domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Marcio Vilela



Marcio Vilela
Marcio fotógrafo, artista e professor. Vive e trabalha em Lisboa. Sólida formação e uma excelente obra. O artista foi selecionado e participa da exposição Abre Alas da Gentil Carioca, Rio de Janeiro.Grato Marcio.
Marcio, conte um pouco de sua história pessoal
Nasci em Recife, em 1978. Acho que sempre tive uma relação muito próxima com produção artística, pois meu irmão já dava sinais que iria seguir por este caminho desde criança. Mas até aos meus 23 anos acompanhei a produção dele e de outros amigos como mero espectador. Eu sempre senti uma vontade de me relacionar com a arte de uma maneira mais incisiva e pessoal, mas como nunca me senti especialmente dotado para o desenho ou pintura isto sempre foi ficando de lado. Estudei medicina veterinária até ao final do 3º ano do curso, quando finalmente conheci a fotografia. A fotografia parecia uma coisa mais democrática e fácil... ingenuamente eu achava isso. Comecei então a me dedicar bastante a produção de imagens, de tal forma que estudar medicina veterinária deixou de fazer sentido. Decidi que precisava de mudar tudo, até de pais.. Em 2002, com 23 anos, vim para Portugal estudar. Aqui descobri que o meio era realmente democrático mas que a “facilidade” oferecida era diretamente proporcional a minha ingenuidade.

Como foi sua formação artística?
Em 2002, vim para Portugal estudar na licenciatura em fotografia na Escola Superior de Tecnologia de Tomar. A licenciatura teve uma duração de 4 anos e foi extremamente importante na minha formação artística, pois me deu as ferramentas técnicas necessárias para executar meus projetos da maneira que os penso. Existiram outras coisa não académicas que contribuíram para a minha formação artística, como a minha participação no Anteciparte 2008 e minha residência no Carpe Diem-Arte e Pesquisa, que durou quase 2 anos e que vai culminar com a apresentação de um novo projeto agora no dia 3 de Março.


Que artista influenciam seu pensamento?
Caravaggio, Robert Smithson, Gordon Matta Clark, Alech Soth, Andreas Gursky, Gus Van Sant...

Como foi sua decisão de se fixar em Portugal?
Eu precisava mudar tudo, a fotografia tinha tomado conta da minha vida de uma maneira inequívoca. Antes de vir para cá pensei em vários países, como França, Inglaterra e Estados Unidos. Mas entre barreiras linguisticas e custos Portugal me pareceu o melhor. Meu avô era português também, e achei que fazer o caminho de volta fazia muito sentido. Vir não foi uma decisão difícil, eu estava comprometido com a mudança e nem olhei para trás.

Você tem rotina de trabalho?
Eu sou professor de fotografia no mestrado em fotografia na ESTT, onde me formei, dou aulas todas as semanas... esta é a única rotina que cultivo. Os trabalhos autorais criam as suas próprias dinâmicas, por vezes estou semanas sem produzir, outras vezes posso trabalhar 7 dias por semana. Eu não gosto de rotinas.

Você escreve sobre seu trabalho?
Sim, mas os textos não são divulgados. Escrevo mais como uma ferramenta para construir o pensamento sobre um determinado projeto.

Além dos estudos sobre arte, o que serve de inspiração?
Acho que ver e conviver com o trabalho de outros autores é o principal. Viajar ajuda muito, principalmente ir ao Brasil. Ver filmes, surfar, ouvir música, caminhar na paisagem, dar aulas e conversar com algumas pessoas que tem este poder de “libertar”... isto tudo me inspira de uma maneira muito forte.

Você participou numa exposição no Rio de Janeiro (Galeria Gentil Carioca) o que representa para sua carreira?
Estar no Abre Alas 8 foi uma oportunidade de mostrar meu trabalho “em casa”, isto para mim é muito importante pois apesar de viver em Portugal sinto que este elo artístico com o Brasil é cada vez mais forte. Conhecer pessoalmente outros artistas brasileiros também foi muito bom, existe ai uma dinâmica de produção incrível. Ir ao Brasil é sempre um sentimento de “carregar baterias”, é uma coisa que me preenche muito.

É possível viver de Arte em Portugal?
Viver exclusivamente de arte em Portugal, na minha opinião, é bastante difícil. A maioria dos artistas que conheço tem actividades paralelas para sustentar a produção. Existem artistas com carreira consolidada que conseguem. Portanto, é possível, mas não é fácil.

Você é professor em uma faculdade, poderia contar essa experiência e como ela se insere em seu trabalho?
Eu gosto muito de dar aulas, é quase uma necessidade. Acho que ensinar é aprender, o meu discurso como docente está sempre sofrendo mudanças, estou sendo sempre “forçado” a sair da minha zona de conforto, a procurar coisas novas. Esta deslocação da zona de conforto muitas vezes tem uma influência no meu trabalho. No fundo acho que é tudo a mesma coisa... dar aulas, ser artista, escolher o filme que vou ver... É tudo consequência daquilo que sou.

Quais são seus planos para o futuro?
Voltar para o Brasil


O que faz nas horas vagas?
Gosto de ir ver exposições, ver filmes, ir praia e fazer surf e de estar com meus amigos. Estou aprendendo a tocar bateria também.





















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