segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Luiza Baldan






Tugúrios (2008/2010)







Visitante (2010)

Natal no Minhocão (2009)


Carandiru (2009)



Circulação Branca (2009)









Série Becos (2000/2002)





 
A entrevistada de hoje é a jovem artista, mas com uma carreira bastante sedimentada Luiza Baldan. Ela utiliza a fotografia e vídeo como meios na elaboração de seus trabalhos. Ela contará um pouco de sua formação, os artistas que mais influenciaram seu pensamento e comentará aspectos de sua obra.









Luiza Baldan É mestre e bacharel em Artes Visuais pela UFRJ (Rio de Janeiro, 2010) e Florida International University (Miami, 2002). Recebeu prêmios e bolsas como o XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte (2010), Color Express Award (2002) e Brown L. & Marion Whately Scholarship (2002)
Em 2010 realiza residência artística na Península, Rio de Janeiro, como parte do projeto "Mapas invisíveis", da curadora Daniela Name. Também participa de exposições no Paço das Artes (SP), MAC (Niterói), Caixa Cultural (RJ), Centro Universitário MariAntonia (SP) e Plataforma Revólver (Lisboa, Portugal), além do projeto "Poéticas e Retóricas Contemporâneas", através da Funarte, no Centro Cultural da UFG de Goiânia.
Em 2009 completou a residência artística no Pedregulho (Conjunto Prefeito Mendes de Moraes), no Rio de Janeiro, fomentada pelo IPHAN através do edital Arte e Patrimônio, e foi premiada pelo 37º Salão de Arte Contemporânea de Santo André - SP.
Em 2008 foi selecionada pelo Centro Cultural São Paulo para realizar exposição individual na 1ª Mostra de Fotografia, recebendo o prêmio aquisição.
Do seu currículo também pode-se destacar a menção da Fundação Iberê Camargo (2007), e a participação nas coletivas "Nova Arte Nova", CCBB (Rio de Janeiro e São Paulo, 2008 e 2009) e "BAC!", no Centre de Cultura Contemporània de Barcelona (Espanha, 2005, 2006 e 2008).
Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro
Nasci em 1980, no Rio de Janeiro, e de lá pra cá, tive 26 endereços diferentes. Não daria para enumerar aqui cada um deles Comecei a faculdade de Ciências Sociais, na UERJ, em 1998, já pensando que queria fazer mestrado em Antropologia Visual. Mas eu sentia falta da parte de criação. Foi quando decidi mudar de curso. Quase fui para Buenos Aires estudar Comunicação através de uma bolsa do Consulado Argentino, mas um dos meus irmãos morava em Miami e me convenceu a ir para lá. O bacana de estudar nos Estados Unidos é a mobilidade entre os cursos. E foi assim que comecei a estudar Artes. Acabei fazendo a faculdade de Artes Visuais, concentrando em Fotografia, e uma especialização em História da Arte. No início fui bastante influenciada por Manuel Álvarez Bravo, William Eggleston e Edward Hopper, e acho que trago essa bagagem comigo até hoje, tanto que o trabalho realizado em 2000 conversa diretamente com o produzido atualmente.

Meu primeiro projeto foi em p/b. Fotografei e filmei os becos de South Beach por quase dois anos. Passei por diversos interesses e focos, e acabei concentrando a pesquisa em detalhes encontrados pelo caminho, nos tais vestígios de desconhecidos, que perseguem meu trabalho até hoje. Não se tratava de fotografar um lugar abandonado, mas de forma a aparentar abandonado nos minutos em que eu estava presente. Foi muito importante fazer o vídeo também, revisitar cenas fotografadas anteriormente, mas incluindo cor, movimento, som, e os textos que eu escrevia sobre aquela experiência. Dez anos depois desse projeto, encontro-me realizando um outro que está diretamente relacionado com a memória da época dos becos. E curiosamente, também fiz um vídeo, com texto, que menciona esse ano 2000. O trabalho, chamado "De murunduns e fronteiras", será exposto na Caixa Cultural do Rio, a partir de 22 de novembro de 2010, como parte da mostra coletiva "Mapas Invisíveis". Foi realizado durante uma residência na Península, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Depois de ter participado de algumas residências, vejo que o trabalho está se direcionando para essas "imersões" temporárias. Entendo que é importante viver no lugar para de fato trabalhá-lo, vide o histórico da minha vida com tantos endereços. É através da intimidade com o cotidiano que o olhar se aprofunda e a poética surge. Então os próximos projetos estarão relacionados com essas moradias provisórias.


Luiza, obrigado por sua participação, ela se torna mais importante pelos comentários sobre os vídeos, mídia que grande parte dos espectadores tem dificuldade de entender e assimilar.

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