sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Leonel Mattos



Leonel Mattos


Leonel Mattos é artista autodidata. É um trabalhador da arte, em sua longa carreira utliza-se de vários meios, desenho, pintura, instalação, ocupação e performance. Sua obra tem o cunho social e é destinado ao povo. Outra notável vertente de sua carreira é a luta pela sobrevivência da Arte na Bahia, foi fundador e é presidente do Sindicato de Artistas Plásticos e Visuais da Bahia, onde procura valorizar a atuação do artista. Obrigado Leonel, vamos à luta.

Leonel, conte um pouco de sua história.
Sou artista plástico, tenho 56 anos, nasci em Coaraci, BA. iniciei minha carreira artística aos 15 anos de idade, possuo 7 prêmios , participei de vários salões oficiais pelo Brasil, exposições, no Brasil e exterior! Desenvolvo várias linguagens! Pintura, instalações, objetos, performance , etc. Morei em São Paulo de 1985 a 1990. Atualmente moro e trabalho na Bahia!

Qual foi sua formação artística?
Autodidata, quando morei em São Paulo, adquiri novos conhecimentos, no curso de história da arte e freqüentei vários ateliês de artistas e exposições de arte, participei ativamente da vida cultural, onde vários críticos e o publico puderam tomar conhecimento da minha obra, já que naquele tempo não havia a net!

Que artistas influenciam seu pensamento?
Sante Scaldaferri, Helio Oiticica, Cristo.

Como você descreve sua obra?
Minha obra descreve por si só! Mas poderia dizer que é a expressão do que sinto e vejo!

Você tem uma bela luta pela democratização, valorização e divulgação da Arte, o que você comenta sobre isso?
Entendo que a arte tem que ser democratizada, por entender que não precisa saber para apreciar uma obra, basta sentir!A arte tem que estar onde o povo estar, e para ser apreciada por todos, afinal o papel dela é questionar, revelar,cada olhar é um olhar!

Como você divulga a sua obra?
Através da imprensa, e de exposições sem parar.Tenho feito coisas que interessam a toda sociedade, meu trabalho é direcionado para o social, para o coletivo e isto acho que desperta nas pessoas. Agora, com a net, tenho usado o face para divulgação em massa, depois de 20 anos enterrado aqui na Bahia, e com um registro precário, vou o que salvou com o auxilio do face, as pessoas puderam tomar conhecimento da minha obra, com uma velocidade maior!

Você tem uma rotina de trabalho?
Sou um artista indisciplinado para trabalhar. Trabalho quando sinto que está na hora!

Qual a importância dos Salões de Arte?
Os salões de arte, são fundamentais, para dar oportunidades aos jovens artistas, que estão começando, A principal porta de entrada e incentiva os artistas a produzirem, onde a crítica possa tomar conhecimento da produção. Jamais deveriam acabar!

Qual a dificuldade para um jovem artista para ser representado por uma galeria?
As dificuldades são várias, a principal é a falta de espaço.As galerias só trabalham com determinados grupos de artistas e é muito difícil abrir oportunidades! Depois acabaram com tudo aqui, com os salões! Tenho dado a minha contribuição realizando eventos coletivos onde agrega um número maior de artistas, em espaços alternativos e no meu ateliê do Rio Vermelho!

Quais são seus planos para o futuro?
O futuro está muito longe, entendo que o segundo é muito tempo, e procuro fazer o melhor, seja onde estiver, o futuro pode ser agora! rsrsrs

É possível viver de arte no Brasil?
Sim, é possível viver de arte no Brasil. O que precisa é formar um publico maior para tal, para isto temos que abrir mais espaços para a arte se mostrar, começando pelas escolas!

O que você faz em suas horas livres?
Não tenho horas vagas, porque trabalho pensando! rsrsrs


Lingua para Urubu Comer Intervenção urbana.









Um sentido apurado das relações espaciais e a exploração sensível da matéria pictórica são, ao meu ver, os elementos fundamentais da pintura de Leonel Mattos. Esses dois elementos se conjugam — espaço e matéria — na criação de um universo específico, que é só pintura, nada mais. Orientando seus quadros na busca de uma linguagem não conflitual, os contrastes de cor e as composições exaltadas, e assim nos oferece um onde as tensões sutis e a assimetria convergem para um equilíbrio instável, estimulante. É nesse som barulho que as formas — figuras? signos? — bailam, esvoaçam.

