domingo, 15 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Manoel Veiga




Manoel Veiga Artista nascido em Recife. Vive e trabalha em São Paulo. Um belo currículo com exposições no Brasil e no exterior e uma obra muito pessoal. Obrigado Manoel.








Manoel fale algo sobre sua vida pessoal
Nasci em 1966 em Recife, capital pernambucana, de família tradicional. Meus pais nunca tiveram nenhuma aproximação com artes plásticas mas com História (meu pai) e literatura (minha mãe). Assim sempre tive excelentes livros em casa e leio muito desde cedo. Minha formação escolar seguiu o rumo normal e sempre fui dos bons alunos por gostar de estudar. Era extremamente tímido e desenhar sempre foi uma coisa natural para mim, não sei explicar porque, e pelo menos até os 12 anos consumia resmas e resmas com as coisas mais diversas. Depois que comecei a socializar mais na escola, simplesmente abandonei essa prática, também não sei porque, e só fui retomá-la aos 27 anos mas não parei mais! Durante esse período de "blackout gráfico" cheguei a escrever bastante, outra coisa natural para mim, talvez estimulado pelas leituras constantes. Quando tinha 15 anos já comecei a usar computadores, já programava em Basic, mas em paralelo lia alguma coisa sobre História da Arte, sobre arquitetura. Sempre fui muito curioso e tive interesses diversos, como resultado disso, na hora de fazer a escolha da profissão para o vestibular, fiquei em dúvida entre arquitetura e engenharia eletrônica! Optei pela segunda e cursei a Universidade Federal de Pernambuco. Durante todo o curso trabalhei como aluno de iniciação científica no depto de física, algo que me marcou profundamente, mudou minha maneira de olhar o mundo. Ao mesmo tempo comecei a fotografar como hobbie e me dediquei com afinco e aí começou minha reaproximação com um pensamento visual. Colei grau e fui contratado pela Rhodia, multinacional do ramo químico, para trabalhar com automação insdustrial. Foram 4 anos intensos, tempos de Plano Collor, até que decidi encerrar aquela etapa que me exauriu e não me trouxe a satisfação profissional que esperava. Foi no fim desse período, estando muito estressado, que fiz algumas aulas de pintura, sem nenhuma pretensão, apenas para relaxar...



Como foi sua formação artística?
Basicamente sou autodidata. Das poucas aulas iniciais que tive com Renato Valle, artista pernambucano, segui um caminho intuitivo e muito livre mas pautado por muitas leituras que incluiam procedimentos técnicos tradicionais. Conheci Gil Vicente, outro artista de Recife, e da amizade veio um acompanhamento e aconselhamento do meu trabalho artístico que durou 2 anos. Em 1996 percebi que o caminho profissional a seguir estava dado e comecei a investir. Passei um ano em Paris onde estudei técnicas de pintura na Escola de Belas Artes e fiz cursos teóricos na Escola do Louvre e no Colégio de Filosofia. Mais importante, visitava museus e galerias todos os dias! Na volta ao Brasil, fui convidado pelo crítico de arte e curador Agnaldo Farias para trabalhar em projeto do Itaú Cultural em São Paulo. Ficaria 3 meses mas o fato é que não voltei mais, estou radicado aqui desde então. Foi uma decisão muito acertada e segui minha formação aqui, através de cursos com Rodrigo Naves, Leon Kossovitch na Escola do Masp, e de grupos de estudo com Nuno Ramos e com Carlos Fajardo, esse importantíssimo para mim.



Da Engenharia para a Arte foi difícil a decisão?
Na verdade isso se deu em duas etapas. Primeiro decidi abandonar a engenharia. Pedi demissão e cheguei a pensar em fazer um MBA para trabalhar com meu pai mas ainda bem que não consegui bolsa, rs! Em paralelo a pintura foi se desenvolvendo e fui compreendendo e me embrenhando no circuito artístico profissional. Em algum momento, que não sei precisar, já estava tão envolvido que não tinha mais alternativa, vamos dizer assim, rs!



Que artistas influenciam seu pensamento?
Vários e de épocas distintas. Posso citar Caravaggio e Velasquez por suas abordagens conceituais tão ousadas. Também Marcel Duchamp pela reflexão brilhante sobre o circuito da arte e que ele trouxe para dentro do seu próprio trabalho, radical demais na época. Finalizaria com Robert Smithson que trouxe uma articulação com a natureza inédita, seu uso consciente no trabalho de noções como a de entropia me fazem sentir muito próximo a ele, embora o resultado formal seja obviamente diverso.



Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
Um contato permanente com ciência, física de partículas, cosmologia, etc. Claro que pelo lado teórico, de divulgação, ligado à filosofia da ciência. Vivemos um tempo incrivelmente excitante nessa área, semelhante ao fim do século XIX, e tudo está ou mudando ou em vias de mudar. Nossa compreensão do universo, em todas as escalas, está sofrendo uma trasnformação da magnitude daquela causada por Galileu ou Einstein. As implicações filosóficas que derivam daí são profundas!



