , onde estudava na época , e em conversa com o diretor ,ele falou para ela que, por meu exame de QI, poderia fazer tudo que quisesse na vida. Assim ela conversou com meu avô, pai dela, e resolveu que eu deveria realizar o sonho dele e não o do meu pai - ser médico!
E me matriculou no curso científico e depois no Curso Miguel Couto para medicina! Eu rezava para ser reprovado, pois ainda tinha 17 anos e com mais um, de acordo com o meu juramento feito a meu pai, poderia fazer o que quisesse depois dos 18 anos. Fiquei na reclassificação no vestibular geral, mas minha mãe me convenceu então a passar o final de semana com meus amigos em Vassouras. Eu fui. Chegando lá, ela me falou que meu pai tinha me matriculado no vestibular para medicina e que eu não ia passar mesmo, porque não fazer essa última vontade ao meu pai? E fiz! Eram dezenas de milhares de candidatos do Brasil todo e eu ia fazer para não passar! Tudo à meu favor! Fiz sem ler muito, acabei e ainda esperei o lanche do meio do concurso, tomei a coca e entreguei a prova junto com o papel sujo dos sanduíches! Passei em 23°lugar! Mamãe chorava de alegria, dizendo qu eu ia ser gente! E eu chorava de tristeza e frustação - pensava que eu já era gente! Mas fui para Vassouras, longe de minha família pude ver finalmente quem eu era e considerei minha salvação! E foi!






Cover


grafite sobre papel

80cm x 60cm

2006

Exposição "X" - Paço Imperial - 2008

Quando me formei, não faltei uma vez o internato que fiz, que era especializado em clínica médica e psiquiatria porque já queria me unir a Dra. Nise da Silveira e ligar arte com medicina. Concurso que fiz para neuro psiquiatria infantil no Hospital do Engenho de Dentro, onde ela era a chefe e iniciava o Museu do Inconsciente. Fui aprovado, mas só começaria em Março! Fiquei livre do internato! Era ainda Setembro, tinha 22 anos e era surfista. Na praia, encontrei uma amiga que tinha falado com minha mãe, pedindo que ela arranjasse um estágio na TVGlobo, no jornalismo. Pediu que eu fosse junto ( Morria de medo dos mitos e lendas sobre lá!) .Eu acompanhei e chegando lá, a diretora do Jornal Nacional, que fora amiga de minha mãe falou : - Ah, você era aquele menininho que gostava de desenhar! Porque você não visita o departamento de arte? Fui!
Chegando lá, inquirido pelo chefe de arte pelo que fazia lá , eu respondi que era médico. Ele se espantou : médico? Qual especialização? Eu contei que começaria em Março em neuro psiquiatria infantil. Ele me respondeu: - Você parece caído do céu, porque meu filhinho de dois anos tem epilepsia abdominal!Me ajuda? Eu disse: - Claro!Mas você me deixa eu desenhar? E assim comecei como caricaturista e chargista do jornalismo da TVGLobo, impulsionado muito pelo Nelsinho Motta que adorava meus desenhos. Aí, fui obrigado a aprender no sufoco, sem nenhum ensinamento anterior, a fazer logos, ilustrar matérias, caricaturas, charges, diagramar, desenhos animados,charges animadas, mapas, gráficos, retratos falados e toda arte necessária para o jornalismo de televisão e consegui! . Também fui convidado pelo Hans Dönner para fazer aberturas das novelas com ele, coisa que fiz e várias , sendo indicado para um prêmio em Nova York para televisão. Fiquei lá, na Globo, por nove anos e alguns meses e não aguentava mais. Não havia arte nenhuma e nível cultural muito baixo ( a maioria eram técnicos) e quando pedia para pôr matérias com arte, em algum programa, a resposta dos diretores era :- Arte não interessa à ninguém! ( Eles pensavam em termos de centenas de milhões de espectadores, os pontos no IBOPE! ) Mas isso ia contra mim! Me via como um artista! E trabalhava na época por 17 horas sem parar, ganhando um salário baixo, sábados, domingos, feriados, carnaval, natal! Era isso que havia planejado para mim? Não tinha dinheiro nem para comprar um apartamento próprio - tinha de alugar um, pois saíra de casa de meus pais, quando pedi demissão dos empregos em medicina: neuropsiquiatria com a Dra. Nise e os de assistente de cátedra em Doenças Tropicais e Administração Hospitalar no Instituto de Manguinhos (à convite de um diretor de hospital que daria aulas lá ), e que , por isso, parei de falar com meu pai por 6 meses. Então, movido por isso, e pela psicanálise, que pensei em exercer para poder me manter, saindo da Globo, comecei a formação em psicanálise por dois anos e meio, de sessões de quatro vezes por semana. Houveram outros motivos pessoais que se adicionaram e, então, pedi para me demitirem - o que foi feito! O meu chefe me disse na hora: - Você subiu no meu conceito!
Depois que sai, um mês exato, meu apartamento no Leblon desabou e tive de voltar de cabeça baixa, e sem absolutamente nada, pois perdera tudo, posses, carteiras de identidade , objetos, dinheiro e emprego para a casa de meu pai. Porém, meu pai, um ano depois, subornou o guarda que tomava conta do prédio que não desabara na parte do meu apartamento, e à noite, se arriscando , carregou com os operários, que eram amigos dele, a resgatar tudo que podiam dos meus pertences, que haviam ficado no apartamento condenado. Fiquei muito feliz com ele! Tempos depois, quando minha avó falecera, ele me chamou à um quarto e disse para mim que não queria que eu nunca mais pensasse em sair de casa, que havia chegado à conclusão de como eu tinha sido coerente, valente e bom filho e que ele e minha mãe haviam sofrido muito com o vazio que deixei. Que então iria me dar um ateliêr no quarto que fôra da minha avó, que infelizmente falecera, e ali poderia pintar e desenhar tudo o que eu quizesse e que ele me bancaria, pois chegara a conclusão que tinha feito o que fêz porque não queria que passassse o que ele já tinha passado na vida, em Portugal, e tinha muito orgulho de mim,que eu o fazia muito feliz de estar ali ao lado dele! Isso me fez uma outra pessoa!
Algum tempo depois, tentei voltar para o Parque Lage para fazer um curso de aprofundamento em arte com a Beatriz Milhazes, Daniel Senise e Luiz Pizarro. Fiquei apenas três meses depois de várias confusões - na época tinha sido convidado para ser repórter de video da Globo de novo e estava dividido, foi tudo muito confuso para mim - embaralhamento de mídias e desejo de ganhar dinheiro para ser independente de novo e não continuar a depender e dar prejuízo ao meu pai, já aposentado! Mas valeu, fiz vários amigos leais que são meus grandes amigos até hoje!




