segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Lia do Rio.







Lia do Rio






























Lia do Rio Cardos Costa. Artista, professora de Arte e curadora. Nasceu em São Paulo e mora no Rio de Janeiro desde os dez anos de idade. Graduou-se em Pintura pela Escola Nacional de Belas Artes, UFRJ. Em 2005, concluiu a Pós Graduação em Arte e Filosofia com a monografia Virtualidade e Ato de Criação: O Sorriso do Gato. Em 2007, a Pós Graduação em Filosofia Antiga com a monografia O Tempo em Aristóteles, ambas na PUC-Rio.





Lia qual foi sua formação em Arte?
Fiz Belas Artes na UFRJ. Em 1982, procurei a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Começei com Charles Watson no curso Pintura como Objeto. Minha pintura adquiriu, então, tridimensionalidade e os trabalhos passaram a se assemelhar com janelas, que logo foram assumidas como meu material principal. Em 1986, retornei à Escola no núcleo de Escultura com João Goldeberg, Celeida Tostes e Avatar Morais. Passei a intervir na paisagem usando o manancial de folhas secas à disposição no Parque Lage. Discutia as questões contidas nessa matéria, tais como transformação, vida e memória. A parte teórica me foi transmitida por Reinaldo Roels Jr., Milton Machado e Ronaldo Rego Monteiro. Inscrevi-me, também, no curso ministrado por Paula Troppe por considerar importante registrar eu mesma a minha produção, dos trabalhos ao ar livre.
O que aconteceu depois?
Após a rica experiência na EAV do Parque Lage, eu percebi ser o meu caminho, não um trabalho de ateliê, mas a realização das obras em ruas e parques, registradas por meio de vídeos e fotografias. Utilizo uma linguagem entre a instalação, a intervenção e a apropriação, em uma indagação sobre a natureza do tempo. A diversidade de materais e linguagems utlizadas está sempre relacionada a este questionamento. Quanto ao espaço a ser utlizado, este me dita a forma e o que lhe será reservado.
Você se identifica com algum movimento?
Sim, com a Land Art, a Arte Pública e a Arte Povera. Numa viagém a Nova York, vi no MOMA uma exposição de Richard Long, foi quando tive realmente a certeza do caminho a ser trilhado.
Sendo seus trabalhos efêmeros parece não haver uma preocupação com a venda dos trabalhos.
Em arte, eu considero a questão comercial secundária. Para realizar meu trabalho, quase sempre construídos com materiais naturais ou descatados, não necessito de um grande orçamento. Algumas vezes, consigo patrocínio. Tenho grande satisfação com a participação do público durante e depois da elaboração das obras. Algumas pessoas passam, olham, comentam, perguntam e, por vezes levantam questões não percebidas por mim. Isso é gratificante. São trabalhos efêmeros que permanecem nos registros.
Além de artista você é professora de Arte. Como é a experiência?
Depois da experiência com exposições individuais e coletivas e palestras no Brasil e exterior, Estados Unidos, Japão, Guatemala, Áustria, Alemanha e Inglaterra, passei a ter uma significativa vivência em arte. Em 1994, tornei-me professora de Escultura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É importante transmitir àqueles em início de carreiara a sua própria experiência. Você, também, aprende com os alunos e, eles são um estímulo para mais estudo. Em 2002, dei aulas na Universidade Estácio de Sá. Em 2003, transferi-me da EAV para o ateliê do Rio Comprido, onde juntamente com os artistas Valéria Costa Pinto, Monica Mansur e Pedro Paulo Domingues foi criado o grupo APARTE/Interação. O local tornou-se um espaço para exposições e aulas. Hoje, dou cursos no Estúdio ÖkO de Arte Contemporânea. Eventualmente, sou procurada por um antigo aluno para discutir seu trabalho ou escrever um texto para exposição. É gratificante seguir o progresso da carreira de alguém que começou com você.
Lia, você atua, agora, como curadora, você considera uma função importante?
Considero. Não é a primeira vez: entre 1999 e 2000 participei da criação da galeria de arte contemporânea da UNIRIO, coordenado as exposições. É dessa época a criação da Conversa com o Artista. Participei, também, do juri de seleção do Salão de Petrópolis. A experiência se torna mais rica quando o curador se envolve na produção da exposição e ajuda e facilita o diálogo do artista com o público. Aqui na Galeria ÖkO , sou assessora e participo de várias outras atividades como a seleção das obra a serem vendidas pela Galeria.
Numa recente entrevista, o Paulo Reis falou ser difícil trabalhar no Rio, pois as galerias, ao contrário do que ocorre em São Paulo, não se entendem. Você tem a mesma percepção.
Nossa galeria é nova. Estamos aqui na Barra tentando realizar um tabalho sério de divulgação da arte contemporânea nesta parte da cidade, e não temos, ainda, um contato com as galerias mais antigas, portanto eu não posso afirmar nada sobre o comentário do Paulo.
A crítica existe no Rio de Janeiro?
Temos um bom grupo de críticos no Rio de Janeiro e seus comentários estão na imprensa. Eles exercem também uma função significativa na produção de textos e na publicação de livros.
Qual sua opinião sobre as Feiras de Arte?
Eu nunca me debrucei muito sobre esse assunto pelo fato d eminha produção não ser vendável, mas as Feiras de Arte são parte importante do mercado.
Você é a favor da realização dos Salões de Arte?
Sim, participei de alguns e considero uma oportunidade única para lançamento de novos artistas no circuito e no mercado de arte. Hoje, temos alguns salões importantes como o da Bahia, Paraná e do Pará. Deveria haver um estímulo maior para abertura de outros.
O que você pensa sobre as galerias virtuais?
Este é um meio recente. Eu vejo alguma dificuldade na qualidade da imagem, que nem sempre corresponde ao trabalho real, porém o virtual é uma tendência em progressão.
Como você se mantém atualizada?
Como artista pela leitura e pelo contato com outros artistas. Como professora sou obrigada a me atualizar para tansmitir aos alunos. Além disso, tenho um projeto chamado Dialeto com a artista Monica Mansur, que já está na sétima edição, com mais dois volumes em andamento, e cujo resultado são livros d eartistas. A minha atualizaçao em arte vem do conjunto dessas atividades.
O que você sugere para divulgar a Arte?
A coisa mais significativa é você ir ao encontro do público. Ele não busca por si mesmo as galerias e museus. A divulgação pela mídia é necessária e muito importante. Creio que um cadastro disponível da produção dos artistas por estados e regiões poderia trazer alguma colaboração, E isso não é impossível nessa era das comunicações.
Lia agadeço por você ter me recebido com tanta gentileza, pelo seu rico depoimento e, ainda, por ter me presenteado com seus livros. Muito obrigado.
A entrevista com Lia do Rio foi realizada no Espaço ÖkO em setembro de 2010. O contato com Lia foi muito agradável. Perceber sua suavidade, sua cultura profunda, sua seriedade, sua competência e a qualidade de sua atuação em várias áreas ligadas à Arte foi enriquecedor.





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