Como você descreve seu trabalho como artista
Multidisciplinar. O que venho realizando nos últimos 10 anos é ligado a tudo o que acumulei de conhecimentos tanto em arte quanto em física, seja pelo lado conceitual, filosófico, quanto pelo lado prático, construtivo. Não seria possível, por exemplo, produzir a minha pintura apenas com o conhecimento técnico da tradição artística. Além dele, preciso de noções de dinâmica dos flúidos e propriedades físico-químicas dos materias



Você escreve sobre seu trabalho?
Apenas uma vez escrevi um texto para o catálogo de uma exposição individual que fiz na Galeria Virgílio em São Paulo (2005). Essa minha linguagem pictórica começava a se desenvolver e por ser um tanto diferente do que se espera em pintura, estimulado por amigos, comentei sobre o processo técnico e questões conceituais que me interessam. Tentei mostrar um pouco como funciona a cabeça de um ex-engenheiro, quase físico, que virou artista plástico, rs!! Esse texto está disponível no meu site.



Você tem rotina de trabalho?
Tenho uma rotina razoável mas sem neuroses, rs! E as necessidades mudam de acordo com a época, por exemplo, nas vésperas de exposições grandes a rotina de produção é bem diferente daquela da criação da pintura no atelier. De qualquer maneira procuro estar empre pintando, sem períodos mais longos longe da prática diária da pintura.



É possível viver de arte no Brasil?
Sim, é possível, não é fácil mas as coisas vem melhorando lentamente, o mercado tem crescido e as instituições vem se profissionalizando. Claro, temos um longo caminho a percorrer até poder chamar nosso circuito de razoável mas o importante é a tendência positiva.



Recife ou São Paulo?
Ambas! A base é São Paulo, que adoro e adotei completamente, mas em Recife estão minhas raízes intelectuais e emocionais, não posso ficar longe.



Quais são seus planos para o futuro?
Continuar trabalhando firme, sem perder o foco, minha cabeça segue a mil por hora e tenho muito o que fazer pela frente!



O que faz nas horas vagas?
Muitas coisas diferentes mas encontrar os amigos, seja qual for o pretexto, é fundamental.
















