Ver navios

grafite sobre papel

60cm x 40cm

2005

Coleção Particular


Que artista influenciou seu pensamento?
Sofria muito com a falta de grana e queria sair da casa de meus pais de novo. Não via nada em arte que me mobilizasse como antigamente. Lia tudo que podia de filosofia e história da arte e romances. Mas o que queria, na época, era grana ! E fui para a Bienal de São Paulo, à convite de amigos, para odiar arte! Pensava, chegamos ao extremo, ao conceitual e ao fim de um percurso - Bad Painting, performances, fim das utopias - que poderá vir? Videos? De novo voltar aos videos que me perseguiram por tanto tempo como tecnologia na tvs? Eu fui um dos primeiros a colocar computador na televisão, embora um diretor fosse absolutamente contra e me tomou aquele que tinha conseguido para fazer a programação visual do jornal Hoje. Foi ótimo para mim, embora não soubesse na época, porque tinha um defeito congênito nos olhos, que me proibiu de usá-lo, até sair a tela de plasma. Detestava o hiperrealismo norteamericano e qualquer forma de fotorealismo, preferia o expressionismo abstrato e amava Tàpies, Magritte, Dubuffet, Rothko, Richard Serra, assim como Duchamp. Como realismo, apenas gostava do pop do Hockney e da inteligência que criava suas telas- como o Big Splash! Mas isso foi nos anos passados! Não gostava de acrílico que plastificava a matéria e a tornava um símbolo industrial que não admirava. Então fui à bienal , pronto para arranjar qualquer argumento que me fizesse convencer que nada mais me traria prazer que eu uma vez tivera! Vi tudo e entrei numa sala: era a sala de Anselm Kiefer! O meu choque foi de um tal nível que eu, sozinho, sentei no chão da sala com aquelas telas gigantescas diante de mim e chorei! Chorei de vergonha, por ser covarde, por não aceitar quem eu era! E daí , em vez de desistir e odiar arte que já me fizera sofrer tanto na vida, amei-a mais ainda, resolvi que ia lutar mais e seguir o mestre que encontrara, já sabendo de antemão a ligação com Joseph Beuys que Kiefer tinha! Estudei tudo que podia, fiz teses e hoje tenho orgulho de dizer que é meu amigo no facebook !








