segunda-feira, 23 de julho de 2012

Marcio Fonseca entrevista Guido Cavalcanti.

Wave 2

Vala Negra



Heavy Crude Oil





Big Oil







Crude 8









Guido Cavalcante Nasceu em Curitiba. Pai é jornalista e poeta. Mãe professora. Estudou no Colégio André Maurois. Pertencia ao grupo de baderneiros políticos. Por opção própria não cursou a Universidade. Em 1968, ligou-se à contra cultura, ao amor livre e à contestação política. É casado. Tem uma filha. Vive e tabalha no Rio de Janeiro.
Qual foi sua formação artística?
Estudei desenho e pintura com Loio Pérsio. Havia chegado de Curitiba com uma indicação para procurá-lo. Fizemos uma grande amizade. Sem moradia e sem dinheiro, fui convidado a morar em sua sasa/ateliê. Nessa época, ele havia se separado. Após dois anos, descobri não ter talento para pintura.
O que veio depois?
Fui trabalhar em laboratório de fotografia, me tornei assistente de câmera e fotógrafo. Trabalhei como editor de imagens em documentários e jornalismo para televisões européias.
Como foi a experiência?
Magnífica. Correspondeu aos chamados "anos de chumbo" nas Américas Latina e Central. Viajei muito e cobri os principais acontecimentos políticos e sociais dessas regiões. Afastado das artes, desenhava e escrevia poesias.
Você poderia falar do seu trabalho com arte atual?
Ele é realizado por meio do fractal, uma ferramenta como o guache, o carvão ou o óleo. É difícil, pois ele surgiu da aplicação de leis da Física à Matemática. Inicialmente, aplicado à quantificação de fenômenos estatísticos. Os matemáticos mostraram as imagens obtidas desses métodos de quantificação. A introdução de softwares permitiu o desenvolvimento de técnicas de produção de imagens. Comecei a introduzir noções de estética e a trabalhar com significados específicos em minhas imagens, foi quando gerei trabalhos vinculados à realidade, algo nunca realizado por fractal. A série inicial foi denominada Vala Negra. Discordei dos colegas americanos e europeus propondo uma arte engajada e sem preocupações com a beleza. Ver texto em inglês no http://orbittrap.blogspot.com/20060801archive.html .
Que artistas ou movimentos influenciaram sua obra?
Duchamp, os dadaístas e o Movimento Fluxus. Ray Johnson, Donald Evans, John Held Jr., Edwin Varney, Robert Watts, Rud Janseen, Rauschenberg, Sol Lewitt, John Baldassari e Yves Klein. Acompanho o stamp e mail art. Os "zines" dos anos 70 e 80 com suas imagens lunáticas. Meu interesse maior é por uma atitude, por exemplo, quado Rauschenberg apagou um desenho do de Kooning. Gosto da arte de rua e grafite, onde a parte caligráfica é muito interessante. O artista de rua trouxe com sua atitude vandálica diante do mundo e da sociedade naquilo que todos usufruimos o espaço público.
É representado por galeria?Não
Você consegue viver da venda dos seus trabalhos?
Não. Vivo do trabalho de editor de imagens em vídeos. Sou corretor de imóveis.
Qual a importância do curador e do crítico?
Não tenho a menor idéia se críticos e curadores são indispensáveis. Eles fazem parte do sistema de exibição, avaliação e exposição de obras de arte. O envolvimeto da crítica e da curadoria com a mídia e o sitema financeiro é total. Eles são "avalistas " do mercado, orientam o investidor, trazem novos produtos e aconselham o investidor.
Você acredita , então, ter sido a arte transformada num negócio lucrativo?
Com a globalização, a arte saiu do controle do artista e passou a fazer parte da estratégia de investimentos. O curador era definido essencialmente como um guardião das coisas, mantendo, preservando e estudando uma coleção de artefatos. Atualmente, o curador passou a se ocupar com o significado cultural desses objetos, muitas vezes em posição partilhada com o artista. Nos últimos anos, a curadoria tornou-se disciplina de direito próprio. Surgiu o verbo "curar", quando existia apenas o substantivo curador. "Curar" sugere uma revisão da função do curador. Essa mudança do papel do curador indica uma resposta à alteração de significado e relevância do objeto de arte nos últimos sessenta anos.
Que mudança foi essa?