Ferreira Gullar
Rio - 28-02-89


ISTO É SENHOR
Amor explícito
Pintor resgata romantismo de símbolos eternos

A Galeria Paulo Prado, de São Paulo, dá continuidade ao trabalho de expor novos artistas apresentando (até 29 de abril) as pinturas de Leonel Mattos, baiano, há cinco anos em São Paulo. Cada pintor tem a sua peculiaridade. Mattos, além de desenvolver pesquisas sobre a composição, propriamente dita, trabalha com especial cuidado a matéria pintura. Seus quadros atuais mostram o desempenho das variações e das tensões cromáticas como, fundamentos básicos de organização do espaço artístico. A paleta é baixa, as cores escuras se acomodam entre si, compondo as áreas da tela com tranqüilidade. Isto quer dizer que o artista prefere trabalhar com gamas de cores de intensidade comum para que nenhuma da sobressaia mais do que outra. No fundo, ele busca a harmonia cromática, através de tons baixos, serenos.
E mesmo as pinceladas grossas, algumas até empastadas, de tinta, não usadas com equilíbrio e parcimônia, ao meu ver, a matéria pictórica revela-se como um signo referente à forma e ao desenho, grafados no seu entorno. Há, porém, uma separação evidente entre o fundo e a forma, nos quadros do Mattos. A tela, por si, já é uma pintura, abstrata, calorosamente pigmentada, Ela abriga o desenho de figuras simbólicas, pintadas com as cores que se aproximam, não causando dissonâncias cromáticas, entre si. O desenho e a forma, portanto, são os objetos relevantes da pintura que constroem um alfabeto de signos narrativos e muito particulares. As pequenas figuras e os sinais se confundem, aparentemente, com as massas de cores que compõem a tela. Aos poucos, o visitante é instigado a compreendê-los.Uma série de cruzes pode representar um campo santo, uma aliança une dois corações, um círculo representa um universo fechado, e os pássaros alinhados, semelhantes às galinhas do quintal, se referem certamente à vida familiar. Toda a pintura de Mattos é rubricada com figurinhas e sinais representativos de laços de união. E mesmo as pequenas formas, apenas esboçadas, são intrigantes, segredando descobertas. A maioria dos quadros tem desenhos de corações.É difícil alguém falar de afetividade, de amor, com a singeleza de Mattos. Os desenhos dos corações solitários ou entrelaçados são simbólicos e se perdem nos tempos das primeiras relações amorosas. Estão grafados nas armas, nos cadernos de escola, nos muros da cidade. É símbolo universal, traduz todas as línguas e nunca perde o seu significado. Nenhuma matéria pictórica ou forma artística, por mais bem concebida e executada, teria a relevância da expressão gráfica dos corações. O signo representa a palavra, esta, a emoção. De certa maneira, o artista a se rende à relevância da palavra, do seu signo referente, desenhado como um coração.
A exposição de Mattos fala de amor, de sentimento que precisa ser resgatado na sua amplitude e profundidade. Uma visita à Galeria Paulo Prado é um excelente programa, principalmente para uso político brasileiro que disse ser mais econômico alojar as nações indígenas num hotel 5 estrelas de Brasília do que resolver as questões das reservas e da sobrevivência deles.
Radha Abramo

Leonel Mattos – Tempo e entorno

Inquietação. Essa parece ser a palavra que norteia o destino de Leonel Mattos.
Insubordinação. Outro momento seu, para protestar quanto ao estabelecido sem regras justificáveis.
Com formação autodidata, sempre se empenhou em buscar soluções e resolver questões plástico-visuais. Tarefas pensadas e elaboradas.Leonel Mattos é um artista de resultados.
Agitador cultural, pródigo com os colegas e com o público, estes sempre convidados a atuar em seus processos criativos. Cumplicidade. A convivência social na arte de Leonel se constitui num propósito de aproximações e comunicabilidade. Dividir idéias, fazeres, experimentar novas técnicas e suportes.Pinturas, desenhos, esculturas, murais, instalações, interferências urbanas, constroem sua saga pessoal aos turbilhões.Loquaz e hipertímico, o artista busca um tempo socorrido. O quanto falta? O quanto basta? Indagações e mistérios. Leonel é invencível na busca.Questionamentos sociais e políticos lhe interessam, propósitos que em sua trajetória tem o cuidado de abordar. Leonel é múltiplo e no caos se organiza, encontra diretrizes para suas verdades urgentes. Provas e etapas proporcionam caminhos que lhe levem ao seu centro. A pintura é seu exercício maior, signos do imaginário em descobertas e encontros. Reparações.O percurso simbólico de Leonel Mattos trespassa lógicas. Amplia sua persistência e fazer.Os dias são somações de buscas, tempo vivido rápido e intangível.
Tudo em seu entorno se transforma em referência visual. Seu melhor discurso é o fazer. Compulsivo e visceral. Leonel Mattos fundamenta na inteligência intuitiva o seu caminho. Seu trabalho em revisões estabelece possibilidades de análises comparativas, mudanças e descobertas, detalhes que se sobrepõem a outros, associações e ordenamento de achados.
Um artista em que o trágico não paralisa, impulsiona. Um canto atônito de sensível sonoridade. O caos toma forma e se materializa em Arte.


César Romero
Verão - 2006
ABCA – AICA




Leonel Mattos

Artista plástico e Presidente do SINAPEV-BA

Sindicato dos artistas plásticos e visuais da Bahia

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