A Via Láctea

Anselm Kiefer

emulsão à óleo,chumbo em foto sobre tela

1985-1987

Pintei sem parar telas imensas, com kilos de tinta, até que sintomas de uma doença, que tentava me descartar , não a encarando, me proibiu de trabalhar com tinta à óleo de uma maneira radical. Fiquei perdido e não gostava de tinta acrílica. Estava no fundo de um buraco caminhando pela pracinha da Selva de Pedra, onde tinha tornado a morar com meus pais. Chutava as pedras e me fixei em um jornal sujo com uma foto no chão. Era um minerador cavando um buraco procurando diamantes, segundo a matéria. Fiquei olhando, me abaixei e peguei aquela folha imunda e resolvi pensar na minha vida, olhando para ela. Em casa, tinha uns rolos enormes dos neoexpressionismos figurativos que fazia com pastel e carvão, que também me provocou crises alérgicas tremendas que expus algumas individuais na Colômbia e em Cali , como também na Feira Internacional de Arte,na Colômbia. Pensando em Kiefer e em como ele fazia fotos imensas da Alemanha e por cima fazia sua alquimia- vudú , pensei em reproduzir a foto do buraco e fazer minhas interferencias por cima.
Durante nove meses desenhei aquele buraco e meus joelhos se transformaram em chagas abertas. Foi quando percebi que não precisava fazer que Kiefer fazia, seguindo Beuys, o próprio grafite da minha lapiseira 0,05mm, a mais fina de todas, que escolhera para me torturar por ser artista obcessivamente, era o material já que tinha o simbolismo mais rico que todos os outros materiais - ele se transformava em diamante, como meu pai me explicara quando eu era pequeno. E tirei o minerador do desenho - eu era o que procurava diamantes ali, algo escondido no grafite, no carbono que o compunha, no que se transformava e sua socialidade, na vida ,em arte, imagens, em mim! Inventei mitos para o Rio de Janeiro, para o Brasil, o grafite, o carbono, a alquimia, fiz uma antropofagia dos mitos gregos e tupis-guaranis e uni tudo a lenda do "Novus Mundus" de Americus Vespucius ( que deu o nome à Baía do Rio de janeiro) e da Utopia ( escrita por Sir Thomas Morus, em cima da viagem de um marinheiro de Vespucius ao "Novus Mundus") e juntei com a minha própria história. E assim meu trabalho começou!








Buraco - 1990/1991

grafite sobre papel

195cm x 120cm

Marcos Vasconcellos

Coleção José Olympio - São Paulo







Como você descreve o seu trabalho?
Tornar o impossível em possível dentro de cada um!





É possível viver só de arte no Brasil?
Sim , se primeiro você já for abastado e não precisar de vender para sobreviver.
Segundo, já sendo famoso e com preço das obras bem altas e que sejam disputadas pelos colecionadores para investimento seguro.
Terceiro, obtendo patrocínios com bastante QI !
Quarto, que a sua estrela brilhe trazendo reconhecimento, mérito, patrocínio, premios, chances e tudo mais que faça desenvolver o seu talento que nunca virá, se não trabalhar noite e dia, arduamente!









Eros

grafite sobre papel

150cm x 239cm

1991

Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM- Rio de Janeiro



O que você estuda? Como você se atualiza?
Eu leio física quântica, leio livros de arte, poesia, filosofia, semiologia, literatura, revistas especializadas e procuro estar em dia com tudo que acontece em arte, cinema, teatro, video, música e nas outras coisas que acontecem no mundo, pois somos produtos delas e temos de as sentir, traduzir. Então escuto os noticiários, ler jornal e revistas de várias áreas e mídias, assim como, às vezes, uso a internet para me atualizar e saber o que as pessoas estão pensando!





