segunda-feira, 16 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Marcelo Lopes



Marcelo Lopes



Marcelo, conte um pouco de sua história pessoal
Nasci em 1965 no Bairro do Cambuci, na cidade de São Paulo. O Cambuci era um bairro predominantemente operário que abrigava famílias de todas as regiões do Brasil e diversas partes do mundo. Meu pai foi funcionário da indústria metalúrgica e minha mãe, dona de casa. Eu costumava encontrar o pintor Volpi com seu inseparável cigarro de palha nas ruas do bairro, era conhecido de meu avô, também de origem italiana. Só muito tempo depois viria a saber da importância deste artista. Estudei em algumas escolas públicas do bairro e não cursei universidade.


Como foi sua formação artística?
Não tive educação artística formal. Desde criança gosto de desenhar e pintar. Copiava primeiramente ilustrações de uma antiga enciclopédia que havia em casa, depois passei a praticar vendo as histórias em quadrinhos. Eu queria trabalhar com desenho, com pintura. Incentivado por meu pai, procurava uma atividade onde eu pudesse exercer esta vocação profissionalmente. Uma das melhores opções era a publicidade. Aos dezesseis anos consegui uma vaga de office boy, após um breve estágio no estúdio de arte de uma das maiores agências de São Paulo. Auxiliado por pessoas muito talentosas, principalmente ilustradores, fui crescendo na profissão. Paralelamente, estudava arte como autodidata em busca de um trabalho mais autoral. No início dos anos 90, com a informatização, o trabalho na publicidade perdeu sua manualidade, o que eu mais apreciava, então passei a trabalhar como freelancer. Consagrados artistas norte americanos como Hopper e Andy Warhol, para citar apenas dois, iniciaram suas carreiras na publicidade.

Que artistas influenciam seu pensamento?
As referências são inúmeras e não se restringem apenas às artes plásticas, também gosto muito de cinema, música e literatura.Entre os pintores estão: Giotto, van Eick, van der Weyden, van der Goes e outros flamengos do período, Rafael, Michelangelo, Bruegel, Dürer, Holbein,Velázquez, Pieter de Hooch, Rembrandt, Vermeer, Canaletto, Géricault, Goya, Hokusai, alguns pré-rafaelitas, Millet, Courbet, Manet, Degas, Lautrec, van Gogh, Winslow Homer, os viajantes Debret e Landseer, Munch, Franz Marc, Klee, pintores na nova objetividade como Otto Dix, Magritte, Hopper, L. S. Lowry, Lucian Freud, Hockney, Ralph Goings e Antonio López García.


Como você descreve sua obra?
Inicialmente instintiva. Trabalho com referências fotográficas sempre feitas por mim, guiado fundamentalmente pelo instinto.Estas imagens fotográficas são transformadas em aquarelas, nesta etapa ela se torna mais técnica. Eu definiria meu trabalho como pintura realista, pois me utilizo de cenas do cotidiano e personagens anônimos da cidade.




Qual o motivo de você ter escolhido a aquarela como base do seu trabalho?
Descobri que a aquarela é um material tão nobre e permanente como outros mais tradicionais como a tinta a óleo, por exemplo.Percebendo meu interesse por alguns artistas hiper realistas, que trabalham com aquarela, no Natal de 2007 minha esposa me presenteou
com um estojo de aquarelas de ótima qualidade. Eu já tinha contato com este material, mas ainda não havia utilizado para trabalhos finais.Também pela falta de espaço físico, a aquarela se mostrou perfeita.

Você tem rotina de trabalho?
Não tenho. Tenho disciplina, que é uma coisa diferente.

Você escreve sobre seu trabalho?
Não escrevo.

Além dos estudos sobre arte, o que serve de inspiração?
Tudo. Tudo pode ser representado na pintura, e sou essencialmente pintor. Tudo o que vejo dá uma boa aquarela, mas tento ser seletivo.

Qual sua opinião sobre os salões de Arte?
Iniciativas para a divulgação da arte e da cultura são importantes e os salões podem contribuir para isso.

Você é representado por Galeria? O que isso significativa para o artista?
Sourepresentado por uma galeria de São Paulo e tive uma experiência com uma galeria internacional anos atrás. A galeria tem um papel importante na divulgação e comercialização da obra do artista.

É possível viver de Arte no Brasil?
É possível e alguns artistas provam que sim. Não são muitos, a imensa maioria dos artistas precisa compor seu trabalho com atividades extras. Viver de arte é um privilégio, e creio que não só no Brasil. Os artistas que vivem confortavelmente de arte no Brasil têm alguma projeção internacional, o que é um paradoxo.

Quais são seus planos para o futuro?
Não costumo fazer planos. Vou continuar trabalhando, produzindo.

O que faz nas horas vagas?
É bastante complicado separar a vida do trabalho, as coisas estão muito ligadas. Nas horas vagas tento não fazer nada, em viagens ou passeios, se vou à praia ou ao campo, não levo meu estojo de aquarelas e, às vezes, me arrependo. Mas um pouco de ócio é saudável. Para descansar da pintura, gosto de cozinhar. Gosto também de cinema, música e literatura, mas creio que estas atividades se relacionam com meu trabalho direta ou indiretamente.





Mil e Setenta e Cinco - aquarela sobre papel - 22,0 x 27,0 cm (2011)





Antena - aquarela sobre papel - 28,0 x 26,0 cm (2011)




Base - aquarela sobre papel - 21,0 x 30,0 cm (2011)



Bonecos II - aquarela sobre papel - 23,0 x 21,0 cm (2011)




Patriarca - aquarela sobre papel - 16,5 x 33,0 cm (2010)



Reciclagem no Glicério - aquarela sobre papel - 23,0 x 31,0 cm (2011)





Feira de Rua - aquarela sobre papel - 22,5 x 20,0 cm (2010

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