sábado, 21 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista José Mianutti

José Mianutti


José Mianutti jovem artista radicado em Curitiba fala do seus trabalhos, suas dificuldades e planos futuros. Mianutti obrigado por sua participação e sucesso. Aqui estaremos acompanhando sua carreira



O que você contaria sobre sua vida pessoal?
Nasci em São Paulo – SP no dia 5 de janeiro de 1980. Quando contava por volta dos três anos de idade, meus pais vieram para Curitiba – PR e cá estou desde então.
Cursei o antigo primário em uma escola Adventista, e da 5º série em diante em escolas estaduais. Fora a fase do ensino médio, a escola sempre foi uma rotina maçante para mim.
Trabalhei em uma porção de coisas antes da Universidade (uma mais louca que a outra): auxiliar de auto-elétrica, vendedor de plano de saúde, caixa em loja de conveniências, vendedor de artigos exotéricos e por aí vai.
O período da graduação foi bastante conturbado, pelo fato de ter aulas à tarde e a noite e não conseguir emprego neste meio-tempo, principalmente no primeiro ano. Como não queria “sugar” meus pais, tive que me desfazer de algumas coisas para poder comprar material e etc. Foi uma fase complicada, mas valeu à pena. Hoje me lembro de algumas coisas e fico rindo sozinho, como quando comecei a pintar em chapas de MDF de 3mm, pois eram bem mais baratas que tela. Porém, tinha que carregar aquelas pinturas pesadas e desajeitadas dentro do ônibus (passar pela roleta era um inferno!!!), esbarrando em todo mundo e depois andar várias quadras até a Universidade. Parecia cena de filme de comédia...
Hoje leciono para o ensino fundamental e médio em dois colégios estaduais.

Qual foi sua formação artística?
Meu contato com o desenho e a pintura foi muito precoce, pois “desde que me conheço como gente”, sempre estava rabiscando algo. Lembro-me de que quando contava com 5 anos, meu pai começou a comprar uma coleção de fascículos sobre ensino de desenho e pintura que possuo até hoje. Por volta dos 12 anos de idade, minha mãe me matriculou em um curso de pintura à óleo perto de casa. Era uma aula por semana e não lembro por quanto tempo fiquei por lá, mas acredito que não passou de um ano. Aos 15 fiz um curso de aquarela no Museu Alfredo Andersen, aqui em Curitiba. Sentia-me meio deslocado lá, pois era o único homem e o único adolescente em meio àquelas senhoras elegantes que freqüentavam o curso. Em 2002 comecei minha graduação em Artes Plásticas na UFPR, me formando no final de 2005.

Que avaliação você faz do curso de graduação em Arte?
Acho que poderia ter absorvido mais de alguns professores. De qualquer forma, o curso me fez amadurecer um pouco. A carga que já carregava, pelo fato de sempre ter me interessado em arte, ajudou. Como é muito comum, alguns professores, em minha opinião, falharam; mas aí coube a mim correr atrás.

Que artistas influenciam em seu pensamento?
Vários... Francis Bacon, Willem de Kooning, David Hockney, Wayne Thiebaud, Giorgio Morandi, Gerhard Richter, Philip Guston e por aí vai.

Como você descreve seu trabalho?
Sei lá, é complicado expor meu ponto de vista em relação às coisas; especialmente pelo fato da pintura ser algo natural para mim, pois lido com isso desde a infância. Tento ser o mais direto possível quando trato da imagem, simplifico o máximo que posso. No fim das contas, olhando para a grande maioria de meus trabalhos, posso dizer (com o mínimo de precisão), que trato de questões como o isolamento e a espera. Estou começando a fazer algumas experiências sobre essas questões em outras mídias, como a fotografia. Mas ainda é cedo para mostrar alguma coisa.


O suporte preferido por você é o papel, como você classifica seu trabalho: pintura ou desenho?
A linguagem independe do suporte. Classifico como pintura, pelo fato de lidar principalmente com áreas de cor. No meu trabalho, a linha age apenas como limitador destas áreas. O fato de preferir o papel vem da época em que pintava sobre MDF, acostumei a pintar sobre superfícies rígidas. Hoje estranho quando pinto em tela, aquela tensão do tecido esticado não me agrada.

Qual sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aperfeiçoá-los?
Os salões são uma das poucas possibilidades do artista que está começando mostrar seu trabalho. Conheço uma porção de gente que critica esse modelo de exposição e não entendo o porquê desse “pensamento punk”. Mas é claro que existe a outra face da moeda: há salões que parecem manter uma espécie de “padrão” nas mostras. Com isso aparecem os “artistas de salão”, que adaptam seus trabalhos para esta ou aquela banca.

Que dificuldades você vê para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Acho que o único “perigo” seja o do artista se repetir, se acomodar com aquilo que está vendendo e não se desenvolver. Trabalhei por um tempo em uma galeria e via muito disso.

É possível viver de arte?
Vários artistas provam que sim, mas dos que eu conheço pessoalmente, não sei de nenhum...

Você tem uma rotina de trabalho?
Não. Trabalho quando tenho tempo, mas sempre fico pensando sobre o próximo, juntando elementos aqui e ali, até que ele aparece.

Que museu você gostaria de fazer uma exposição.
Nos que todos sonham: MoMA, Tate, Guggenheim...

Como você vê a arte contemporânea em Curitiba?
Existem vários artistas que admiro por aqui como Carina Weidle, Geraldo Leão e Eliane Prolik, além do pessoal da nova geração, onde destaco Tony Camargo e Marlon de Azambuja (radicado em Madrid há alguns anos). O trabalho do MAC – PR também merece elogios. Eles possuem um acervo bibliográfico muito bem organizado, abrem espaço a novos artistas, sem contar o Salão Paranaense que é um dos mais representativos do país.

Quais são seus planos para o futuro?
Batalhar para tornar meu trabalho cada vez mais consistente.

Participar de Bienais está nos seus planos?
Torço por isto.

O que você faz nas horas livres?
Leio, vou ao cinema, cozinho, jogo vídeo-game, saio com os amigos. Mas sinto falta de algo que, infelizmente, está cada vez mais perigoso: caminhar durante à noite.







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