A desmaterialização do objeto artístico levou à redefinição de conceitos e estratégias para incorporar a arte conceitual, a processual e a performática. As posibilidades artísticas se expandem e a curadoria também para englobar tais práticas. Em discussões recentes sobre profissionalização da arte contemporânea e as definições do curador como artista e vice-versa, sugerem estar a curadoria e as artes evoluindo além dos limites originalmente demarcados. A curadoria é uma escolha do artista, ou os artistas estão sendo substituídos por conceitos fora da arte? Até quando os artistas vão admitir os curadores mais participativos na produção das obras? Os artistas precisam recuperar seu espaço e adaptar-se aos novos desafios do mercado, do sistema de exibição e conceituação de seus trabalhos.
As galerias contribuem de que maneira para o desenvolvimento da arte?
É nas galerias onde a produção se torna pública. A galeria moderna , embora sempre branca, não é um local neutro, um armário, um cofre, mas uma construção histórica concebida para produzir determinado resultado, que no seu interior haja uma experiência pessoal, uma "epifania", capaz de converter o visitante. A galeria é um templo, um objeto estético em si, pois a forma de cubo branco foi considerada "perfeita" e, ele se tornou inseparável das obras de arte espostas. O cubo branco domina o objeto em exibição, assim o próprio conteúdo dos trabalhos passe a ser inferido dentro do contexto.
Na sua opinião há uma significativa influência da arqitetura e conceito das galeria nas obras de arte?
O cubo branco é concebido como um local "sem contexto", onde o tempo e o espaço social comum e ordinário da vida corrente são planejados por sua exclusão da experiência estética. É através da aparente neutralidade de parecer fora da vida cotidiana e política , qua a sobras de arte podem alcançar sua aura de atemporalidade. O cubo com suas paredes brancas, sua iluminação discreta, uniforme, pacífica, repousante é um espaço sagrado, que apesar do design moderno se assemelha a um mausoléu antigo e seus tesouros interiores. Ele dá às obras de arte uma qualidade atemporal de valor duradouro e eterno. O cubo branco estabelece uma dicotomia fundamnetal entre o que deve ser mantido fora _ as condições sociais e políticas da vida comum_ e o que fica dentro, o valor dos objetos de arte nela oferecidos para os iniciados na sua religião.
O que sugere para divulgar a arte?
Criação de escolinhas de arte e mais cursos livres. Os artistas poderia "adotar" jovens em formação, como fez Sol Lewitt em suas Wall Paintings, onde estudantes trabalhavam na execução dos murais. As anotações de Leonardo da Vinci mostram como produzir arte significa estudar, experimentar, pesquisar, anotar, observar, a fundamentar um método de trabalho, onde as experiências adquiridas sejam acrescentadas às novidades. O público precisa ser educado a ver, ouvir a entender do que se trata aquilo que é mostrado. A sensibilida se aprimora e o refinamento só é possível através do conhecimento, da cultura edo aperfeiçoamento do gosto comum. Para a maioria as únicas funções da arte são produzir emoção ou decorar. Isso precisa ser mudado.
O artista deve ter educação continuada?
Artista não para de estudar, de aprender e ensinar. Ele ensina a ver, a ouvir, a pensar e nos transforma em descobridores e participantes de novas experiências intelectuais e sensíveis. Aprendizado não cessa nunca e passa por uma troca de informações e experiências.
Que outras atividades contribuem para ampliar a visão dos artistas?
As experências de vida.
Quais são seus planos futuros?
Montar uma exposição de meus trabalhos em fractal, sobre a degradação ambiental. Sã0 as séries: Vala Negra e Óleo Cru. São temas atuais sobre a degradação do planeta.
Como é possível conhecer seus trabalhos?
Uma parte está no blog http://www.fractalocean.blogspot.com/
Obrigado Guido. Creio ser fractal algo desconhecido para a maioria dos leitores.

A entrevista com Guido foi realizada durante um café no Bakers em Ipanema. Profundo conhecedor de arte e com uma impressionante vivência pessoal dedica-se com mais intensidade a produção de trabalhos utilizando-se do fractal.















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