terça-feira, 17 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Lin Lima











Lin Lima

Lin Lima da nova geração de artistas cariocas. Representado pela Cosmocopa Galeria de Arte e um nome em ascenção na cena artística do Rio de Janeiro. Abraço Lin, sucesso e obrigado por seu depoimento.


Lin, fale algo sobre sua vida pessoal
Nasci e cresci no interior. Cambuci, no norte fluminense. Família de classe média, andarilhos que levavam eu e meus irmãos na bagagem pra tudo que era lado. Eu mesmo gostava de andar no mato, descalço e sem camisa. Tomava banho de rio, roubava tudo que era fruta no quintal dos outros, acompanhava folia de reis, jogava bola e brigava na rua e, claro, desenhava sempre. Vim para o Rio para ficar dois meses estagiando numa gráfica rápida, após a fatídica copa de 1998, e nunca mais fui embora. Conheci a Dianne e logo depois tivemos dois filhos: João Pedro e Nina. Fiz pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ, trabalhei em agência de design, estudei direção de arte na ESPM, fui monitor no MAC-Niterói, assistente do Felipe e da Rosana, bolsista na Fiocruz... e outras coisas que a gente vai fazendo pra se virar.

Como foi sua formação artística?
Começou cedo mas demorei a levar a sério. Via isso como desvantagem e hoje acho que foi melhor assim. No primeiro curso de desenho que fiz, com 14 anos, meu professor aconselhou-me a seguir carreira, mas nessa idade meus hormônios não permitiram. Não tinha jeito, tudo me empurrava pras artes. Antes disso tudo estudei música e até hoje não entendo porque não continuei. Até entendi, mas não degluti. Aprendia fácil e tinha muitas idéias sonoras na cabeça. Ainda tenho, mas o tempo cada vez mais curto me distancia desse prazer. Fazer sons me leva pra outra dimensão.

Que artistas influenciaram seu pensamento?
Kafka, Monet, Carlos Drumond, Jimi Hendrix, Jacson do Pandeiro, Brancusi, Eva Hesse, Robert Smithson, Robert Crumb, Charles Chaplin, Cartier-Bresson, Walter de Maria...


Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
Viajar, conversar e ouvir histórias.

Como você descreve seu trabalho como artista?
Trabalhos que sempre envolvem muita paciência e persistência.


Qual sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestões para aperfeiçoá-los?
Nada contra os salões. Pelo contrário, pois tem sempre muita gente querendo mostrar serviço, e muita gente boa. Não tenho a pretensão de mudar os salões, não me envolvo ainda com curadoria, pode ser que um dia o faça, e qualquer opinião minha hoje nesse sentido pode ser irrelevante ou inocente. Daqui alguns anos entenderei melhor o processo e poderei sugerir algo. Por enquanto estou no time de quem quer mostrar coisas.

É possível viver de arte no Brasil?
Se alguns poucos conseguem é porque é possível.

Você tem uma rotina de trabalho?
Sô quase workaholic. Trabalho todos os dias e de vez em quando alguém tem que me arrancar do que tô fazendo senão não tenho vontade de parar. Já cochilei muito com lápis ou estilete na mão, fazendo coisas no computador. Meu bom humor, a música e o fato de fazer o que gosto me salvam do stress. Não fosse isso não trabalharia tanto. Não teria graça.

Você é representado pela importante Cosmocopa Arte Contemporânea, como se deu esse encontro e qual o significado para sua carreira?
A Cosmocopa representa muito pra mim. O encontro começou em 2006 quando fui ser assistente do Felipe e da Rosana e aprendi a trabalhar com arte profissionalmente, conheci outros artistas, críticos. Trabalhava com design gráfico e estudava na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), e por conta disso, por intermédio do Felipe, acabei conhecendo o Álvaro. A publicidade ficou pra trás e meu trabalho com design gráfico incorporou-se à galeria. Na verdade tudo que faço acabou sendo absorvido por ela, e naturalmente. O fato de conhecer e me dar bem com os três sócios me deixa numa situação até suspeita pra falar. A primeira galeria a me representar e onde aconteceu minha primeira individual. Sinto-me realmente em casa.

Quais são seus planos para o futuro?
Tentarei mestrado novamente daqui a pouco. De resto é continuar trabalhando e desenvolvendo minhas idéias, paciente e persistentemente.

O que faz nas horas vagas?
Geralmente fico com a família, arranjo uma trilha no mato pra andar, a cerveja com os amigos anda rara mais de vez em quando rola, ou me desequilibro com o Botafogo, por qualquer motivo que seja.



Corredor (2010) Centro Cultural Banco do Nordeste.


Não me Viu (2009)


Orquídeas


Sem Título


Série Negra Sem título (2011)




Possibilidades (2010)




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