A gôta de nada que falta no oceano

instalação sobre guarda chuva e palca de madeira e massa de argila com grafite

oceano - pintura com tinta acrilíca com pó de grafite

gota de argila com pó de grafite polida pendurada por fio de nylon do teto, 25mts acima do espaço

Exposição Sobresolos - Marcos Vasconcellos - grupo Nhãgatu - Parque das Ruínas - 2010





Marcos, você tem uma formação rica, ilustrador, artista plástico, poeta e médico, como essas coisas se acomodam?
Descobri que tudo na vida tudo tem dois lados. Tudo de que na hora entendemos como um desastre completo no momento, seja problemas econômicos, de saúde, de relacionamento, profissionais, ou o vazio simplesmente, podemos descobrir um outro lado que na hora não podemos perceber, se o suportarmos e sobrevivermos, é claro! Esse outro lado sempre tem um aspecto positivo muito maior, e essa pode ser a verdadeira riqueza que a vida nos oferece, como a arte, usarmos a criatividade para descobrir o que é invisível no momento e o materializar depois em seu aspecto oculto e impossível, mas brilhante.


Vou repetir a pergunta feita pelo Nelson a mim, você colocaria suas obras em seu consultório. Eu disse não e larguei a Medicina e você?
Nunca pensei em colocar nada meu em nenhum consultório, porque como não queria ser médico ,sempre achei que jamais teria um consultório -mas, estranhamente me disseram que um ex-analista meu, tem uma obra minha, uma que ele lutou comigo, puxando de um lado e eu do outro, por motivos analíticos, para ficar com ela - o interessante é que era uma figura tampando o lugar do "falo", da área da produção. Ele falou: - agora você vai ter de fazer outras para substituir essa que você me "deu" ! E foi a obra que marcou a minha saída da Globo!

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Participei de salões quando ainda estava na Globo, como o Carioca, o nacional, ( que o Jorginho Guinle brigou comigo porque queria qeu eu entrasse com ele no salão do Parque Lage , que ficou famoso depois - a "Geração 80" . Mas, já estava classificado no Nacional e o Jorginho cismou que tinha de tirar. Mas agora posso me vincular ao futuro e não me rotular assim. Mas não sei de salões atuais!




História em tempo imaginário

grafite sobre papel

2005

60cm x 40cm

Coleção Madeira Corporate Service - Portugal

Quais são seus planos para o futuro próximo e distante?
Tenho tantos milhares de projetos e idéias em arte contemporânea ou no que além dela possa se transformar a arte ( visto que o mundo muda velozmente, e agora mesmo estamos diante de uma revolução no mundo muçulmano, que não podemos saber as consequências, provocado mesmo até por um instrumento inusitado, inventado por um garoto para objetivos mundanos, como o facebook, que vai e muda o mundo vertiginosamente em seus fundamentos) que posso só pensar que isso é o que penso agora, daqui há alguns segundos, já pode não ser mais temos de reformular tudo, para nos adaptar ao que acontecer e novos planos virão! E isso nos prova que a arte, como o facebook, pode mudar o mundo também!
Se vierem Bienais, acho ótimo, porque é um espaço onde podemos mostrar o trabalho de uma maneira grandiosa, com uma leitura mais profunda e completa, e para uma quantidade de gente interessada em arte como nunca poderia pensar em minha vida! Não penso em termos de chamar a atenção para a obra, não gosto desse tipo de chamarizes fugazes e sem profundidade, famosidades instantâneas e sem futuro, embora hoje em dia isso aconteça muito, porque tudo é muito superficial. Vai valorizar mais o meu trabalho, é claro, e preciso de dinheiro para fazer mais obras, mas o mercado segue modismos, tendências momentâneas nas quais não podemos ter certeza de nada.

Como você aproveita o seu tempo livre?
Aprisionando-o em mundos imaginários.











Frank Stein

grafite sobre papel

60cm x 40 cm

2005

Coleção Corporate Madeira Service - Portugal

Um comentário:

  1. Olá !! Que belos trabalhos!!!!
    Parabéns ao artista, talento!!!!
    Criei um blog para divulgar as exposições que estão em exibição aqui na cidade de Joinville SC, e também para entrevistar nossos artistas, se você puder acompanhar nosso blog https://artesvisuaisexposicoesemjoinvillesc.blogspot.com.br/
    Artes Visuais Exposições em Joinville,
    Meu nome é Luciano Santos Itaqui, sou acadêmico do Curso de Artes Visuais, e também aluno da Escola de Artes Fritz Alt nos cursos de História da Arte e Cerâmica!!
    Abraços de SANTA CATARINA

    Luciano Santos Itaqui.

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