Residências Artísticas
2005 Centro de Arte Marnay Marnay-Sur-Seine França
2002 Freie Kunstschule Berlin Alemanha
“Faxinal das Artes” Faxinal do Céu Paraná
Bolsas
2005 Fondation Thénot França
Prêmios
2010 Prêmio “Mostras de Artistas no Exterior” (Fundação Bienal de São Paulo / Ministério da Cultura do Brasil)
Prêmio Jabuti (Ilustração para Livro Infantil)
2006 Menção Especial (Bienal do Recôncavo)
Prêmio Flamboyant (Salão Nacional de Arte de Goiás)
Exposições Individuais
2011 Galeria D'Est et D'Ouest Paris França
2010 Galeria Dengler Und Dengler Stuttgart Alemanha
Galeria Nara Roesler São Paulo SP
2009 Museu de Arte Contemporânea do Paraná Curitiba PR
Centro Cultural Usina do Gasômetro Porto Alegre RS
Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
2007 Museu Murillo La Greca Recife PE
2006 Ateliêaberto Campinas SP
2005 Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
Galeria Virgílio São Paulo SP
2004 ARCO Florianópolis SC
2003 Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
Paço das Artes São Paulo SP
2002 Espaço Virgílio São Paulo SP
2001 Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
Centro Cultural de São Francisco João Pessoa PB
2000 Galeria Vicente do Rego Monteiro Fundação Joaquim Nabuco Recife PE
Exposições Coletivas
2012 "Schwarz" Galeria Dengler Und Dengler Stuttgart Alemanha
2011 "Figura, Paisagem e Natureza-morta" SESC Casa Amarela Recife PE
“Eflúvios artificiais para mulheres abstratas – Daniel Santiago” Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães Recife PE
Galeria Cult Recife PE
“Blue Connection” Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba Sorocaba SP
“Blue Connection” Espaço Líbero Badaró São Paulo SP
Feira de Arte de São Paulo (SP Arte) São Paulo SP
Feira de Arte de Karlsruhe Karlsruhe Alemanha
“Pequenos Formatos 2011” Atelier Subterrânea Porto Alegre RS
"Hermes" Atelier Carla Chaim São Paulo SP
2010 ART.FAIR 21 Colonia Alemanha
“Autoretrato” Museu Alfredo Andersen Curitiba PR
“Blue Connection” Familie Montez Kunstverein Frankfurt Alemanha
Coletiva da Galeria Motor Atelier Shirley Paes Leme São Paulo SP
"Recortes Afetivos” Galeria Adalice Araújo-UTP Curitiba PR
Feira de Arte de São Paulo (SP Arte) São Paulo SP
Feira de Arte de Karlsruhe Karlsruhe Alemanha
2009 “Graphias – se assim somos, que assim sejamos” Memorial da América Latina São Paulo SP
Feira de arte contemporânea de Zurique Zurique Suiça
"Action Painting Today" Galeria Dengler Und Dengler Stuttgart Alemanha
"4 pinturas" Centro Cultural Arquipélago Florianópolis SC
"Feira de Arte Contemporânea de Buenos Aires (ArteBA)" Buenos Aires Argentina
2008 "Acervo vivo" Casa do Olhar Santo André SP
"Mostra Recife de Fotografia” Museu do Estado de Pernambuco Recife PE
“Garanhuns Mostra Foto” Festival de Inverno de Garanhuns Garanhuns PE
"Lado B - arrudeia" Museu Murillo La Greca Recife PE
"Arte pela Amazônia" Pavilhão da Bienal de São Paulo São Paulo SP
"Leveza e aspereza da linha" Galeria Nara Roesler São Paulo SP
2007 "Pintura contemporânea ou ut pictura diversitas” Memorial da América Latina São Paulo SP
"A espiral de Moebius ou os limites da pintura” Centro Cultural Parque de Espanha Rosario Argentina
"Feira de Arte Contemporânea de Buenos Aires (ArteBA)" Buenos Aires Argentina
"Exposição comemorativa do no 50 da revista SIM!" Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
2006 Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
“Intervenções Urbanas no Festival de Inverno de Garanhuns” Garanhuns PE
“VIII Bienal do Recôncavo” Centro Cultural Dannemann São Félix BA
“Geração da virada – 10+1: os anos recentes da arte brasileira” Instituto Tomie Ohtake São Paulo SP
“Marte é aqui” São Paulo SP
“4” Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
Salão Nacional de Arte de Goiás Goiânia GO
“BO no parque” Branco do Olho Recife PE
2005 “BR 2005” Galeria Virgílio São Paulo SP
Centro de Arte Marnay Marnay-Sur-Seine França
“Árvore Show” São Paulo SP
2004 “BR 400” Galeria Virgílio São Paulo SP
“Narrativas” Centro Cultural de São Francisco João Pessoa PB
“Título de pintura” AteliêAberto Campinas SP
“Novas aquisições” Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães Recife PE
“Pintura vs. Fotografia” Paço das Artes São Paulo SP
Lord Palace Hotel São Paulo SP
“Outro lugar” Galeria Virgílio São Paulo SP
“Home with no walls” Bombaim Índia
“Mais de 3” Museu Metropolitano Curitiba PR
“São Paulo 450 anos” SESC Pompéia São Paulo SP
2003 Salão Arte Pará Fundação Rômulo Maiorana Belém PA
XI Salão Municipal de Artes Plásticas João Pessoa PB
Dumaresq Galeria de Arte Recife PE
“Entre o preto e o branco” Casa da Cultura da América Latina Brasília DF
“Pluralidade na arte brasileira” Galeria de arte e pesquisa/UFES Vitória ES
2002 Coletiva de Reis Kolams Galeria de Arte Belo Horizonte MG
“28 (+) Pintura” Espaço Virgílio São Paulo SP
Coletiva do “Faxinal das Artes” Museu de Arte Contemporânea de Curitiba Curitiba PR
Atelier Coletivo Olinda PE
Freie Kunstschule Berlin Berlim Alemanha
1999 Projeto Rumos Visuais (Itaú Cultural) Selecionado para formar banco de dados de novos talentos brasileiros
Galeria da Câmara Americana de Comércio São Paulo SP
Projeto “Arte nas Galerias” Bairro do Recife (As Galerias) Recife PE
1998 IV Salão UNAMA de Pequenos Formatos Galeria de Arte da Universidade da Amazônia (UNAMA) Belém PA
“Intrudo V” Espaço Cultural Bandepe Recife PE
VIII Salão Municipal de Artes Plásticas Centro Cultural São Francisco João Pessoa PB
1997 VIII Salão Municipal dos Novos Museu Nacional do Mar São Francisco do Sul SC
“O Papel da Arte V” Espaço Cultural Bandepe Recife PE
Espaço Cultural Sobrado Olinda PE
1994 20o Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho Banco do Brasil Jacarezinho PR
1o Salão de Arte dos Novos Museu do Estado de Pernambuco Recife PE
Trabalhos em coleções públicas
Fundação Joaquim Nabuco Recife PE
Museu de Arte Contemporânea Goiânia GO
Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba Sorocaba SP
Museu de Arte Contemporânea do Paraná Curitiba PR
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães Recife PE
Sesc Pernambuco Recife PE


http://www.manoelveiga.com.br

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